Quando o rádio era ao vivo

As emissora de rádio realizavam verdadeiros milagres financeiros para manter sua diversificada programação ao vivo. Para isso precisavam manter um elenco numeroso e caro de cantores profissionais, humoristas, radioatores, locutores, produtores, roteiristas de novelas. No elenco de cantores e cantoras nomes como Irene Macedo, Universo Rodrigues, excelente cantor de tangos, Irene Aguiar, Medeiros Filho,um catarinense de Florianópolis, que adotou Curitiba e se revelou um seresteiro inspirado e grande atração nos programas de auditório. Luiz Silva, Léo Vaz, Gilberto Marques, Bolivar Saboia, Chico de Lima, Irmãs Passos, Claudete Rufino  foram cantores de grande destaque na emissoras da capital paranaense.

Muitos cantores profissionais que atuavam no rádio passaram por programas de calouros, muito populares e procurados por artistas anônimos em busca do estrelato. Programas como “Calouros Bedois”, um dos mais antigos do rádio, apresentado todas as quartas-feiras, em sua primeira fase por Arthur de Souza e mais tarde por Mario Vendramel. “Festival na Antena” de Ubiratan Lustosa, “Programa Mauro de Alencar”, formam os primeiros degraus na escada da fama para novos talentos que disputavam seus espaços na programação radiofônica.

A música sempre foi a matéria-prima mais importantes na programação. Os programas de auditório se constituíam na grande atração para o público. O ouvinte tinha a oportunidade de conhecer de perto valores da música local e vibrar com os grandes e famosos cantores do rádio brasileiro que tinham presença constante nesses programas. Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Carlos Galhardo, Francisco Carlos, Ivon Cury, Emilinha Borba, Marlene, Ângela Maria, Nora Ney, Caubi Peixoto, Nuno Roland figuravam entre os artistas que tinham lugar especial no auditório da Bedois.

As apresentações ganhavam uma roupagem de alto nível com a presença de boa orquestras e conjuntos regionais, também contratados pela emissora, para acompanhar os astros nacionais. O pianista Athaide Zeik, a orquestra do maestro Antonello, o conjunto regional de Janguito do Rosário, tinham a responsabilidade de fazer os acompanhamentos dos cantores que alegravam o público e recebiam tratamento de astros. Entre o público e os grandes astros da música, estava sempre a figura importante e fundamental do Locutor, esse profissional notável e responsável pelo clima favorável que era preciso criar junto aos ouvintes, no momento de anunciar uma atração.

O radialista foi sempre, acima de tudo, um artista versátil, talentoso, exímio improvisador e pronto para atuar em qualquer setor. O locutor que lia um texto comercial com apuro, correção e boa interpretação era o mesmo que poderia estar apresentando o noticiário na hora seguinte, animando um auditório ou desempenhando o papel de radioator numa novela.

A maioria dos profissionais de rádio na época era constituída de generalistas na atividade. Um bom exemplo para ilustrar essa observação foi Mário Vendramel. Atuava simultaneamente como animador de auditório, radioator e narrador de futebol. Em muitas ocasiões esse mesmo locutor era chamado para substituir o colega que apresentava ás 18 horas o programa religioso “Hora da Ave Maria “ ou Hora do Angelus”, uma sequência de orações e leitura de textos bíblicos. O mesmo locutor, animado e brincalhão que mantinha um auditório em permanente agitação, era competente para narrar futebol provocando grandes emoções nos torcedores ou desempenhar o papel de um “avô calmo e sereno” na novela, ou até rezar a “Ave Maria”.

A versatilidade dos radialistas que atuavam, de um modo geral, foi responsável pelo excelente nível de programação apresentada nos chamados “Anos Dourados do Rádio”. Do livro Sintonia Fina.

Antunes Severo no auditório da PRB-2 Rádio Clube Paranaense, quando foi eleito o Melhor Animador do Paraná, em 1956

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