Por que continuamos assistindo “telelixo” se outra TV é possível?

Nas pesquisas sobre as preferências de conteúdo na TV raramente aparecem a baixaria ou o que preferimos chamar de “telelixo”. Geralmente as preferências ficam com as novelas, shows musicais, esportes, documentários e jornalismo. Contudo, os dados não casam com o que de fato se tem nas audiências diárias. Para a professora de jornalismo Carmen Fuente Cobo, diretora adjunta do Centro Universitario Villanueva (Espanha), as causas desta contradição respondem a um fator psicológico: dissonância pragmática. A dissonância pragmática é, em poucas palavras, o desacordo entre o que se pensa e o que se faz. Quanto ao consumo de TV, ese fator é fundamental para se compreender o sucesso dos programas considerados “telelixo”. Esses processos mentais levam o telespectador a atuar de maneira contrária ao que pensa ser correto. O telespectador assiste à esses programas, mas os censura socialmente. Por quê? Aqui vão algumas razões:

– Gosto pelo superficial: este tipo de consumo televisivo é um sintoma de perda de valores pessoais e são utilizados para cobrir o vazio através de “emoções”.

– Da boataria ao “jornalismo investigativo”: Os acadêmicos destacam uma mudança na consideração desses conteúdos. Antes eram apenas “fofocas” mas agora, induzidas pela busca de resultados comerciais com publicidade, ganharam a aura de “jornalismo investigativo”. Dessa maneira se engana o telespectador criando uma falsa ilusão e  fazendo-o crer que está presenciando um produto de qualidade. A mídia cria sua própria agenda, estabelecendo e transmitindo à audiência que esses e não outros são os assuntos mais importantes do momento.

– Desconfiança: Essa é outra das chaves psicológicas que fazem que a “telelixo” – que resulta atrativa da porta para dentro – obtenha níveis de repulsa social. A “fofoca” se identifica com comportamentos maliciosos. “As pessoas “fofoqueiras” despertavam um certo medo e desconfiança.

– Reducionismo: Uma das características da “telelixo” é que ela converte tudo em produtos de consumo fácil. Esse tipo de televisão busca explicações simplistas para os assuntos mais complexos. Assim, chega-se a conclusões facilmente compreensíveis mas sempre parciais.

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Por Emílio Cerri

Radialista, jornalista e publicitário. Âncora em rádio e telejornalismo em emissoras de Santa Catarina e Brasília. Como publicitário trabalhou em agências e empresas de Florianópolis, São Paulo, Rio e Brasília. É consultor de comunicação de marketing. Edita vários blogs (inclusive Caros Ouvintes). Palestrante internacional.
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2 respostas
  1. Carlos A says:

    Meu caro Emílio esta pergunta já me fiz a algum tempo! Há uma música de Roberto Carlos que fala ‘… daquelas tardes de domingo’! No passado, Chacrinha e Sílvio Santos, no presente Gugu, Faustão e ‘elle’, Sílvio Santos, mas há outros. Parece que agora o plus, é doar casas, ou algo parecido: a maioria assistente chora, havendo portanto, catarse, e todos reiniciamos uma nova-velha semana! Haja bunda, ou saco! Outro fato: Horário Nobre no Primeiro Mundo, é às 08PM, e não 22, 23h ou meia-noite…

  2. eno josé tavares says:

    ASSIM TU APAGAS A LUZ DA MINHA POMBOCA

    lembras eterno BALOO E AKELÁ,a suntuosidade de um campo perdido nos vastos campos da nossa Ilha Encantada?Pois é…à luz de lampeões ou de Fogos do Conselho,nos transformávamos em atores,diretores teatrais,contra regras etc.E que IMAGINÁRIO..Compartilhados com nossos lobinhos,escoteiros e chefes,recriávamos personagens ,que pareciam ser tão sómente egressos das obras de Grimm,Rudyard Kipling e de nosso imortal criador do Sitio do Pica Pau Amarelo…E que artistas,eram aqueles meninos de 7a 11 anos,nossos Lobinhos tão bem formados pelo nosso Emílio…E que corais e que jograis,nasciam naqueles momentos à luz de pombocas enlatadas e movidas a querozene…Então veio a televisão,aparelho tão pequeno mas tão espaçoso,para caber um universo…E ela evoluiu,transformando-se em um instrumento de profundas mudanças, nos seres humanos…Mas conhecí uma pessoa, que se rebelou e se negou a trocar o velho rádio de ondas curtas,médias e longas,de frequencias moduladas…Quando os filhos,impulsionados mentalmente pela mídia comercialista ,do fabricado DIA DOS PAIS,lhe deram de presente uma TV Preto e Branco,meu amigo das antigas,deu um berro apavorante e atroou às quatro estações:Tu meu filho mais velho,pensavas que me fazias feliz,saibas que o melhor momento,é quando cai a noite,rezam o ANGELUS no rádio ,e, depois vem o Luar do Sertão,quando apago as luzes elétricas da casa e levanto o pavio do lume…Essa CAIXA MALUCA ,vai mudar tudo mas voces, só voces não sabem mais escutar versos de Catulo e de Tonico e Tinoco, que me transportam a vastos horizontes,fora dessas cabeças modernas de voces…NEM LIGA ESSA ESSA COISA ISTEPORI…leva de volta para a loja e não teima…Pois se deixares aqui feia,fechada com um olho só…Me confundes e me jogas num fim de mundo que não é o meu… e ASSIM TU APAGAS A LUZ DA MINHA POMBOCA !!

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