Quando eu era desse mundo

Juca levava a vida do jeito que bem gostava. Uma vida de exageros, de festanças, boemias, e jamais levava um namoro a sério. Até os amigos de bagunça o chamavam de mundano. Juca era o cara do mundo. Não dava atenção a mais nada. Mas havia um detalhe que os amigos bem sabiam a seu respeito. Juca era medroso. Principalmente medo dos mortos. Tentava disfarçar, mas a turma acabava descobrindo. Quando estava num velório, por exemplo, só ia ao banheiro quando tinha companhia, sozinho nem pensar.

Aconteceu algo incrível. Um dia Juca se tornou um homem religioso. Mudou seu estilo de vida. Só andava de gravata e paletó. Os amigos estranharam sua mudança. Achavam que ele havia exagerado.

Uma noite ele estava num velório no cemitério do Itacorubi. Resolveu pegar um ar e saiu a caminhar pelas redondezas do cemitério. Depois de sua conversão religiosa perdera completamente o medo dos mortos.

Acontece que vinha da casa da namora um rapaz de uns 25 anos de idade. Um rapaz que era tão ou mais medroso que o Juca era antes. O tal rapaz tinha que passar pela rua onde ocorriam alguns velórios. Ele não conseguia. Ficava paralisado. Procurava uma maneira de passar sem olhar para os lados. Às vezes procurava outro caminho. Bom era quando havia pessoas caminhando por ali. Naquela noite não aparecia ninguém. De repente ele viu um homem andando por ali. Era o Juca.

O rapaz pensou em acelerar o passo e chegar perto do homem de paletó e gravata. Era um plano simples. Começaria a andar ao lado do homem e talvez até conversar com ele, só para disfarçar o medo. O rapaz foi. Chegou ao lado do Juca que mal o notou. O rapaz tremia de medo e foi caminhando ao lado de Juca, como que aproveitando uma carona a pé. De repente resolveu quebrar o silêncio. O rapaz perguntou ao desconhecido:

– O senhor não tem medo de andar num cemitério a noite? Não tem medo dos mortos?

Juca, sem olhar para o rapaz, respondeu serenamente:

– Quando eu pertencia a esse mundo eu tinha. Hoje não tenho mais.

Juca não entendeu, mas o rapaz saiu em disparada.

1 responder
  1. eno josé tavares says:

    COM A ROUPA DA CABRA CARNAVAL ACABA NO”BLOCO DAS LOUCAS”

    uma expressão, que já foi muito popular e atualmente quase não é usada:VESTIDO COM A ROUPA DA CABRA…Nos tempos da ingenuidade da população mais humilde,aquela que não tem recursos, para participar de uma Escola de Samba ,ou, de um Bloco de Sujos socialmente aceitos…Então “esses avulsos,solitáriamente,após um “esquenta de marafa”e outros quetais,saem vida afora a exrcer seus quatro dias de folia anônima…E entre um amanhecer e outro,em bancos de jardim ou hospedados nos xadrezes da borrachada,alguns em velhos carnavais era pegados à unha,despidos e quase mortos de pancadas,despidos completamente e recebendo um couro de cabrito recé abatido…Devidamente costurados com agulhões de tecer rede de pesca,eram soltos sorrateiramente no meio da multidão desapercebida e focada no desfile monumental…Quando detectados,pela catinga de couro pobre e cachaça afermentada,recebiam um cascudos,sob vais,…”Óió…Óió…O Xuvisco fantasiad0 com a roupa da cabra…Cassetete no lombo,jogado brutalmente na viatura e pelado como veio ao mundo,jogado em uma cela onde travestís mal compreendidos à época,eram presos por praticar atos imorais e atentatórios ao bons costume da família brasileira…Evoé…Evoé…Já não se fazem mais cabras como antigamente…Só Gaiolas das Loucas…

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