Quem é Agilmar Machado (Seqüência da Parte 2)

Em 1954, a Rádio Difusora de Laguna estava sendo transferida de Nelson Almeida, seu proprietário então exclusivo, para um grupo ligado a um partido político da época. Meu mano Ariovaldo já integrava a equipe.

A emissora possuía mais de 50% da audiência no sul catarinense, contra todas as demais juntas. Somente profissionais reconhecidamente competentes e absolutamente completos como tal, tinham chance de integrar seus quadros.

Padre Agenor me encaminhara e me amadurecera profissionalmente, ao ponto de, ainda no início de carreira, publicar, como artigo de fundo da então prestigiosa revista brasileira “Chácaras e Quintais”, um trabalho meu sobre os vinhedos de Urussanga.

Foi infalível o convite do Ariovaldo para que eu me transferisse imediatamente para Laguna, onde não somente me era aguardada a tarefa radiojornalística, como também a subdireção da emissora, já que ele e o Nelson viajavam muito buscando regularizar a transferência do prefixo da emissora para os novos donos. Em razão disso assumi por muitas vezes e longos períodos a direção geral.

Terminado o ano de 1954, Nelson já havia adquirido a Rádio Araranguá – ZYT-3 – e Ariovaldo recebera uma nomeação federal para o Serviço Nacional do Trigo, transferindo-se para Criciúma, onde faria carreira política.

Desde então e até 1959, não só permaneci, mas aprendi a amar Laguna muito mais que qualquer outra cidade brasileira por onde passara. E essa amor perdura até hoje e cada vez mais caloroso.

No final de 59, no entanto, a Diocese de Tubarão adquiriu os demais 50% das cotas da Rádio Tuba (ficando, como até hoje, proprietária absoluta), o saudoso Ézio Lima, velho e querido colega desde os primeiros tempos da Rádio Eldorado de Criciúma (em 1949), manteve um contato telefônico comigo, sondando a possibilidade de um deslocamento meu até Tubarão, para “conversarmos”.

Meu contrato, em vias de ser renovado em Laguna, foi interrompido. Em Tubarão a proposta não deixava dúvidas: “qual foi o seu maior rendimento até hoje na Difusora de Laguna?”, ao que retruquei; “não tenho precisão, pois tenho um contrato de arrendamento, o que torna meus rendimentos bastante variáveis. Chutei uma importância alta, como parâmetro. Veio a resposta incontestável de uma organização, agora exemplarmente dirigida, para um profissional do ramo: “dobramos seu maior rendimento e você vem para o nosso departamento jornalístico imediatamente”.

Tubarão despontava para um futuro econômico promissor, não somente de seu comércio estabelecido, como a presença de dezenas de investidores e industriais.

Os loteamentos atingiam importância fundamental para a economia e homens de negócios do interior (até Braço do Norte era ainda distrito de Tubarão) investiam pesado em empreendimentos de futuro: transformação de produtos primários, concessionárias de automóveis, empresas especializadas em produtos automotivos, além da economia da então CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) de Capivari, depois Sotelca e, finalmente, Eletrosul.

Padre Osny e Padre Raimundo comandavam, em seus respectivos setores, a emissora, com a gerência interna de Ézio Lima, sob a supervisão do próprio Bispo da Diocese, Dom Anselmo Pietrulla (um apaixonado por tudo o que dizia respeito ao desenvolvimento agrícola e pela agroindústria).

Encontramos ainda resquícios de um sistema bastante rudimentar de “fazer rádio”: alguns programas de trovadores sertanejos pela manhã e à noite, coberturas esportivas exclusivas dos então “Ferroviário” e “Hercílio Luz”, um jornal falado onde o “astro” principal era a legendária “Gilette Press”… E pouco mais que isso…

Passada a primeira semana de trabalho árduo de reformulação da programação buscando fazê-la eminentemente voltada ao jornalismo regional e local, Ézio me faz uma oportuna pergunta: “Como está o César (meu mano, que também fora da primeira equipe da Eldorado do final dos anos 40 em diante) lá em Araranguá? Poderias sondar com ele a possibilidade de sua transferência para Tubarão?”

Naquela oportunidade César era cartorário (de órfãos e ausentes) da Comarca, mas estava incompatibilizado com poderosas forças políticas locais. Fui a Araranguá e, de pronto, “faiscou” nos olhos do velho e saudoso mano a decisão de sair – imediatamente – de Araranguá, rumo a Tubarão.

Em menos de quinze dias tínhamos mais um precioso e correto profissional que, com Osvaldo Della Giustina, completaria o “time” de cabeça da velha Rádio Tubá – ZYO-9!

Com os amigos que já tínhamos na cidade, ligados aos profissionais dos meios radiofônicos, César foi recebido festivamente, o que culminou com uma comemoração que se estendeu pela noite, fazendo-nos aturar uma intragável ressaca no dia posterior…

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Por Agilmar Machado

Iniciou suas atividades profissionais no rádio em 1950, tornando-se jornalista em 1969. Atuou nas principais emissoras do Sul de SC como redator, produtor e apresentador de programas jornalísticos. Historiador, é co-autor História da Comunicação no Sul de SC. É membro fundador da Academia de Letras de Criciúma/SC.
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2 respostas
  1. Soratto, carlos augusto says:

    Gostaria de saber aonde anda o Agilmar Machado, pois queria falar com ele AMIGAVELMENTE ). Um abraço pelas cronicas.

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