Primórdio do rádio paranaense – 6

Na década de 30, pela primeira vez no Paraná a Rádio Clube Paranaense transmitiu uma partida de futebol. Foi um “Atlé-Tiba” realizado na velha Baixada, na Rua Buenos Aires. E como deu pano pra manga!
Por Ubiratan Lustosa

Houve discordâncias quanto à data exata dessa primeira transmissão. Baseando-me em informações obtidas em bate-papos com Jacinto Cunha (o primeiro locutor do Paraná), Eolo César de Oliveira e outros veteranos da Rádio Clube Paranaense, eu coloquei em meu site que foi em 1930. Posso ter cometido um engano ao anotar, ou os meus informantes se enganaram ao fornecer a data. Em seu livro “Rádio Clube Paranaense – a pioneira do Paraná”, o professor e acadêmico Valério Hoerner Júnior afirma que foi em dois de setembro de 1934.
A mesma data é defendida por Luiz Witiuk, jornalista, professor e pesquisador, no site “A Minha Rádio”. Eu acato essa afirmação, pois respeito ambos, não só como amigos, mas como pesquisadores. Eu sou apenas um anotador de acontecimentos e contador de causos.  De qualquer forma, foi na década de 30 que se começou a transmitir futebol em Curitiba.
Como naqueles tempos a gente fazia de tudo um pouco, certa ocasião o Eolo César de Oliveira, que era redator e secretário da Rádio Clube, e por algum tempo chefe da equipe esportiva, tentou narrar um jogo de futebol. Na hora, nervoso, conta-se que ele fez mais ou menos assim:
– E vem o jogador do time de lá. Está avançando. E vem com a bola. Entrou na área do time de cá. O jogador vai chutar… vai chutar, chutou… e é gol do time de lá. Segundo consta, essa foi a única vez que o Eolo transmitiu um jogo como narrador. Ele, depois, preferiu fazer comentários.
O primeiro locutor esportivo a se tornar famoso foi o Helênico, pseudônimo de Francisco Cardoso, professor de Português que adorava futebol. Polêmico, ele marcou época e tinha grande audiência nos anos de 1940.
Depois, veio Túlio Vargas que assumiu a chefia de esportes da Rádio Clube Paranaense em abril de 1947. Túlio criou uma série de inovações, tornou permanentes as transmissões de jogos que antes eram esporádicas, tirou a equipe dos estúdios e passou a fazer entrevistas nos mais variados locais, inaugurando uma nova fase na radiofonia do Paraná. Túlio depois tornou-se escritor e chegou a assumir a presidência da Academia Paranaense de Letras.
Depois de Túlio Vargas, o Departamento Esportivo da Bedois foi dirigido por outro baluarte – Pedro Stenghel Guimarães, que começara transmitindo corridas de cavalo com o pioneiro Castellano Neto. (“Do alto das marquises do Hipódromo do Guabirotuba…). Com o passar dos anos, muitos foram os chefes da equipe esportiva, talentosos, batalhadores, excelentes profissionais. Um desses veteranos foi Boris Musialowski que também era radioator e apresentador de programas.
Da turma do esporte eu tenho muitos causos pra contar. Um deles teve a participação do Machado Neto, grande narrador de futebol e chefe de equipe. Ele estava narrando o jogo e de repente houve uma jogada maravilhosa de uma das equipes, e o Machado Neto pediu a opinião do repórter de campo.
– E aí, fulano. O que você achou desse lance.
E o repórter lá de baixo, empolgado respondeu.
– Sensacional! Foi uma jogada com “G” maiúsculo!
Então, ficou aquele silêncio e em seguida o Machado Neto, sarcástico, disse:
– É… Foi uma excelente GOGADA.
 


{moscomment}

Categorias: Tags:

Por Ubiratan Lustosa

Radialista, publicitário e escritor começou sua carreira profissional na Rádio Marumby fazendo locução e apresentação de programas de estúdio e auditório. Na Rádio Clube Paranaense chegou à direção geral. Dedica-se atualmente à agência Santa Lúcia Propaganda da qual é sócio-fundador desde 1968.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *