Radialista Manoel Martins está no ar há mais de cinqüenta anos

Antes“Manoel Martins: há cinco décadas no ar em Santa Catarina é o tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em jornalismo da acadêmica Josiane Manoel, do Centro Universitário Estácio de Sá. O projeto conta, por meio de um blog, a trajetória de vida e profissional do radialista Manoel de Oliveira Martins. Aos 82 anos, Maneca, como é mais conhecido, desde 1957 trabalha como apresentador de diversos programas na Rádio Difusora de Imbituba, atual Bandeirantes AM 1010.

A defesa do TCC foi realizada nesta (01) terça-feira, no Centro Universitário Estácio de Sá, em São José, tendo como resultado nota máxima. A banca foi composta pelo professor Billy Culleton (esquerda) e Antunes Severo (direita). Ouça como foi a apresentação:

Banca

Sob orientação do professor Ricardo Medeiros (Centro), o blog leva ao público registros históricos por meio de vídeos, fotos, e reportagens da contribuição do radialista para o desenvolvimento político e social de Imbituba, município do Sul do Estado, e região, além de notícias factuais do “Manhã Bandeirantes”, programa que Manoel Martins apresenta atualmente.

Sobre Manoel Martins

Nascido em Pescaria Brava, no município de Laguna, em 11 de maio de 1932, Manoel de Oliveira Martins começou sua carreira com 24 anos, na Rádio difusora da cidade.

Nesses 56 anos, Manoel Martins atuou em várias áreas do jornalismo. Ele considera um dos momentos mais significativos de sua trajetória a transmissão radiofônica ao vivo da declaração de emancipação do município de Imbituba, feita diretamente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina – ALESC.

Josiane e Manoel Martins

Atualmente, o radialista exerce a função de apresentador do Programa Manhã Bandeirantes, na Rádio Bandeirantes AM 1010, que vai ao ar das 9h30 às 11h30, de segunda a sábado. O programa é focado em notícias regionais, avisos comunitários e paroquiais, entrevistas e participação direta do ouvinte. Além disso, é colunista do jornal “Nosso Povo” e revista “Foco Livre”.

Confira o blog: www.manoelmartins.blog.br

Manoel de Oliveira Martins, o comunicador

Manoel de Oliveira Martins, filho de Ascendino de Oliveira Martins (trabalhador da Companhia Próspera e músico fundador da Banda Musical Cruzeiro do Sul), nasceu em Laguna em 11 de maio de 1932 e quando tinha cinco anos de idade foi morar em Criciúma. Em 2007 comemora 51 anos de rádio em plena atividade.

Por Cesar Luiz Pasold

Em Criciúma, em 1948, o agora jovem coroinha Manoel acompanhava, num táxi, o Vigário da Paróquia da cidade, Padre Pedro Baldoncini em direção ao Bairro Próspera onde se realizaria a procissão da festa de Nossa Senhora da Salete. O motorista do táxi tinha um potente rádio em seu carro, que estava ligado na retransmissão do jogo entre Botafogo e Vasco da Gama, que disputavam a final do Campeonato Carioca daquele ano.

O jogo encerrou e o Botafogo venceu por 3 x 1, sagrando-se campeão. Manoel declarou, firme, ao Padre: vou torcer por este time, o Botafogo. A escalação do time vitorioso, ele tem, até hoje, de cor na memória: “Oswaldo, Gerson e Nilton Santos, Rubinho, Ávila, Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha!”. E desde então já soma 59 anos de fidelidade (nas alegrias e nas tristezas) ao “Clube da Estrela Solitária”.

 
Cesar Pasold e Manoel Martins, em Imbituba, em 18/08/2007,
conversando sobre os 51 anos de Rádio do Comunicador.

Pois este coroinha botafoguense foi estudar em Seminário, tentou ser Padre, desistiu “na hora em que tinha que vestir a batina”, voltou à vida laica e, em 1956, recebeu convite do então diretor da Rádio Difusora de Laguna, Ariovaldo Machado para nela trabalhar como locutor. Foi feito um teste. Ariovaldo considerou Manoel como aprovado para a locução radiofônica, e ele começou a trabalhar em janeiro daquele ano.

O seu primeiro programa se chamava “Alma Portenha” e ia ao ar das 22h00 às 23h00, com muito boa audiência. Em fevereiro daquele 1956, já transmitiu os bailes de carnaval da Laguna. Ficou naquela emissora por oito meses apenas, porque recebeu um convite do amigo padre Hercílio Capeller (seu ex-professor no Seminário para Padres) que era diretor da Rádio Cruz de Malta de Lauro Muller.

Manoel resolveu aceitar o convite, pediu demissão da Rádio Difusora de Laguna, mudou-se para Lauro Muller, onde passou a trabalhar na Rádio Cruz de Malta. Ali , entre seus colegas de trabalho, estava Marlene Souza (hoje Marlene Souza Candemil), cujo pai, Abadir Rufino de  Souza trabalhava na Companhia Docas de  Imbituba. Por recomendação dele junto ao Dr. Ernani Cotrin, Manoel recebeu convite para vir para Imbituba e “abrir” uma nova emissora de rádio em Santa Catarina, a Rádio Difusora de Imbituba.

Veio para Imbituba, fez um teste e foi aprovado. Encerrou o seu contrato com a Rádio Cruz de Malta. Em 19 de setembro de 1957 firmou contrato com os concessionários da Rádio Difusora de Imbituba, tendo marcado para inaugurar a Rádio em 01 de outubro de 1957, porque “até lá” ele “daria conta de elaborar a programação da emissora, como realmente ocorreu”. Na aproxima semana, leia aqui a segunda parte deste relato.

Parceria

No dia 01 de outubro de 1957, um sábado, às 20:00h, Manoel apresentou o “Show de Lançamento da Rádio Difusora de Imbituba”, diretamente do superlotado auditório da emissora, inclusive com a presença de dirigentes do Grupo Catão (concessionários da Rádio), convidados do Rio de Janeiro, e autoridades do Município, entre as quais se destacava Valter Amadei Silva, Prefeito Municipal.

Já a partir do dia 03 de outubro, segunda feira, a Rádio estava com a sua primeira programação no ar, iniciando ás 10h00 da manhã e encerrando às 21h00. Apresentava duas edições diárias do “Jornal Falado”, além de programas esportivos, de variedades e de música romântica, estes últimos com muita audiência na época.

Foram, então, seus companheiros de locução, entre tantos, com o perdão pelos esquecimentos: Nivaldo Lentz, Nilsomar Tavares, Lourival Ramos, Vera Lúcia de Maria (primeira locutora de Imbituba), Leda Cotrin e no apoio de som: Valter Pacheco Soares. Na programação, Jorge Lage, sobrinho de Henrique Lage.

Animado com o sucesso de audiência seguramente perceptível na sua convivência com a comunidade imbitubense, Manoel Martins “cismou” e resolveu escrever e apresentar rádio novelas. Conseguiu um excelente grupo de rádio atores e foram ao ar! Entre elas, a intitulada “Meu presente de Natal” obteve “uma audiência tremenda”. Mais animado ainda, começou a escrever programas humorísticos que também tiveram muito sucesso.

Mas, o grande destaque foi a peça de rádio teatro que ele escreveu sob título “Nascimento, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição do Nosso Senhor Jesus Cristo”,que foi ao ar na Sexta Feira da Semana Santa de 1958.  Para apresentar a peça conseguiu, novamente, excelentes atores e cerca de trinta figurantes, além da importante e indispensável colaboração efetiva do então Vigário da Paróquia, o Cônego, Itamar Luiz da Costa (Doutor em Teologia).

No momento da “ressurreição”, que era o ápice da peça, destacavam-se os efeitos sonoros especiais. A transmissão ocorreu do palco da Rádio, sem público, ao vivo, com três horas de duração. Sucesso de audiência! O êxito foi tão grande que, no ano seguinte (1959), a Rádio JK de Tubarão, de propriedade do empresário João Kürten, queria retransmitir direto de Imbituba a peça rádio teatral.

Assim aconteceu, formando-se uma cadeia entre as duas emissoras para esta transmissão. Novamente: sucesso de audiência! E, em 1960, integrou a cadeia também a Rádio Tubá, de Tubarão, que tinha uma grande área de irradiarão, abrangendo a região da serra. Assim foi até o dia 03 de abril de 1970, quando faleceu o Padre Itamar, cuja participação Manoel considerava essencial. Desanimado com a ausência do indispensável parceiro naquele trabalho e orientador teológico da peça radiofônica teatral, Manoel nunca mais a apresentou, ficando contudo como um importante marco junto às famílias católicas da região.

História

Manoel fez radiofonia desportiva, narrando jogos, especialmente os do Imbituba Atlético Clube no Campeonato Catarinense de Futebol. Numa destas jornadas esportivas viveu um momento muito peculiar em toda a sua carreira. A Rádio Difusora de Imbituba possuía um aparelho para transmissão em ondas curtas, que consistia numa caixa medindo uns 60 centímetros de cumprimento por 25 a 30 centímetros de altura. A caixa era muito pesada!

Manoel foi transmitir um jogo em Lages, entre o Atlético (como era apelidado então o Imbituba Atlético Clube) versus Internacional de Lages. Viajou a longa viagem, juntamente com seu companheiro da Rádio, o Ovídio Cardoso, no ônibus velho do próprio Clube, num sábado.

No domingo já pela manhã foram, Manoel e Ovídio, foram para o Estádio e instalaram o aparelho de ondas curtas. Ligaram para a central em Imbituba, fizeram os testes e lhes foi dado o “ok”, tudo perfeito, som claro! 

Foram ao Hotel, almoçaram e retornaram ao Estádio, antes do jogo e, então, novamente mais um teste e , de novo, foi dado o “ok” pelo pessoal da central da rádio em Imbituba.

