Pioneiros da radiofonia do Oeste Catarinense – 02

Prof. Dirceu Luiz Hermes

A iniciativa das alunas do curso de Comunicação Social Greizi Ciotta e Luciane do Valle em realizar pesquisa como parte dos requisitos para conquista do título de jornalismo foi assimilada pelo mestre em Comunicação Social e também professor Dirceu Luiz Hermes*. Em seu depoimento no prefácio do livro ele registra que “as pesquisadoras tinham a preocupação com as histórias guardadas na memória de personalidades da imprensa e que muitas dessas histórias, se não fossem pesquisadas, seria apagadas”. A propósito ele faz referência ao fato que na época da execução do projeto morrera o jornalista Welcy D’Ávila Canals e com ele parte da história da comunicação local havia sido enterrada.

Em seu texto o professor Dirceu refere-se que “as histórias resgatadas são exemplos de persistência na superação de muitas dificuldades, quer de ordem pessoal, quer de ordem profissional. Um exemplo disso (destaca) foi a história do casal Francisco Norberto e dona Augusta Bohner, responsáveis pela fase de desenvolvimento da primeira emissora de rádio de Chapecó” e assinala “a saga da família é contada, principalmente, pelo filho do casal, José Francisco Müller Bohner”.

Mas, “é em torno da Rádio Chapecó que outras histórias de vida se passam. A dona Elza Winck, com toda a lucidez, conta sua trajetória junto com o marido Nilo Winck, pois passaram a maior parte de suas vidas acompanhando todos os passos da família Bohner. Além de responsável pela manutenção da torre de transmissão do sinal da emissora de rádio, Nilo Winck foi repórter esportivo e conhecido como o “Homem do lenço branco” e criador da frase Se não queres que apareça não deixes que aconteça”.
 
“O cenário da Rádio Chapecó é onde se passa a trajetória profissional e a história da vida do radialista Amilton Martins Lisboa e do jornalista Celso Nunes Moura. Foi interessante observar que foi da experiência na Rádio Chapecó, onde Alfredo Lang que era advogado, que nasceu a segunda emissora de rádio de Chapecó – a Rádio Super Índio Condá. Com Alfredo Lang também se resgataram dados importantes para entender todo o processo de implantação da televisão em Chapecó”.

“Os diferentes personagens dessa história apresentam uma movimentação interessante. A partir deles é possível acompanhar outros meios de comunicação que marcaram a história da imprensa. Amilton Martins Lisboa faz uma viagem a Editora Antares, responsável pela edição da revista Celeiro e o jornalista Dino Pattussi resgata o cenário político da época em que os principais semanários da história circularam em Chapecó”.

“A presente publicação é resultado de um trabalho de conclusão de curso e, por mais que a pesquisa seja estimulada no Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo da Unochapecó e também faça parte de uma política especial  de fomento à pesquisa na universidade, é um recorte de muitas histórias que foram pesquisadas  e que ainda estão sendo pesquisadas. Estamos na universidade, na fase do resgate da memória da mídia e esse resgate é que possibilitará outros estudos bem mais aprofundados. Cada história desses pioneiros possibilitará o desdobramento de outros estudos”.

Ao final do prefácio o professor Dirceu Luiz Hermes, enaltece a qualidade do trabalho das autoras – Greizi Giotta e Luciane do Valle – ao tempo em que reconhece “a dificuldade em conseguir dados tem desafiado jovens jornalistas que estão mexendo no mofo da história para dar aos acontecimentos do passado uma nova roupagem”. E conclui destacando a importância da iniciativa da Associação Catarinense de Imprensa em publicar esses estudos ao dizer “A publicação se torna imprescindível para quem deseja entender a história d imprensa de Chapecó”.

*Dirceu Luiz Hermes (org.)– Graduado em Letras pela Universidade Comunitária Regional de Chapecó (UNOCHAPECÓ), com especialização em Teoria e Metodologia do Ensino em Comunicação e Produção de Textos e mestrado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). É professor da UNOCHAPECÓ desde 1997 e atua nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Atualmente, exerce a função de diretor do Centro de Ciências de Comunicação e Artes, que compreende os cursos de Artes Visuais, Letras, Jornalismo e Publicidade e Propaganda.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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