Primórdios do rádio paranaense 02

Vamos, porém, ao que nos propomos: o Rádio do Paraná em seus primórdios.
Para que possamos aquilatar o idealismo e as dificuldades dos nossos primeiros radiodifusores, é preciso retroceder no tempo, voltando ao primeiro decênio do século passado. Vamos tentar. Eu os convido para uma viagem ao passado.
Por Ubiratan Lustosa

Como esta série resulta do aproveitamento do roteiro da palestra proferida pelo autor, como já mencionado, a redação a seguir contextualiza algumas informações que foram apresentadas em slides.
Nesta parte da exposição o Bira exibe uma série de flagrantes que marcaram o início do desenvolvimento da Curitiba monumental, começando pelo Largo da Ponte que passou a se chamar Largo do Chafariz e hoje é a Praça Zacarias. Depois mostra a rua Monsenhor Celso que foi a 1º de Março, a Marechal Floriano que um dia foi São José e a Praça Rui Barbosa, que já foi Praça da República.
E o que dizer da Ratcliff que se transformou em Westphalen e a Liberdade que virou Barão do Rio Branco e a Emiliano Perneta que já foi Aquidaban?
Ah! E o Bondinho de Burros – o bonde com tração animal – resistindo com bravura aos avanços do progresso que prestava relevante serviço que se prolongou até 1913? Também transitavam pela cidade, calmamente, as carroças de toldos encerados, às vezes puxadas por duas ou três parelhas de animais e carregadas de mercadorias.
E a rua XV de Novembro, entre as ruas Monsenhor Celso e Marechal Floriano Peixoto? Quem poderia imaginar que se tornaria a principal?
Era o tempo do “tostão” e do “mil réis”, tempo em que se tinha tempo para tomar cafezinho, sentados sem pressa às mesinhas onde em meio ao bate-papo se faziam poesias, contavam-se piadas e praticava-se a maledicência. Uma antecipação da “Boca Maldita”.
E o que dizer do Laboratório Central e Pharmacia Paraná produzindo e vendendo o
Peitoral Paranaense, o Vinho Reconstituinte e as Pílulas Purgativas?
Chega o ano de 1924 quando o arroz custava 400 réis o quilo, a Libra Esterlina valia 32 mil réis, o Dólar Americano chegava a 8.600 réis e um receptor de rádio importado, com o qual se ouviam “até estações dos Estados Unidos” (conforme propaganda da época), era vendido por 120 mil réis, preço proibitivo para a grande maioria da população.
A radiofonia era uma apaixonante novidade e o competente radioamador Lívio Gomes Moreira um estudioso do que se chamava a “nova arte”. O seu entusiasmo era contagiante e, juntamente com outros radioamadores, utilizando equipamentos precários por eles montados, já havia tempo faziam as primeiras experiências de transmissão em radiotelefonia.
Eles se dividiam em dois grupos: um ficava com o transmissor numa casa e o outro com o receptor num local diferente, todos eles maravilhados, sem saber qual a emoção maior: a alegria de transmitir aquelas músicas lindas ou o prazer de ouvi-las e exaltar-se com a sua beleza. Essas primeiras experiências, segundo alguns, começaram em 1.909. Antes, talvez. Após uma interrupção sofrida em decorrência da Guerra de 1.914, reiniciaram-se e ganharam corpo as experiências a partir de 1918.
Chegamos agora a uma data marcante para a radiofonia paranaense brasileira: 27 de junho de 1924. Nessa data reuniram-se alguns radioamadores, apaixonados pela radiotelefonia, com o objetivo de fundar um clube de rádio. Essa reunião foi realizada na residência do industrial Francisco Fido Fontana, a “Mansão das Rosas”, na Avenida João Gualberto. Lá estavam, além do anfitrião Livio Gomes Moreira, João Alfredo Silva, Olavo Bório e o Dr. Oscar Joseph de Plácido e Silva. E por procuração lá estavam também representados Ludovico Joubert, Euclides Requião, Bertoldo Hauer, Gabriel Leão da Veiga e Alberico Xavier de Miranda.
Dessa reunião foi lavrada a “ATA DE FUNDAÇÃO DO RÁDIO CLUBE PARANAENSE”.
Ela pode ser encontrada, na íntegra, no site http://www.ulustosa.com
Fido Fontana foi aclamado presidente, Livio Gomes Moreira, diretor técnico e João Alfredo Silva secretário-tesoureiro. Livio Moreira foi incumbido de redigir o projeto estatutário.
E aí começou uma longa caminhada.  O rádio pouco a pouco se tornou moda e em torno de um receptor reuniam-se as famílias e os vizinhos para ouvir os programas.
 


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Por Ubiratan Lustosa

Radialista, publicitário e escritor começou sua carreira profissional na Rádio Marumby fazendo locução e apresentação de programas de estúdio e auditório. Na Rádio Clube Paranaense chegou à direção geral. Dedica-se atualmente à agência Santa Lúcia Propaganda da qual é sócio-fundador desde 1968.
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