Políticos usam o rádio em benefício próprio

Ao longo de sua história o rádio tem sido um excelente palanque eleitoral.  No Paraná, radialistas com grande popularidade que decidiram seguir a carreira política, tiveram êxito. Profissionais que atuavam em programas destinados a públicos bem diferentes, quando se lançaram na política receberam expressivas votações. Lourival Portela Natel que fazia “A Hora do Angelus” na Rádio Guairacá foi eleito deputado estadual. Túlio Vargas era narrador de futebol como Mauricio Fruet e Airton Cordeiro, Algaci Túlio, repórter policial como Ricardo Chab, todos eleitos com grandes votações. Estes são apenas alguns exemplos tirados de uma infinidade de nomes de radialistas que trocaram o rádio pela política.
A eleição de profissionais do rádio chamou a atenção de políticos de carreira. Na busca da popularidade conseguida pelos profissionais, eles passaram a comprar horários em emissoras na tentativa de conquistar mais eleitores. Mais uma vez o rádio mostrou sua eficiência. Mesmo sem talento para o exercício da atividade de radialista, um número muito expressivo de políticos colheu bons frutos eleitorais com programas, muitas vezes de gosto duvidoso e fora dos padrões de qualidade dos profissionais do ramo.
Satisfeitos com os bons resultados na urnas, conseguidos com ajuda do rádio, muitos usaram influência política junto ao governo federal para conseguir concessões de canais de radiodifusão. Utilizando esse importante veículo como palanque eleitoral melhoraram o capital de votos graças a sua grande penetração em todas as camadas da população.
A investida de políticos de carreira teve reflexos na exagerada proliferação de emissoras em todos os cantos do país e levou a qualidade da programação e até de profissionais do microfone, para níveis muito inferiores ao padrão tradicional. Poucos foram os radiodifusores que resistiram e mantiveram suas emissoras com o mesmo padrão de qualidade.
(do livro Sintonia Fina – Jamur Jr)

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