Prisioneiros

Vez por outra reportagens têm mostrado pessoas viciadas em aparelhos eletrônicos ou coisas do tipo. A palavra viciado cai melhor quando se fala do vizinho. O vizinho é bêbado, o filho do vizinho é drogado, a filha do colega é gorda, o amigo de trabalho que foi traído é…

Quando se fala de nós ou um dos nossos há um cuidado, “não uma hipocrisia”, e usamos o eufemismo. Alcoolista. Dependente químico. Obesa. Vítima de infidelidade. Ou aqui nem seria o eufemismo, seria a linguagem correta, respeitosa.

Mas voltando aos viciados da tecnologia, dos aparelhos eletrônicos. Não são apenas adolescentes. Não são pessoas com pouca escolaridade. Numa das reportagens que assisti depois de quase 48 horas sem os celulares as pessoas foram surpreendidas pelo instrutor. Ele deu os parabéns por eles estarem a tanto tempo sem seus aparelhos em meio a várias atividades ao ar livre e em seguida abriu uma bolsa e deu os aparelhos para cada pessoa. Uma loucura total. Euforia. Alguns pareciam ter acabado de ganha na loteria. Detalhe, os aparelhos nem estavam funcionando.

Cada pessoa tem seu livre arbítrio. Somos donos e responsáveis pelo nosso tempo. Dizem até que o tempo não passa, que quem passa somos nós. De um jeito ou de outro nosso tempo é algo de muito valor, quase tão importante quanto à vida. Sim, não sabemos quanto tempo temos de vida, ou teremos de vida. O ponto é: Tempo. Bem usado para estar com quem amamos. Para estudar. Refletir e produzir em nós alguém melhor. Lamentável.

Deve ser realmente triste quando alguém que não por motivos de trabalho ou algo realmente importante não consegue ficar algumas horas longe do seu aparelho. Entre amigos que não se olham mais. Em restaurantes em que se trocam as conversas e gentilezas por fotos para serem imediatamente postadas nas redes sociais. Em acidentes de trânsito confirmados pelo motorista estar usando seu aparelho enquanto dirigia. Opa. O assunto pode deixar de ser só do viciado. Se de certa forma o afastar de seus filhos ou colocar em risco a vida de outros é assunto sério. Precisa de tratamento. Caso contrário, passará de prisioneiro do aparelho para prisioneiro de uma consciência que se ainda existir prende por muito tempo. Aproveite que seu telefone também faz ligações e fale com a dona Liberdade.

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