Iniciado o jogo, Manoel fez, com garra, um transmissão completa da partida, procurando narrar de maneira integral o jogo, objetivando passar todos os lances para a população imbitubense que, como sempre, devia estar com sua atenção total e ouvidos colados aos aparelhos de rádio, sofrendo e vibrando com os erros e acertos de seu time. Ovídio fez os comentários, como sempre muito bem elaborados, com análises técnicas e táticas da partida.

Terminada a peleja, retornaram a Imbituba e, aqui, Manoel pergunta: que tal a nossa transmissão? Gostaram? A resposta foi: não houve transmissão Manoel !!! A “caixa pifou!”. Como não havia retorno de som, Manoel não soube do que ocorria e acabou por transmitir o jogo, na sua própria expressão, “para as nuvens”. 

No campo do radialismo informativo, o momento que Manoel considera como um dos mais significativos de sua carreira, aconteceu em 21 de junho de 1958, quando  ele fez, ao vivo, a transmissão, diretamente da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, da declaração de emancipação do Município de Imbituba, proferida pelo então Presidente daquela Assembléia, o Deputado Braz Joaquim Alves.

A transmissão foi possível graças à boa vontade e disposição do Deputado Elias Adaime, proprietário da então Rádio Jurerê de Florianópolis, que cedeu equipamentos e pessoal de apoio. A audiência foi total aqui em Imbituba.
De outra parte, no jornalismo escrito, a sua vivência, no passado foi, tríplice. Por um bom tempo, escreveu uma coluna fixa no jornal O Estado, de Florianópolis, tendo por título “Sentinela”. Também por um bom período colaborou esporadicamente com o “Correio do Povo”, de Porto Alegre. Chegou a ter um jornal, chamado “Folha de Imbituba”, por aproximadamente um ano. Atualmente escreve a coluna semanal denominada “Giro Informativo” no jornal O POPULAR, que, a partir de Imbituba, circula em 20 municípios.

É importante registrar que, paralelamente à sua atuação como Comunicador, Manoel foi eleito Vereador por duas vezes, sendo, num dos mandatos, Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Imbituba. Exerceu também a função de Assessor de Imprensa da Indústria Cerâmica de Imbituba, convidado que foi pessoalmente pelo Dr. João Rimsa. Na vida social e esportiva imbitubense, ocupou, por cerca de vinte anos, diversos cargos, inclusive o de Secretário, Diretor Social e Vice-Presidente, do Imbituba Atlético Clube.

Manoel é autor do livro intitulado “Imbituba- História e Desenvolvimento”, um minucioso trabalho no qual a história e a vida de Imbituba são narradas com objetividade e clareza, sempre ilustradas com fotos de inestimável valor documental e que, sobretudo, apresenta uma primeira qualidade que devo destacar: a da contextualização de Imbituba seja no plano estadual seja no plano nacional.

Sob tal perspectiva, Manoel avançou na técnica do relato histórico e, trazendo grande contribuição cultural, noticia de forma dinâmica sobre personalidades e aspectos do panorama político e institucional do Estado de Santa Catarina e do Brasil. Esta percepção sistêmica conduz o Leitor ao conhecimento pleno dos acontecimentos sempre inseridos na conjuntura regional, estadual e nacional.

Outra qualidade indiscutível deste Livro é a sua apropriada natureza multi-temática. Isto quer dizer que a história relatada é abrangente e tratada segundo um elenco de temas adequadamente muito amplo, que vai do povoamento de Imbituba até a campanha para a criação da Comarca, passando, entre tantos e relevantes e pertinentes assuntos referentes à vida política, social, cultural, econômica e esportiva da comunidade imbitubense, ao longo do tempo.
Para encerrar, voltemos ao Radialista: de há muito tempo o seu “Programa Manoel Martins” (qualquer que seja o nome que se lhe dê, é assim que os seus inúmeros e fiéis ouvintes, como eu sou, o chamam)  é, incontestavelmente, líder  de audiência.

Qual o segredo do SUCESSO de MANOEL DE OLIVEIRA MARTINS?

COMO PESSOA: simplicidade; retidão de caráter; coerência; bondade; elevado espírito cristão; e, irrepreensível cultivo dos valores fundamentais da Família, junto à esposa Ana Clara e às filhas Clara Regina e Adriana, e aos valores fundamentais à vida em Sociedade, junto ao Povo de Imbituba.

COMO COMUNICADOR: com uma  excelente impostação de voz e irrepreensível dicção, fala diretamente aos seus ouvintes numa linguagem que o coloca totalmente próximo deles; fornece prontamente a informação exata; presta serviços de utilidade pública e de interesse coletivo de maneira incessante e exitosa; e, sempre, toca a música que o povo gosta! 
Manoel Martins é, portanto, sinônimo de 51 (cinqüenta e um) anos de muito trabalho eficiente, eficaz e efetivo em prol de uma Comunicação Social comprometida integralmente com a Comunidade.

Através deste perfil resumido, registro a minha especial admiração e presto a minha sincera homenagem ao COMUNICADOR MANOEL DE OLIVEIRA MARTINS, que  faz a sua parte – com dignidade total e com extremo profissionalismo – na construção histórica do Rádio catarinense e brasileiro, ao qual honra em cada dia e em todos os dias!

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