PRB-2: Recordações de início de carreira

Memória | Capítulo 14 | Rádio Marumby

Foram tantos anos atuando na radiofonia e ocupando tantos cargos que, obviamente, trabalhei ao lado de um número muito grande de radialistas. Falar da minha carreira é lembrar dessas pessoas das quais, felizmente, muitas se tornaram minhas amigas. Trata-se, portanto, de um prazeroso exercício de agradáveis recordações. Comecei a gostar da radiofonia muito cedo, criança ainda, quando ouvi a Rádio Clube Paranaense num rádio de Galena, na casa de meu tio Bépi (João José Chiesorin), no Bacacheri.

Fiquei encantado com aquele aparelho rudimentar com o qual se podia ouvir as emissoras de rádio. Jamais esqueci o quanto fiquei impressionado.

Já rapazote eu comecei a falar em microfones no serviço de alto-falantes nas festas paroquiais da Igreja do Imaculado Coração de Maria, na Praça Ouvidor Pardinho. Ali dividia com meu irmão Clayton e nosso amigo Amaury Stocchero a primazia de anunciar as homenagens que os rapazes faziam às mocinhas, com dedicatórias musicais.

Um dia o Sr. Álvaro Almeida, presidente da Congregação Mariana, associação religiosa à qual eu pertencia, convidou-me para apresentar o programa “Ondas Marianas” na Rádio Marumby.

Certa vez estava na Rádio o Sr. Tobias de Macedo Júnior, um dos proprietários da emissora, que ouviu minha locução e me recomendou ao gerente, Sr. Frederico Plaisant. Logo comecei a atuar como locutor, em fase experimental. Era o final do ano de 1948 e a Rádio Marumby havia completado dois anos de fundação. Só em 1º de Setembro de 1950, no entanto, fui contratado definitivamente.

Nessa época o locutor-chefe era Herrera Filho e atuavam como locutores Nicolau Nader, Waldemar Haquime, Vicente Mickosz e João Lídio Seiler Bettega. Vieram em seguida Regina Célia, Carlos Nogueira, Silvia Loretti, Norberto Castilho, Leo Becker e Souza Miranda.

Para o departamento de esportes vieram Machado Neto, Carlos Alberto Moro e Oliveira Barbosa. Mais tarde atuou na Marumby o eficiente narrador esportivo Dácio Leonél de Quadros. Para operadores a emissora contava com Nélio Ferreira, João Roque Massucci, Amaury Piazzetta e Nério Ferreira. Faltou citar Moyses Itzcovich, um excelente companheiro do departamento comercial, e o grande Osni Bermudes que, quando fui promovido a gerente, em 1955, acertadamente escolhi para cuidar das finanças da emissora.

Mais tarde, atuando na TV Paranaense, Osny Bermudes celebrizou-se criando as “traquitanas”, uma engenhosa maneira de deixar atrativos os intervalos entre os programas, comemorando datas e focalizando temas em evidência através de bonecos e objetos em movimento.

Equipe da Rádio Marumby em 1953: Herrera Filho, Moyses Itzcovich, Ubiratan Lustosa e Osny Bermudes. Machado Neto, Carlos Alberto Moro e Oliveira Barbosa. Regina Célia, Vicente Mickosz, Norberto Castilho e Silvia Loretti. Léo Becker, João Lídio Seiler Bettega, Souza Miranda e Carlos Nogueira. 5ª linha: Nélio Ferreira, João Roque Massuci, Amaury Piazetta e Nério Ferreira. Silvia Loretti, Vicente Mickosz, Ubiratan Lustosa, Herrera Filho, Regina Célia, Seiler Bettega e Norberto Castilho,  locutores da Rádio Marumby em 1951, no 5º aniversário da Emissora.

A Marumby, nessa época, era chamada a “EMISSORA DAS INICIATIVAS” e realmente fazia jus a esse slogan.

A maioria dos locutores da época era composta por estudantes, muitos universitários, obtendo no rádio um reforço para a mesada que recebiam de seus pais. Sendo universitário que não tinha mesada, muito cedo tratei de me profissionalizar.

Comecei a produzir programas.

“Vamos tirar o pó”, “Poesia na Onda”, “De quem é este retrato?”, são alguns deles. Passei, também, a escrever crônicas. Em julho de 1952 fui promovido a redator locutor e logo depois a diretor artístico. Lancei o programa de auditório “Grandes Recitais” que apresentava artistas líricos de Curitiba, integrantes do “GEOPA – Grupo Experimental de Operetas Paranaense” comandado pelo Maestro Wolff Schaia. Participavam, dentre outros, o tenor Felipo Barani e a soprano Isis Rocha. Além desses cantores, e de âmbito internacional, atuavam o tenor Lubo Matchiuk e a soprano Lia Matchiuk. Para esse programa criamos o “Trio Marumby”, composto por Janina Ostrowska (pianista), Donato D’Aló (violoncelista, meu padrinho de batismo) e Reinaldo Siedel (violinista).

Lancei, juntamente com Isis Rocha, o programa de auditório “Ciranda Infantil” do qual nasceu o “Teatrinho Marumby”, posteriormente “Teatro Infantil Paranaense”.

Ubiratan Lustosa. O Rádio do Paraná. Fragmentos de sua história. Curitiba: Instituto Memória, 2009. www.institutomemoria.com.br

Categorias: Tags: , , ,

Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

1 responder
  1. João Carlos Amodio says:

    Comecei a ouvir a Rádio Marumby a partir dos anos de 1952/1953 quando ganhei dos meus pais o meu primeiro rádio, era um de cabeceira, chamado erroneamente de “Rabo quente”,
    marca RCA manufaturado no Brasil, com gabinete de matéria plástica,só de uma faixa AM. Adquirido a prestação nas lojas Bettega filial do Portão. Cujo dono era o Sr. João Baptista Bettega Fontana,mais conhecido como Nino Fontana.
    Mas quando eu tinha 9 para 10 anos ouvia a B2 em um rádio galena com o famoso rabo de gato em que o dito cujo encostava em um cristal e começava a falar. Mas a partir do meu RCA ouvi durante muitos anos pela manhã quando acordava a PRB2,se eu não ligava, mamãe para me acordar o ligava, e lá vinha a voz do Artur de Souza, e as modas de violas,com as duplas famosas da época, naquele tempo era pejorativo falar que gostava de musica raiz, todo mundo ouvia, mas perguntado se ouvia, todos negavam taxativamente.
    Entre os meus guardados possuo uma lata redonda com diâmetro de uns 12 centímetros e altura de 5 cm, onde é armazenado um carretel de baquelite onde é enrolado um fio muito fino de nickel-cromo, precursor das fitas de audio, sendo que na tampa há uma etiqueta, onde foi escrito manualmente RÁDIO MARUMBY, este rolo foi entregue para o meu avô materno, David Bartolomei, Técnico eletricista para o fio ser emendado. Sendo que tal façanha ele não conseguiu fazer.

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *