Propague e a “Janela de Varrer”

É exemplar sua efetiva participação comunitária, apoiando e revitalizando as manifestações da cultura popular.

Lélia Pereira Nunes *

Professora Lélia P. Nunes

O escritor Silveira de Souza, um nome de grande significado no cenário literário de Santa Catarina e um dos melhores contistas que conheço, é o autor do delicioso conto “Janela de Varrer”. Narra a história da dona Carlota, moradora da Conselheiro Mafra, e o seu hábito de ficar debruçada à janela a espiar a rua. Na verdade, seu olhar não se detinha nas imagens do seu mundinho pequeno que nada de novo lhe oferecia, pelo contrário, só revelava a mesmice de um viver sem graça coberto de paranhos. Seu olhar abrangia outros horizontes, mais essenciais que só dona Carlota sabia aquilatar e admirar. O próprio autor criou as suas janelas de varrer e foi varrendo e varrendo até se “tornar um perito na técnica de varrer.”

Foi pensando nas janelas de varrer do Silveira de Souza que lembrei-me do papel da agência Propague no desenvolvimento cultural de Florianópolis e de Santa Catarina,nos 50 anos de existência, comemorados neste 14 de fevereiro. Tal qual a dona Carlota, protagonista do “Janela de Varrer”, a Propague desde a sua fundação não saiu da janela, mantendo-a sempre aberta e varrendo para bem longe o que era retrógrado, dando espaço ao novo, ao futuro, à modernidade que chega em Florianóolis, sem hipotecar  os valores da terra ou enterrá-los na cova do esquecimento. Um olhar futurista que alcança o século XXI, ciente da vocação da Ilha-Capital na realização de grandes eventos, como portal aberto para o Mercosul e o destino preferido de  muitos brasileiros.

Seu olhar se perdeu na ousadia, no arrojo de empreender e oferecer produtos e serviços de qualidade num mundo que não para de mudar e a Propague também não. Até se tornou perita na arte de varrer! O branding da diferença profissional.

Desde o seu embrião,em 1962, faz a diferença ressaltando a nossa identidade cultural. Contribui na construção da imagem do Estado e para isso apostou no que é essencial, o talento, a criatividade, o fazer cultural. Lança um olhar visionário sobre a cultura catarinense Aí estão os registros da primeira gravação do Rancho de Amor à Ilha, hino de Florianópolis, do poeta Zininho, o tributo ao compositor Luís Henrique Rosa. Ou ainda, edições literárias como “Esse Mar Catarina”, xilogravuras de artistas plásticos, poster da Ilha, tomada do satélite em 1987, e a coleção de Imagens de Florianópolis desde o século XVII até 1997.

É exemplar a sua efetiva participação comunitária, apoiando e revitalizando as manifestações da cultura popular: o Boi-de-mamão, o Carnaval, a Festa do Divino, as festas das etnias da nossa Santa Catarina multicultural e todas as campanhas que visem a preservação da memória coletiva, o desenvolvimento social e qualidade de vida do nosso povo. Muito mais pode ser dito sobre a Propague “parceira” nestes 50 anos de mundivivências inegáveis e muitas conquistas.

O Carnaval ficou para trás. No entanto, o “bloco Propague”  segue em frente arrasando nos movimentos ousados da sua porta-bandeira em constante evolução, sendo uma das melhores agências de publicidade do Brasil.

Como o nosso Vento Sul, a Propague é um símbolo da Ilha.

Parabéns!

* Lélia Pereira Nunes, Socióloga e escritora | Crônica publicada na edição de 18/02/2013 no ND/Fln com o título A Propague e as conquistas de nossa cultura.

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