Quando a propaganda virou negócio

Cenários de um mercado pequeno, mas promissor, serviram de base para o surgimento do negócio da propaganda catarinense.

George Peixoto

Terra fértil povoada por empreendedores dinâmicos, competentes e ousados, Santa Catarina na primeira metade do século passado já se constituía em exemplo nacional por sua estrutura empresarial na indústria e no agronegócio, mas se ressentia de suporte nos serviços de apoio ao seu desenvolvimento, principalmente nas áreas da comunicação de marketing: como propaganda, promoção, eventos, relações públicas entre as mais prementes. Aliás, a palavra marketing mal se ouvia nessa época porque soava mal aos ouvidos de uma geração que nascera, se criara e vivia, em grande parte, os conceitos de um país eminentemente rural.

Concluída a Segunda Guerra Mundial, retomada a paz entre segmentos politicamente divergentes, refeita a Constituição do país e normalizados os fluxos de produção, consumo interno e exportações chegara o momento de se desenvolver atividades complementares à pujança de uma economia que orgulhosamente se via reconhecida como uma das mais industrializadas do Brasil.

Internamente, entretanto, o estado de Santa Catarina se via repartido em seis centros geoeconômicos muito bem estruturados empresarialmente, mas ressentindo-se de políticas de boa vizinhança: o Sul dominava a produção de minérios, o Norte era forte na produção metal-mecânica, o Oeste dominava a indústria da produção de alimentos, o Planalto capitaneava a produção agropecuária e o Litoral desempenhava as funções administrativas, fiscais e políticas quase que restrita aos limites da Ilha de Santa Catarina. Sem indústrias e com um comércio pobre em variedade e caro em relação a interior, a Capital se via sustentada pelo funcionalismo público. Essa realidade era percebida pelos centros produtivos com reservas e até com desdém.

Olhando-se esse período do ponto de vista da indústria da comunicação era flagrante o não reconhecimento pelos empresários das grandes industrias. No que, em grande, eles parte tinham razão, uma vez que até meados dos anos de 1950 o mercado publicitário da Ilha e adjacências era restrito à ação de corretores de anúncios que falavam de ofertas mirabolantes e não de posicionamento estratégico de um filosofia de relacionamento com os consumidores.

Não é de estranhar, portanto, que a primeira agência tenha surgido em Joinville pelas mãos do desenhista técnico Waldir Ribeiro, em 1957. Essa realidade fez surgirem, ainda no interior, algumas House Agency, sendo mais notória a iniciativa do grupo que instalou no Vale do Itajai as rádios Coligadas, primeira rede de emissoras do Estado, a TV Coligadas e Jornal de Santa Catarina. Percebendo a fragilidade do mercado, os empresários Wilson José de Freitas Melro, Flávio Rosa, Caetano Deeke Figueiredo e Flávio de Almeida Coelho fundaram uma loja especializada na venda de televisores e uma agência de propaganda para atender os clientes de seus veículos de comunicação.

Enquanto isso acontecia no interior, o estudante de Direito e radialista paranaense Walter Linhares cria a Wali Publicidade, primeira empresa publicitária de Florianópolis. Era um misto de criação, produção e veiculação em cinema (slides: cartão e áudio), jornal (anúncios de varejo), rádio (spots de 30 segundos) e outdoor (cartazes e placas).

Abaixo, um resumo de algumas das principais agências (empresas) do negócio da propaganda em Santa Catarina

Agências de Propaganda e seus fundadores [ 1956 – 1976 ]

agencia

Este artigo faz parte da série Apontamentos para a História da Propaganda em SC

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