Quando a educação não é prioridade

Günther Staub*

De forma oportuna, a FAMURS realizou uma pesquisa com 496 prefeitos do Rio Grande do Sul, recentemente publicada em Zero Hora, sobre as principais prioridades de seus municípios a serem apresentadas aos então candidatos ao governo do Estado e à Presidência da República. Apenas 337 responderam. Em primeiro lugar, apontaram as estradas (29%), seguidas por agricultura (27%) e saúde (15,5%), ficando a educação em quarto lugar (6,6%), o que representa apenas 23 prefeituras. Isto significa que a educação é uma primeira prioridade para poucos. Será esta uma das muitas causas pelas quais a educação do Rio Grande do Sul está perdendo tantas posições, em comparação com outros estados?
Quando uma região tem alta qualidade em educação, ela eleva a produção de riquezas e assim consegue gerar mais renda, mais empregos, mais impostos, diminuindo as necessidades de investimentos em saúde e segurança.
 
O cargo de prefeito é um dos mais importantes da função pública. Sobre ele recaem todos os problemas de educação municipal, estadual e federal, saúde (ambulatórios e hospitais), ruas e estradas, bueiros, lixo, poluição, esgoto, luz, água, criminalidade, tráfico de drogas, comércio clandestino, êxodo rural, favelas, loteamentos irregulares, transporte coletivo (municipal e intermunicipal), telecomunicações, serviços de táxi, etc. Embora muitas dessas questões sejam obrigações do governo do Estado e do governo Federal, e fujam do controle do prefeito, é sobre ele que recaem as responsabilidades. Para buscar soluções nessas áreas, ele deve se relacionar com as mais diferentes áreas das enormes e complexas estruturas dos Governos Estadual e Federal. Precisa ainda se relacionar com a Câmara de Vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e partidos políticos. Diariamente atende dezenas de pessoas em seu gabinete ou nos locais que frequenta.
 
Exige-se do prefeito que pense e aja micro, pequeno, médio e grande, às vezes, com diferença de minutos ou até segundos. Além disso, ele tem que agir como mestre de obras, engenheiro, financista, advogado e político, e ter alta capacidade de liderança e de relacionamento com os moradores do município. Também tem que pensar e planejar o município para as próximas décadas (plano diretor), promover o empreendedorismo e atrair novos investimentos (emprego e renda).
 
Por tudo isso, valorizo muito a função de prefeito e finalizo fazendo um pedido a todos os 496 prefeitos e a FAMURS: coloquem a educação como a primeira, principal e permanente prioridade em seus municípios. Falo “educação” em todos os níveis, inclusive em educação para o empreendedorismo, ensino profissionalizante, educação de qualidade, que prepare os jovens para o mundo cada vez mais complexo que está aí e para aquele que já está vindo. Com educação ampla e de qualidade, o prefeito terá receita para resolver melhor todos os problemas de estradas, ruas, saúde, etc. Minha proposta é que repensem as prioridades e que reconheçam a importância de situar a educação, no Rio Grande do Sul, como a primeira dessas metas.

* Publicitário e Diretor da Staub Comunicação e Marketing

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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