Publicitários: verdadeiros comunicadores, registradores da informação

As afirmativas do título são de Pietro Maria Bardi, considerado um dos maiores conhecedores de arte e um dos criadores do MASP – Museu da Arte de São Paulo.

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Pietro se referia aos intelectuais que serviram a propaganda. Escritores, compositores, artistas plásticos, ilustradores “e tantos que também têm gosto predominante pelas coisas do espírito”, como registrou Jorge Medauar no artigo Os intelectuais e a propaganda (História da Propaganda no Brasil, IBRACO, 1990). E completa: “E se publicidade é a arte de exercer uma ação psicológica sobre o público, muita gente que trabalha em propaganda entra nesse jogo, para que a peça publicitária termine nos jornais, revistas, rádio, televisão”, internet etc.

Mas, ao final das contas, é preciso ter em mente que o fato de ser um intelectual, necessariamente não implica ser um bom publicitário. Medauar relembra Origines Lessa ao dizer que o escritor principiava, a integrar-se na publicidade com sua bagagem literária, já levando vantagem sobre os outros “quando se dedica à propaganda , visto que conhece certos segredos de redação”, enquanto que Valdemar Cavalcanti (O Jornal, Rio, 25/05/1060), advertia: “Mas uma coisa é escrever uma crônica ou um conto, e outra, muito outra, escrever um anúncio”.

O artigo de Medauar, em 13 páginas de texto, sita uma centena de intelectuais publicitários, ou publicitários intelectuais que atuaram na propaganda no pequeno grande espaço que vai dos anos 1930 aos cinzentos e pesados anos de 1960.

Porém, Medauar anima o quadro finalizando seu artigo com estas palavras: “Na história da propaganda brasileira, um novo capítulo começa a se esboçar. É aquele que, a partir de agora, fará com que o progresso obrigue a propaganda a conviver com os novos avanços técnicos da eletrônica futura (ou outro nome que vier sa ter), das novas conquistas espaciais, outras explosões populacionais (se houver), novas formas de consumo, e de uma nova filosofia de vida – já preparando o homem para o pós-moderno e oi futuro com todos os benefícios desta atual perestroika, da consciência democrática internacional, da libertação da criatura pelo ensino, pela educação, pelo direito e pela justiça – em todos os sentidos. E, obviamente, pelas novas descobertas e conquistas, ainda adormecidas nos arsenais da ciência e da tecnologia. De tudo isso, para não falir, a propaganda terá que se valer. Principalmente para fazer do homem um ser feliz nessa sua, muitas vezes, alucinada aventura pelo mundo. Seus intelectuais, certamente, serão filhos dessa nova cultura em que a propaganda entrará como um de seus componentes. Serão intelectuais e artistas, como fomos nós, desta cultura em que ainda vivemos, cujas primeiras páginas de sua história publicitária estamos dobrando. Coincidentemente, no final do século”.

O poeta Jorge Medauar, nascido em Água Preta do Mocambo, sede do então distrito de Ilhéus, hoje cidade e município de Uruçuca/BA. Começou como ajudante de redação da Grant Advertising, chegando a gerente. Foi da Multi, diretor de O Globo/SP e professor da Escola de Propaganda. Entrou na literatura com o livro de versos Chuvas sobre tua somente (José Olímpio, 1945). Membro da Academia de Letras de Ilhéus, com Adonias Filho e Jorge Amado. Autor, entre outros, do livro de contos Água Preta e do romance Visgo da Terra. Em 1959 ganhou o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro na categoria “Contos, crônicas, novelas”.

Este artigo faz parte da série Apontamentos para a História da Propaganda em SC

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