Publicações digitais editadas como as impressas ganham espaço e oferecem vantagens aos publishers

Jornais e revistas impressos são produzidos dentro de um processo industrial, mas jornalistas e especialistas concordam que a parte jornalística dessa engrenagem é quase artesanal.

Por muito tempo, esse conceito não foi replicado nos sites de notícias. Nova pesquisa, entretanto, revela que agora quase 50% das pessoas que leem notícias online preferem acessá-las como parte uma edição digital tão trabalhada, charmosa e valiosa quanto as em papel.

Nesse tipo de publicação, pauta, apuração, pesquisa, análise, entrevistas, redação, ilustração, revisão e edição, entre outras tarefas, são realizadas como peças que, juntas, montam uma nova e única edição todos os dias, cujo valor – às vezes, incalculável – é reconhecido e admirado pelos leitores.

O interesse do público por esse tipo de produto editorial está evidenciado na segunda parte do estudo Reinventing Digital Editions, intitulada Reader Insights, da empresa belga Twipe, especializada em publicações digitais.

O levantamento, feito a partir de entrevistas com mais de 4 mil leitores de notícias na Europa e nos Estados Unidos, concluiu que, embora os publishers devam investir para envolver os dois tipos de leitores com suas estratégias de produtos digitais, a parcela da audiência que prefere o envolvimento com publicações que envolvem detalhada edição pode ser mais valiosa.

Isso porque, diz Mary-Katharine Phillips, analista de inovação em mídia da Twipe, o estudo descobriu que os leitores das edições são menos propensos a procurar notícias gratuitas, mais simpáticos ao modelo de paywall, mais leais e, além disso, permanecem nos sites em leituras mais longas.

O L’édition du Soir, do jornal francês Ouest-France, é um dos cases citado pelo estudo. Criado quando o Ouest-France percebeu que os hábitos de leitura do público haviam mudado, com mais leitura à noite, o L’édition du Soir foi o primeiro jornal exclusivamente digital na França e já completou seu quinto aniversário – quando experiências semelhantes não passam de dois a três anos.

A publicação foi pensada para atender a um público composto principalmente por leitores em trânsito, mas em condições de ler, ou que recém chegaram em casa, dispostos a momentos de entretenimento.

O jornal, que circula todas as noites da semana às 18h, oferece mais jogos e quebra-cabeças para ajudar os leitores a relaxar, além de lerem as notícias. Cada edição é uma experiência visual diferenciada, com muitas imagens e vídeos atraentes.

(ANJ, 28/02/2019)

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