Podcasting Desmistificado

Este excelente artigo de Joel Gehman foi originalmente publicado pelo Rich Media Insider, do MediaPost. Joel é vice-presidente da Refinery, um das mais badaladas agências interativas dos Estados Unidos.
Por Emílio Cerri Neto

Ele gentilmente autorizou-me a traduzí-lo e publicá-lo aqui no Caros Ouvintes (meu irmão e contista favorito Marco Antônio Arantes ajudou-me com a tradução).

Tomei a liberdade de incluir explicações para certas expressões e tecnologias ainda não muito conhecidas no Brasil. Elas aparecem entre parênteses.

Bom proveito.

Emilio Cerri


Podcasting Desmistificado
por Joel Gehman*

Ao longo dos últimos meses o pessoal da nossa agência me atormentou com o assunto podcasting. Enfim, minhas tentativas de ignorá-los falharam, e o que segue é uma resposta já bem tardia às suas perguntas, além de algumas dicas sobre como colocar o podcasting a serviço dos marketers.

 

Primeiro, a definição: podcasting permite que conteúdos de áudio online sejam transmitidos via RSS, o mesmo formato XML usado para web sites multiplicados e blogs. O termo podcasting é uma junção de iPod (o player MP3 da Apple) e broadcasting (radiodifusão), e apareceu pelo começo de 2004. Apesar dessa etimologia, o iPod não é necessário – basta qualquer player MP3, ou computador.

 

Mas, dispor de um iPod ajuda bastante. Segundo pesquisa da Pew Internet & American Life Project , 29% dos 22 milhões de americanos adultos que possuem um iPod ou outro player MP3 informaram ter baixado um podcast da internet. Isso dá aos podcasts uma audiência de mais de 6 milhões de pessoas – nada mau, considerando-se que Xm e Sirius, juntas, até aqui obtiveram apenas 5,3 milhões de assinantes de rádio via satélite. E o podcasting já tem presença bastante para ter sido alvo de uma reportagem especial na BusinessWeek.

 

Então, afinal, quem são esses  proprietários de iPod? Generalizando bastante a partir dos dados da Pew Internet, eles são principalmente homens, abaixo dos 40 anos, com renda familiar anual de US$ 50 mil ou superior, usuários da net há mais de seis anos e dispondo de banda larga tanto em casa quanto no trabalho. 

 

Em contraste com os proprietários de iPod, os ouvintes de podcast dividem-se, igualmente, entre homens e mulheres. Quase a metade dos donos de iPod, entre 18 e 28 anos, baixaram um podcast, versus apenas 20% do mesmo público acima dos 29 anos. 

 

Surpreendentemente, dentre os que baixaram um podcast, o percentual é o mesmo entre usuários de banda larga e do sistema de discagem. É de esperar-se que os números de ouvintes de podcast aumentarão expressivamente com a notícia, pela Apple, de que o seu iTunes 4.9 suportará o podcasting. 

 

Na minha perspectiva, o podcasting representa a intersecção de três poderosas tendências: áudio digital, jornalismo pessoal e timeshifting  (gravação de um programa de TV usando um meio de armazenamento – como o TiVo – para ser assistido no horário mais conveniente ao telespectador). Ou, em outras palavras: iPod + TiVo = podcasting.

 

Primeiro, porque a maioria dos usuários do podcast envia seus arquivos via MP3.  Segundo, porque, como no caso dos blogs, os usuários em geral fazem-se assinantes de podcasts criados por outros indivíduos, não pela grande mídia.  Terceiro, porque os usuários ouvem quando querem, exato como no TiVo.

Quanto ao conteúdo, os podcasts vão de negócios, educação e religião à comédia, música e esportes. A Podcast Alley, por exemplo, lista mais de 3.000 podcasts e mais de 30.000 episódios individuais. O catálogo Podcast.net apresenta mais de 4.000 podcasts em mais de uma dúzia de categorias.

 

Com 40.000 podcasts ativos, a GarageBand.com anuncia ter “o maior catálogo do mundo em músicas prontas para o podcast”. Outro site que vale a pena explorar é o Podcasting News.

 

Minhas pesquisas informais indicam que os favoritos dos ouvintes incluem [email protected], diversos podcasts de crítica cinematográfica, The Word Nerds (um podcast semanal sobre a língua inglesa), além de uma variedade de outros podcasts em outros idiomas.

 

Outro gênero popular é o podsafe music (música pod-segura sem problemas com direitos autorais), tipicamente de músicos não-registrados que apresentam seu trabalho sob a licença Creative Commons. A Podcast NYC, por exemplo, apresenta uma variedade de programações.

 

Assim, como podem os profissionais utilizar-se do podcasting? Obviamente, os músicos devem incluir seus news releases, entrevistas e até mesmo concertos. E essa técnica é perfeita para os talk-shows. Rush Limbaugh, por exemplo, anunciou que oferecerá aos assinantes acesso ao podcast do seu programa. 

 

Museus e birôs de turismo devem analisar a possibilidade de walking tours em podcast. Por exemplo, a exibição de Dali no Museu de Arte da Filadélfia poderia facilmente ter sido narrada via podcast.

 

Na categoria “viagens”, por exemplo, visitantes de – Veneza, digamos, ou da Disneylândia – ficariam felizes em poder baixar podcasts dos lugares a visitar e coisas a fazer nesses destinos.

 

O mercado gastronômico deve considerar a “gastrocasting”, seguindo, talvez, os passos do Podchef. Eu sou um ávido colecionador de vinhos, e tenho certeza de que assinaria podcasts das minhas marcas favoritas de vinhos.

 

De modo mais sério, agora, empresas farmacêuticas deveriam considerar a informação de médicos via medcasting. Os podcasts são ainda uma excelente forma de abordarem-se assuntos delicados e tabus.

 

Serviços financeiros poderiam associar-se a autores como Suze Orman ou Robert Kiyosaki na produção de podcasts que reforcem suas mensagens sobre planos de aposentadoria ou de administração patrimonial. Outros, ainda, têm observado a popularidade crescente do chamado Godcasting (podcastings sobre temas religiosos produzidos por pastores).

 

Em suma, iPods começam a surgir de todo lado. O podcasting agarra essa popularidade e a amplia  usando a força do blog e do TiVo. Se a isso nós somarmos o suporte de massificação prometido na próxima versão do iTunes, o momento parece-me certo para o mercado embarcar no podcasting. Levando em conta o conteúdo da equação, conforme vista em alguns dos exemplos acima, não será necessária muita imaginação para profissionais de praticamente qualquer atividade encontrarem modos de alavancar seus podcasts.

 

Se você for um profissional com uma história de podcasting a contar, mande-a para mim!

 

*Copyright 2005 Joel Gehman. Tradução e publicação autorizadas.
Joel Gehman é Vice-Presidente Sênior de serviços a clientes da Refinery, uma das top 25 agências interativas do Advertising Age. É autor de mais de 100 artigos sobre internet marketing.
Joel pode ser contatado através da
refinery.com.


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Por Emílio Cerri

Radialista, jornalista e publicitário. Âncora em rádio e telejornalismo em emissoras de Santa Catarina e Brasília. Como publicitário trabalhou em agências e empresas de Florianópolis, São Paulo, Rio e Brasília. É consultor de comunicação de marketing. Edita vários blogs (inclusive Caros Ouvintes). Palestrante internacional.
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