Quais os “males” gerados pelo capitalismo?

O principal passatempo de incontáveis intelectuais é desancar o capitalismo, como ocorreu no Fórum Social. Dá prestigio, dá dinheiro e eleva o escriba à categoria de cidadão nobre, esse que chora os “males” do mundo e ganha reverência. Quem fala contra os “males” do capitalismo é tido como gente boa, nem que diga asneira. Baixar o sarrafo no capitalismo é diversão que dá status de celebridade. Quanto mais desancam mais aparecem na mídia (e nem precisam explicar as causas de nossos males), eis que boa parcela da mídia capitalista adora bater no capitalismo para fazer média com a esquerda e desse modo demonstrar que é cheia de boas intenções, de virtudes. 

Entretanto, nem tudo o que os autoproclamados bem intencionados homens da justiça social definem como maldade do capitalismo foi mesmo produzida, criada por ele. A globalização, por exemplo, foi iniciada pelos africanos, antes de receber tal referencial geográfico. Se o povo do leste da África tivesse ficado quietinho talvez não houvesse essa mania de globalização de hoje. Bem, depois os navegadores se meteram nos mares e não pararam mais. Fracasso, nessa área, só o da internacional socialista…

Outra coisa: propriedade privada não é coisa de capitalista, não. Os inventores da propriedade privada foram os pequenos agricultores. Sim, eles mesmos. Foram eles, também, que inventaram essa coisa de “meu” e “teu” que leva à concentração de renda de quem for mais ágil. A tal de iniciativa privada (eu isso, eu aquilo) é deles. Mais? Os primeiros a agredirem o meio ambiente foram os mesmos pequenos produtores rurais. Foram eles ainda que, pelo cultivo repetitivo no mesmo lugar, criaram a necessidade de se adubar a terra e de usar defensivos contra plantas daninhas e pragas.

Agora, pasmem: a prostituição também é algo que remonta à revolução agrícola. Aliás, em alguns países capitalistas tem diminuído, como a Suíça, por exemplo, e em países ditos socialistas aumentou, como na ilha mais famosa do Caribe. Com a invenção da agricultura começou a sobrar tempo para muitas outras atividades (o ócio é o pai de todos os vícios) inclusive para pular a cerca nos dias de chuva ou depois da colheita…

Dinheiro, essa coisa torpe que domina os humanos, veio antes dos capitalistas. Judas vendeu Cristo por trinta moedas e na época nem existia capitalista. Com a moeda logo veio o banco (o nome banco foi concebido pelos romanos e na Idade Média a função de banqueiro se tornou comum). Outra: quem ensinou a poupar, tornar poderoso o poupador foram cidadãos cheios de virtudes e boas intenções: os protestantes. Eles conceberam o trabalho como virtude e acabaram gerando gente com muita grana. O acúmulo de dinheiro, a riqueza, é a paga pelo cultivo da virtude de trabalhar!

A indústria, por exemplo, não é criação de capitalista calculista. Na raiz dessas megaempresas industriais está o artesão. Foram nossos amados artesãos que, de olho grande, inventaram maquinas e mais máquina e foram engolindo os colegas do lado.

O mercado não é criação capitalista, antes dele o mercado fustigava as pessoas, perguntem aos fenícios. O mercado é uma espécie da lei da gravidade das relações socioeconômicas. Enquanto a pessoa precisar comer, chupar picolé, se divertir haverá mercado, brigar com ele é como vociferar contra a lei da gravidade. Estamos diante de um processo complexo gestado ao longo da história e não algo criado por um gênio.

Quando acumularmos inteligência e ética suficiente em nossas ações diárias e tivermos a exata noção de que liberdade é nosso bem mais precioso, faremos esse processo funcionar bem para todos. Qualquer outra invenção intelectualizada dá chabu.

Ivaldino Tasca, jornalista

[email protected]

Categorias: Tags: , , , , ,

Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *