Quando é pelas próprias mãos

Quem de nós já não disse ou ouviu a frase: “A única certeza que temos na vida é a morte”?

Ela vem para todos; ricos e pobres; intelectuais e para quem tem pouca instrução. Seja por doenças, acidentes ou irresponsabilidades, ou seja, coisas que poderiam ser evitadas. Por exemplo: Beber e dirigir, ultrapassagens irresponsáveis, falta de uso de equipamentos de segurança e assim por diante. Mas há um tipo de morte “diferenciada”. Aquela que talvez pudesse ser evitada por meio da sensibilidade e conhecimento do tema; e ainda assim, não nos culpar quando ela acontece com um amigo ou um ente querido – quando a morte vem “pelas próprias mãos”.

O problema é que esse tipo de morte assombra muitas famílias, muitos amigos, que se perguntam: “Como eu não percebi, como não fiz nada para ajudar?”.

A verdade é que não devemos julgar nem nos culpar, tamanha a delicadeza e tabu acerca do tema.

Coisas que aconteceram:

Ele tinha pouco mais de 50 anos. Homem inteligente e amado por todos os que o conheciam. Ajudava a todos o quanto pudesse e ajudou muitos. Certo dia a sua vida foi “ceifada” na estrada; embaixo de um caminhão.

Ela tinha apenas 12 anos, início da adolescência. Foi para a escola. Parecia um dia comum. Chegou a entregar uma carta a uma amiga, mas com um pedido especial; que a carta fosse lida apenas no dia seguinte. Naquela tarde um dos familiares a encontrou com uma corda em seu pescoço na garagem de sua casa.

Ele tinha 52 anos. Ótimo médico e cirurgião. Atendia aos seus pacientes de maneira especial; com carinho e humanidade. Certo dia foi ao hospital onde trabalhava e pegou muitos remédios; não havia porquê alguém questionar. Horas depois ele é encontrado em seu apartamento já sem vida.

Os três casos citados acima infelizmente são reais. Claro que a imprensa não os divulga. Há uma séria preocupação por parte dos profissionais da imprensa, psicólogos e psiquiatras de que tal divulgação possa levar outras pessoas ao suicídio. Esse tipo de matéria fica mais restrita ao – Setembro Amarelo; mês de campanha especial sobre o delicado tema de quem usa “as próprias mãos” para tirar a própria vida; o suicídio.

O Brasil é o 8° país no mundo onde mais ocorre o suicídio. Na média mundial é – uma pessoa a cada 40 segundos. Número que eleva a mais de 800 mil pessoas por ano que tiram a própria vida.

Famílias que além de sofrerem com a dor da morte, nesse caso, podem passar por mais duas dores. A primeira: Os questionamentos. Como não percebemos? Por que não fizemos nada? E se tivéssemos notado ele ou ela ainda estaria aqui? Por que não pediu ajuda? Sou culpado?
A segunda: Pessoas que têm um hábito sem base alguma, mas ainda assim comentam: “Quem tira a própria vida ou se mata não tem o perdão de Deus. É pecado imperdoável”.

No primeiro caso os especialistas no assunto, psiquiatras e psicólogos, alertam para possíveis sinais de que pessoas com depressão ou problemas similares costumam dar, ou falando em se matar ou por outros incomuns comportamentos. Mas se culpar não será a solução depois de ocorrer um suicídio. Segundo especialistas, em muitos casos além de ser difícil detectar os “sinais” ainda há uma decisão repentina do suicida. Ele costuma ou pode ser – transitório. Isso quer dizer que se pessoas próximas realmente percebessem poderiam dar o devido acolhimento. Mas ninguém deve se sentir culpado por esse mesmo motivo; ele, o suicídio, por ser transitório, pode ocorrer num momento em que não há como evitá-lo.

No segundo caso há certos conceitos religiosos que vem de séculos passados. Para uma família que já está sofrendo com a perda de um ente querido, mais a agravante de ter sido suicídio e ainda ouvir dizer que num campo espiritual, ou de Deus, quem comete suicídio não terá mais chance e nem o perdão de Deus, é de enorme crueldade e desconhecimento de coisas espirituais. Por exemplo: Quantos religiosos vão a presídios e falam a réus confessos que mataram, sequestraram e estupraram que se eles se arrependerem terão o perdão de Deus?

Fica nesse caso uma intrigante pergunta: Se Deus perdoa criminosos que tiraram de livre e espontânea vontade a vida de outros, por que não perdoaria quem tirou a própria vida? Ora, quem tira a vida por estar feliz? Quem se mata porque o filho se formou na faculdade? Quem comete suicídio porque conseguiu se aposentar? Quem tira a própria vida porque ganhou na mega sena? Ninguém se mata por estar feliz ou em paz.

O CVV (Centro de Valor a Vida) presta uma importante ajuda a pessoas que em desespero só querem alguém para conversar, para desabafar; o que pode resultar em evitar o suicídio.

Muitos países ainda precisam progredir no campo de programas para identificar e proteger pessoas propensas ao suicídio e auxiliar as famílias sobre como lidar com essa possibilidade. É um problema de saúde pública.

No México, por exemplo, no estado de Tabasco, devido ao grande número de suicídios, as Testemunhas de Jeová organizaram em 2017 um trabalho especial que deu grande ajuda a muitas pessoas. A matéria pode ser conferida clicando AQUI e auxiliar em todos os lugares.

Importante equilíbrio

Não ficarmos apavorados quando um amigo ou familiar falar em suicídio, mas nunca, nunca ignorar o assunto. É essencial a ajuda profissional; geralmente de psiquiatras e psicólogos.

Por alguns instantes o assunto pode ficar em nossas mãos, mas depois ficará literalmente – às mãos daquele que pode dar fim a própria vida.

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