QUEM SE LEMBRA DA RÁDIO FOFINHA?

Em 1984, estava no segundo ano do Curso de Jornalismo da UFSC. Nesta época, eu, apelidado de Ricardão, juntamente com Manoel Mendes (Manecão) e Carlos Eduardo Lino (Cacau), criamos a Rádio Fofinha, uma emissora imaginária. A estação foi criada dentro da Disciplina de Estética e Comunicação, ministrada pelo professor José Gatti.
Por Ricardo Medeiros

Um dia Gatti nos disse:
– Como evento de final da minha disciplina, eu quero que vocês criem performances. – Lá foram os três mosqueteiros em busca de concretizar algo para o dito evento. Como gostávamos de rádio, resolvemos então partir para esta brecha.


18 horas em Brasília. O momento é de reflexão com A Hora da Ave Maria.
Manecão (E) encarna o Frei Cisconetto, enquanto Ricardão e Cacau tentam
cantar a música do Ângelus.

Na prática, a Rádio Fofinha era uma mistura de tudo: rádio AM e FM e teatro. Tudo feito no palco, defronte a um determinado público.
Criamos vários quadros: A Hora da Ave Maria, novela, propaganda, programa musical e programa de variedades, entre outras atrações. Em todos os quadros estávamos fantasiados, de acordo com o personagem a ser representado. Ah, tínhamos  uma vinheta de abertura:


Maria (Cacau) está grávida do Espírito Santo.

-ZYJ 2424, Rádio Fofinha transmitindo em AFM Estérico. Rádio Fofinha, a única que transmite em cores. Falou Fofinha, você não saiu da linha.
Às 18 horas entrava no ar a “Hora da Ave Maria”, comandada pelo Frei Cisconetto, encarnado novamente pelo Manecão. Quem fazia o coro, desafinado, da Hora da Ave Maria, era eu e o Cacau.


De sunga e paletó do pai dele, Ricardão interpreta a propaganda do Priulito Aikibon.

No espaço de novela criamos “Je Vous Salue Mariquê”, uma alusão ao filme “Je Vous Salue Marie”. Na nossa história José ficou longe de casa muito tempo. No seu retorno, ele encontra Maria grávida (Cacau). Indagada sobre o que havia acontecido em sua ausência, ela diz que ficara grávida do Espírito Santo. Por sua vez, José diz que tinha algo também a revelar para Maria. Ele confessou que em sua viagem pela América do Sul havia conhecido um boliviano por quem se apaixonou:


Pamella (Ricardão) olha as unhas e conversa ao telefone com Beto Balanço (Manecão). 
Ah, eles não bebiam nada alcoólico no ar. O litro do “Velho Barreiro” fazia parte
de uma propaganda. O Manecão fazia com a boca o trote e depois o relinchar de um cavalo.
Na seqüência, no rastro do jingle de Beto Carreiro, todos nós entoávamos a frase: Velho
Barreiro. Por fim o Manecão emendava: não fique de quatro pra ele.

-Eu não me chamo mais José. Agora eu me chamo Josete – dizia o personagem feito por mim, Ricardão.
Entre as propagandas havia aquela:
-Para o pirulito do papai, papel Tico-Tico e para as coisinhas da mamãe Óleo Johnson.


Ricardão encarna Nega Nádia, apresentadora de programa de variedades.
Na Festa de calouros do Curso de Jornalismo da UFSC, em março de 1986, ela iria
entrevistar Margrelo (Cacau). Ao fundo o Manecão.

Não esqueço também de uma outra:
-Pirulito Aikibon, aquele que você chupa, chupa, chupa, chupa…! Aikibon!
Um pool de funerárias era igualmente patrocinador da Rádio Fofinha:
-Funerárias Vai com Deus, Final Feliz e Dá um Tempo que Já Vou Indo.
No programa musical “Beto Balanço”, o locutor era feito pelo Manecão. As ouvintes ligavam regularmente para o programa pedindo uma canção. Uma das fãs do Beto Balanço era a emprega doméstica Pamella (Ricardão), que esperava a patroa sair para ligar para o programa. Ela adorava participar da atração “Não diga Não”. Quem ligasse para o musical, concorria a vários prêmios. Estava sujeito a ganhar uma roda de carroça, uma gaiola de passarinho sem o passarinho dentro, um sabonete usado, um pacote de bombril ou uma caixa de fósforo.


Reencontro da Rádio Fofinha no casamento do Manecão (de óculos) em 1989.
Lá estavam na cidade de Criciúma Cacau (de branco) e Ricardão.

Havia ainda um programa de variedades chamado de “Nega Nádia”, uma referência ao programa da jornalista Leda Nagle, que nos anos 1980 capitaneava um quadro de entrevistas no Jornal Hoje da Rede Globo de Televisão. Eu era a Nega Nádia, que, de forma retumbante, entrava no palco dançando ao som de “Nega do cabelo duro que não goste de pentear….pega ela aí, pega ela aí…”. Em certa ocasião, a apresentadora conversou com um cantor intitulado de Margrelo, encarnado pelo Cacau. No final do bate-papo Margrelo deu uma palhinha para o público cantando ao violão o “Hino Nacional”. Êta patriotismo.
Fizemos diversas apresentações pelo campus da Universidade Federal de Santa Catarina e fora dela também. Fomos capas de jornais e tema de programa de televisão. Em 1985, participamos na TV da campanha política do então candidato à Prefeitura de Florianópolis, Edson Andrino. Foi uma reformulação em termos de propaganda eleitoral. O ôme ganhou.
A rádio ficou no ar “regularmente” até 1986. Voltamos a nos apresentar excepcionalmente em 1989, quando se casou um dos fofos, Manecão. A Fofinha se apresentou em plena festa dos noivos. Saudades da nossa emissora.


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Por Ricardo Medeiros

Doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans, França). Radialista, jornalista, escritor e professor de rádio do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina e assessor de imprensa da Prefeitura de Florianópolis. É um dos fundadores do Instituto Caros Ouvintes.
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