QUEM ME DERA A FLORIPA DOS ANOS 1950!

Floripa desde muito tempo foi a Ilha dos casos e ocasos raros. Não sei de quem é esse afresco, mas por certo tem muito de comum para um ilhéu como eu, desterrado aqui em São Paulo há mais de 30 anos.
Por Fernando Silva

Na minha tenra juventude pude participar de um movimento cultural e artístico comandado pela disputa, palmo a palmo, entre duas emissoras de rádio – Radio Guarujá de Florianópolis e a Radio Diário da Manhã.
Ambas dividiam a preferência dos ouvintes catarinenses e comandavam uma disputadíssima peleja política. A Guarujá com seu PSD e Diário da Manhã com a sua UDN.
Políticos a parte, o fato é que ambas investiam pesadamente em seu corpo de redatores e locutores para melhor informar e “convencer” seus “Caros Ouvintes” que seus candidatos eram os mais importantes e que mereceriam o seu voto.
Desde os jornais das 12h50, onde Guarujá e Diário disputavam a audiência de Heron Domingues do Repórter Esso da Rádio Nacional, até os programas de caráter puramente político como “A Marcha dos Acontecimentos” com a dupla dos irmãos Zigelli faziam a cabeça dos seu ouvintes/eleitores e por certo foram responsáveis pela eleição de governadores e outros não menos importantes.
Comandavam, desde os espetaculares comícios até as passeatas de desacato e provocação. Grandes discursos, de um lado os udenistas Padre Godinho, Jorge Lacerda, Antonio Carlos Konder Reis e de outro Doutel de Andrade, Nereu Ramos. Disputadíssimos.
Quem não se lembra de Doutel “Olhai os bigodes viris de Ivo Silveira e o corpo atlético de Francisco Dal’Ligna”. Mas, não fica por aí. E do Padre Godinho viria “Porque para se fazer um bom governo são necessárias somente duas simples e apagadas virtudes – capacidade e honestidade”.
 
Foi o final dos anos 50. O rádio desempenhou um importante papel na formação sócio-politico-cultural de uma comunidade que hoje se evidencia pelo caráter cosmopolita.
 
Voltaremos com outros assuntos e mais duas emissoras: a Radio Anita Garibaldi e a Radio Jornal A Verdade.


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