Quem são os piratas do dial?

Temos uma situação no mínimo curiosa quando avaliamos o mercado de rádio no Brasil e percebemos que a participação das emissoras piratas, ou seja, não legalizadas vem crescendo a cada dia. Por Alvaro Bufarah

Não é para menos. Uma rápida visita a uma loja de equipamentos ou em uma busca pela internet encontramos uma variedade enorme de equipamentos, serviços e possibilidades para colocarmos uma emissora de rádio no ar com baixo custo. Isso se tornou um negócio tão rentável que algumas empresas já anunciam que têm equipamentos para emissoras em folhetos, páginas na web e atendem os clientes com o maior carisma informando como burlar as autoridades.

É preciso destacar que rádio pirata não é o mesmo que rádio comunitária. A segunda é resultado de um esforço gigantesco de representantes da sociedade civil em dar voz às pessoas de comunidades muitas vezes esquecidas pelos veículos de comunicação da grande imprensa. Ou seja, o foco é a comunidade e não fazer dinheiro. Infelizmente, muitas das emissoras que realmente prestam serviços às suas comunidades estão em situação de ilegalidade por falta de sensibilidade das autoridades brasileiras e pelo tradicional lobby feito em Brasília.

A pirata é aquela aberta de forma ilegal com intenções já premeditadas de servir de braço político, de arrecadar fundos para alguma religião ou mau caráter qualquer, ou ainda, supostamente servir de voz da oposição. No final desse túnel temos uma gama enorme de políticos corruptos, religiões sem escrúpulos, narcotraficantes, entidades ditas “pilantrópicas”, etc.

Na base desse problema está a inoperância do poder público brasileiro que não criou uma legislação para regulamentar o setor no momento adequado. O motivo mais simples e franco é que boa parte dos congressistas tem suas próprias emissoras de rádio e TV e não gostariam de perder o controle sobre seus currais eleitorais. A situação é tão surreal que até a classe política já tem suas próprias emissoras piratas.

Outro fator, polêmico e contraditório está na lei que tenta definir uma rádio comunitária, mas impede que a emissora consiga arrecadar fundos com a venda de publicidade direta, sendo possível apenas o uso do apoio cultural. Ou seja, a lei foi feita de forma a não dar possibilidade de crescimento nem de aprimoramento às comunitárias. Mas em anos eleitorais, como 2010, há indicativas que demonstram que chegamos a ter mais de 60 mil emissoras piratas no ar.

Aproveito para lembrar um questionamento feito pelo jornalista Sérgio Gomes da Oboré, que fala sobre outras emissoras piratas, só que legalizadas. São aquelas emissoras que têm autorização para operarem em um município e estão em outro. Na capital paulista, se formos realmente fazer uma “operação pente fino” teremos de retirar do ar boa parte das emissoras, pois várias são de cidades da grande São Paulo, mas têm seus estúdios transmitindo na capital. Várias estão transmitindo acima do limite tolerável pela legislação.
No final das contas, quem perde é o mercado que fica desacreditado, as entidades que perdem a credibilidade por omissão e a população que ainda continua não sendo atendida em suas necessidades.

Nessa bagunça vale perguntar: afinal quem são os piratas do dial brasileiro?

Dica de livro
Como estamos falando de rádios comunitárias e piratas cabe indicar um bom livro muito útil para os radialistas novatos. Manual urgente para radialistas apaixonados de José Ignácio Lopes Vigil é uma obra diferenciada onde o autor agregou uma série de informações e dicas a partir de um encontro de associações de rádios comunitárias no Equador. Vigil passa pela história dos meios de comunicação e traz para a realidade diária o rádio como um veículo acessível e de grande valia para a população mais carente. O livro foi traduzido e editado no Brasil pela Paulinas

Prof. Alvaro Bufarah, jornalista, especialista em política internacional, mestre e pesquisador sobre rádio. Coordenador da Pós-Graduação em Produção e Gestão Executiva em Rádio e Áudio Digital da FAAP.

Fonte: Rádio Agência
Colaborou: Vera Lúcia Correia d Silva

1 responder
  1. Jair Pereira says:

    Contesto essas Informações,
    em muitos casos, uma radio clandestina faz o trabalho das radios comunitárias legalizadas,elas não vendem horários, elas não veiculam comercial (apoio Cultural) e tem sua programação direta com a comunidade. ao contrario das Radios comunitarias legalizadas que normalmente são pertecentes a igrejas , a politicos e a Clubes. ao meu ver todas estão ilegais, pois as Radios Legalizadas usam da janela do Apoio Cultural pra angariar fundos monetário. essas radio não são pertecente a associações sem fins lucrativos ? então não devem fazer divulgações comercias. sem falar nas Radios inclusive comercias que estão licenciadas pra atuar em uma cidade e estão em outras, que inclusive também está sendo praticado por inumeras comunitarias legalizadas, e agora ? existe mesmo radio LEGAL !

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