PRB-2: As muitas casas da Clube

Memória | Capítulo 13/5 | Pedro Stenghel Guimarães

Foi na Rádio Difusora de Paranaguá que Pedro Stenghel Guimarães iniciou a sua carreira de radialista. Nessa emissora ele permaneceu até 1943, quando passou a residir em Curitiba.

Stenghel Guimarães na estréia entrevista César, do América do Rio

Na Capital do Estado, logo Pedro começou a participar do programa de turfe da Rádio Clube Paranaense, colaborando com o seu apresentador, o conhecido Castellano Neto. Nessa época a PRB-2 já cobria o Campeonato Paranaense de Futebol e seu narrador era o excelente Túlio Vargas, outro pioneiro das narrações esportivas do Paraná. Túlio havia substituído Helênico – pseudônimo do professor Francisco Genaro Cardoso – que foi o primeiro locutor esportivo permanente desse Estado.

Quando Túlio Vargas deixou de atuar na Bedois, Eolo César de Oliveira assumiu, temporariamente, o comando do setor esportivo da emissora. Eolo sugeriu a Pedro Stenghel Guimarães que fizesse um teste de transmissão esportiva, e isso aconteceu no segundo tempo de um jogo Juventus x Palestra. Epaminondas Santos, que era o proprietário da emissora, ouviu o jogo e não gostou da atuação do novo locutor.

Pedro já estava desistindo da ideia de ser narrador de esportes quando foi chamado novamente. Manoel Aranha, então presidente da Federação Paranaense de Futebol, promoveu um amistoso entre São Paulo e América do Rio, ambos com ótimas equipes naquela ocasião. A Bedois já obtivera patrocínio (o Sabão Aristolino) e tinha que transmitir o jogo… mas não tinha narrador.

E aí surgiu a nova chance do Pedro, pois o Eolo pediu que ele fizesse a transmissão. Bem cedo, Stenghel Guimarães foi para o Estádio Durival de Brito. Lá, ele se encontrou mais tarde com Ary Barroso, Gagliano Neto, Geraldo José de Almeida, Aurélio de Campos, Jorge Cury e outros renomados narradores nacionais. As poucas cabines existentes foram cedidas aos locutores do Rio e de São Paulo, num gesto cortês da Federação, e o novo narrador da Bedois teve que trabalhar na pista, de capa e chapéu, pois era um dia chuvoso.

Pedro foi feliz em seu batismo de fogo e, à noite, recebeu um caloroso telefonema de cumprimentos de Epaminondas Santos. No dia seguinte, foi convidado por Eolo César de Oliveira para assumir o cargo de diretor do departamento esportivo da Rádio Clube Paranaense. Corria o ano de 1947.

No início de seu trabalho, Pedro contou com a participação de Almir Luiz Sabbag no noticiário esportivo levado ao ar diariamente, às 19 horas. Esse programa começava com um comentário de Stenghel Guimarães, sob o título “Do Meu Degrau Nnas Gerais”, muito apreciado pelos aficionados do esporte.

Quando transmitia os jogos, Pedro narrava, fazia os comentários no intervalo e lia os comerciais. Depois, Arthur de Souza e Ayrton Goulart passaram a colaborar na leitura dos textos publicitários. Mais tarde, Paulo de Avelar passou a fazer os comentários e logo começou a participar da narração das partidas.

Durante muito tempo a Rádio Clube foi a única a fazer as transmissões dos jogos, pois não havia linhas telefônicas disponíveis para atender às outras emissoras interessadas. No primeiro quinquênio dos anos 1950, a Rádio Marumby, e em seguida a Rádio Guairacá, passaram a transmitir habitualmente as partidas de futebol.

Pedro Stenghel Guimarães conseguiu levar para a Bedois um dos melhores locutores esportivos do Paraná, o já famoso Ribas de Carvalho. A audiência foi aumentando rapidamente.

Eram transmitidos apenas os jogos aos domingos. Quando o patrocinador comprovou a eficiência publicitária das transmissões de futebol da Clube,  quis que fossem narrados, também, os jogos dos dias de semana. Então, a equipe foi aumentada e ingressaram Mário Vendramel, Martins Rebelatto, Bóris Musialowsky, Machado Neto e Osmar de Queiroz. Em seguida, José Domingos assumiu como Plantão Esportivo. A Bedois transmitia os jogos realizados em Curitiba, Paranaguá, Monte Alegre, Castro, Jacarezinho, Cambará e Ponta Grossa.

Stenghel e Paulo de Avelar transmitem Rio Branco X Atlético, no Estádio Nelson Medrado Dias

Dando uma ideia das dificuldades daqueles tempos basta dizer que, em 1950, para transmitir o jogo das seleções de Santa Catarina e Paraná, em Florianópolis, a Rádio Clube teve que levar um transmissor de Ondas Curtas, pois não havia linha telefônica disponível. Naquela época, a Companhia Telefônica só tinha uma linha ligando Curitiba à capital catarinense.

Em agosto de 1960, após tantos anos de dedicado trabalho, Pedro Stenghel Guimarães encerrou suas atividades na Bedois.

Quando, alguns dias depois da sua saída, a Rádio Clube inaugurou as suas novas dependências, após uma reforma realizada em sua sede da Rua Barão do Rio Branco, foi prestada uma justa homenagem a esse dedicado e competente funcionário de tantos anos. Foi inaugurada, com a presença dos diretores da emissora e de grande número de funcionários e convidados, a nova sala do departamento esportivo, dando-se a ela o nome de SALA DE ESPORTES “STENGHEL GUIMARÃES”. Nessa sala foi colocado um quadro com a fotografia de Pedro e uma placa de prata enaltecendo o seu trabalho.

Pedro Stenghel Guimarães, colega e amigo, sempre foi muito estimado pelos demais integrantes da equipe da Bedois, e muito colaborou pelo desenvolvimento da Rádio Clube Paranaense.

Em seu lugar, assumiu a direção do departamento esportivo, Quintiliano Machado Neto, um narrador de renome que já integrava a equipe esportiva da Clube.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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