Radialista Souza Miranda ganha documentário

A vida e obra de Osvaldo Souza Miranda, um dos mais importantes e antigos radialistas brasileiros em atividade é o tema do Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo produzido pelos acadêmicos Alexandre Rosa e Fabiano Peres, da Faculdade Estácio de Sá, em São José.

O TCC foi defendido pelos autores no dia dois de dezembro de 2010. Alexandre é radialista há 10 anos e trabalha na Rádio Cultura AM 1110 de Florianópolis. Fabiano é diagramador, no jornal Diário Catarinense e ambos sempre nutriram paixão especial pelo rádio como meio de comunicação de massa.

Depois de várias ideias e projetos, os estudantes decidiram homenagear Souza Miranda, que há 66 anos empresta de forma ininterrupta seu profissionalismo, simpatia e voz grave à apresentação de programas nas rádios brasileiras e catarinenses nos últimos 55 anos. Atualmente, Miranda atua na Rádio Mais Alegria AM 1470 de São José, SC.

Alexandre e Fabiano apresentarão o programa radiofônico Souza Miranda nas Ondas do Rádio à banca composta pelo professor Ricardo Medeiros, que foi o orientador do TCC; Rubens Flores, da Rádio Regional FM; professora Regina Zandomênico e Antunes Severo, radialista e editor do site Caros Ouvintes.

Sobre o Souza Miranda

66 anos de microfone. Charge: Renato Nascimento

Ele pode ser considerado daquelas pessoas que nascem com talento para determinada atividade. Osvaldo de Souza Miranda nasceu para ser locutor de Rádio. Menino, ainda, exibia uma voz forte, bem modulada e diferente de seus amigos de infância.

Miranda aos 16 anos de idade começou sua carreira de radialista na cidade de Paranaguá, onde enfrentou pela primeira vez o microfone da Rádio Difusora, a terceira emissora criada no estado, em 1944. Subiu a Serra do Mar com objetivo de ganhar seu espaço na radiofonia mais avançada do país, conquistando admiradores dentro e fora das emissoras de rádio. Foi um dos mais festejados locutores de sua época, atuando como noticiarista, apresentador de programas, figurando entre os mais conceituados profissionais do microfone. Criou um dos programas mais famosos da época, “Rosa de Tango”, onde declamava com invejável inspiração poesias de J. G. de Araújo Jorge. Correto, firme na locução, raramente errava na leitura de qualquer texto. Era, também, considerado um dos mais perfeitos locutores comerciais.

O jovem locutor chega à capital catarinense em novembro de 1954, a convite do amigo Francisco Mascarenhas que cuidava da instalação da Rádio Diário da Manhã. Apesar da amizade e do bom salário que deveria ganhar Miranda não se entusiasmou com a pacata cidade que além de pequena sofria com a precariedade do fornecimento de energia elétrica e com a timidez de sua vida diária. O choque era muito grande, pois ele deixara atrás a vibração da vida noturna de São Paulo e o charme de trabalhar na Rádio Tupi, então líder das Emissoras Associadas de Assis Chateaubriand.

Mascarenhas, bom argumentador convence Miranda a permanecer até a inauguração da emissora que estava prevista para 31 de janeiro de 1955. Foram dois meses de tédio para o inquieto Souza Miranda que só aliviava o enfado e o vazio dos dias quentes do final da primavera descansando no hotel ou tomando uma cervejinha enquanto acompanhava o crepúsculo do já abatido Miramar. A noite, sempre havia a compensação de uma boa companhia nas boates da cidade.

Finalmente chega o dia da inauguração da Rádio Diário da Manhã. Foi um alvoroço desde as primeiras horas da manhã. A emissora estava no ar em caráter experimental desde os primeiros dias de dezembro e não poupava avisos anunciando a programação inaugural prevista para começar às 20 horas do dia 31 de janeiro de 1955, com a apresentação de um recital de musicas lírica e clássica. Para finalizar, a interpretação do Hino de Santa Catarina por um coral em homenagem a Irineu Bornhausen, governador do Estado e proprietário da emissora.

Às 20 horas, terminada a transmissão da Voz do Brasil, o operador aciona o gongo três vezes, gira a alavanca que liga o microfone do palco-auditório no primeiro andar do prédio número 11 da Praça XV de Novembro e soa nos alto-falantes internos e nos receptores de milhares de ouvintes a voz clara e sonora do primeiro locutor oficial da emissora:

Souza Miranda: Boa noite senhoras e senhores. A Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, transmitindo em ondas médias, na freqüência de 1010 quilocliclos, passa a falar diretamente de seu palco auditório para transmitir a solenidade de inauguração desta emissora. Para anunciar a programação, convidamos o diretor da Rádio Diário da Manhã, Francisco Mascarenhas.

No dia seguinte, não dava outro assunto nos comentários da cidade: o som maravilhoso da emissora e o locutor perfeito que viera de São Paulo para conquistar a audiência de Florianópolis. Isto, sem falar, nos corações que arrebatava até que chegasse sua hora de se apaixonar por uma Catarina com quem veio a se casar e a ter os filhos Claudionir Miranda, hoje também um famoso locutor e Soraia Miranda.

Longo tempo atuando nas emissoras importantes de Rio de Janeiro e São Paulo, Souza escolheu Florianópolis para dedicar seus melhores anos na atividade. Na Radio Diário da Manhã destacou-se como um dos melhores locutores. Como ninguém é tão perfeito que um dia não cometa um pequeno erro, Souza Miranda certa noite surpreendeu os freqüentadores da Boate Plaza e os ouvintes da Diário da Manhã. Do local era transmitido ao vivo programa “Ritmos do Plaza”, onde se destacava o Conjunto Musical do Mirandinha, uma das figuras mais expressivas da musica catarinense. A função do locutor era identificar a emissora e ler o texto comercial do patrocinador, Café Amélia, que tinha o slogan; “Café Amélia, torrado, moído e empacota no mesmo dia”. O profissional destacado para a missão, pegava seu microfone, lia o texto e dava o prefixo da Radio Diário da Manhã, em voz baixa que os freqüentadores da boate nem percebiam.

Quando Souza Miranda era o escalado para a transmissão, as coisas aconteciam de maneira diferente, com sua voz potente invadindo os cantos da boate.  Numa noite memorável de um verão com altas temperaturas, o radialista e alguns colegas exageraram na bebida, logo no inicio da transmissão. Quando chegou a hora de dar o prefixo da emissora e ler o texto do Café Amélia aconteceu uma atrapalhada. Souza disse em alto e bom som: “Esta é a Diário da Manha, transmitindo Ritmos do Plaza, com patrocínio do Café Amélia: torrido, moado e empacotido no mesmo dia”.  Com 66 anos de carreira o radialista continua arrasando corações de ouvintes. Hoje Souza Miranda trabalha na Rádio da Mais Alegria nas terças e quintas-feiras.

Matéria atualizada no dia 17/02/2014.

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