Rádio AM pode virar FM mantendo seu tipo de programação

No início do mês passado, o presidente da Associação Estadual de Rádio do Rio de Janeiro (Aerj), Hilton Alexandre, apresentou uma proposta que visa o crescimento das rádios AM em todo o Brasil. Segundo Hilton, a proposta prevê a migração das emissoras de AM para os canais 5 ou 6 da TV analógica ou para um canal da TV digital. O assunto foi debatido durante o Brasil Rádio Show, evento realizado no final de maio, em São Paulo. Na quarta-feira, engenheiros da Superintendência de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) apresentaram uma pesquisa para radiodifusores e representantes da Abert, apontando que a expansão da faixa FM pelos canais 5 e 6 de televisão, com o objetivo de aumentar a disponibilidade de canais de rádio, é tecnicamente viável.

Na quarta-feira, engenheiros da Superintendência de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) apresentaram uma pesquisa para radiodifusores e representantes da Abert, apontando que a expansão da faixa FM pelos canais 5 e 6 de televisão, com o objetivo de aumentar a disponibilidade de canais de rádio, é tecnicamente viável.

O estudo propõe que as rádios AM migrem para um canal adjacente na faixa de FM. A justificativa são as crescentes dificuldades enfrentadas pelas emissoras que operam em Onda Média, como o aumento do ruído urbano. “Muitos radiodifusores alegam que o rádio AM não terá excelente recepção como as FM quando o rádio for digitalizado”, explica o diretor de Tecnologia da Abert, Ronald Barbosa. Além disso, a expansão no espectro FM seria um caminho para digitalizar o rádio. “Aqueles que queiram digitalizar seu sinal AM poderão fazê-lo a qualquer tempo”, explica Barbosa.

De acordo com a proposta, a migração das rádios AM para a faixa FM seria voluntária. “A idéia é utilizar os canais 5 e 6 de televisão que são adjacentes à faixa FM”, explicou Thiago Aguiar Soares, engenheiro da Anatel e um dos autores do estudo. “Utilizamos os mesmos critérios técnicos usados para as faixas FM e conseguimos um plano viável, considerando distâncias mínimas”, explicou.

O estudo considerou as rádios de Santa Catarina. Mas, de acordo com os engenheiros da Anatel, o projeto piloto pode ser implementado em todos os estados brasileiros. A extensão da faixa FM será possível com a desocupação de canais de TV. De acordo com o Decreto 5.820, até 2016 os canais com transmissão analógica serão desocupados com a transição do sinal analógico para o digital.

De acordo com Soares, os canais 5 e 6 foram escolhidos por serem adjacentes às freqüências de FM e pertencerem à radiodifusão. Segundo o estudo, o espaço aberto nesses canais têm capacidade de criar 57 novos canais de 200 KHz. Isso não significa que os canais serão criados, apenas que é viável, enfatizou.

A proposta de utilizar os canais 5 e 6 de TV para aumentar a disponibilidade de canais FM não  é uma novidade. Alguns países como Estados Unidos e México já implementam projetos semelhantes. No México, 181 emissoras AM já migraram para faixas FM.

De acordo com Hilton Alexandre da Silva, presidente da Aerj (Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado do Rio de Janeiro), a proposta é uma solução para a digitalização do rádio. Além disso, é uma alternativa para desafogar o espectro, que está congestionado nos grandes centros urbanos.  A transmissão na faixa estendida deve ser toda digital, defende Silva. “Precisamos garantir que o rádio AM chegue com qualidade aos ouvintes e a solução é a transição para o rádio digital”, diz.Ele afirma que, assim como ocorre na TV, as rádios devem funcionar simultaneamente nas duas freqüências durante o período de transição. “As rádios AM prestam um serviço muito grande, é a voz da comunidade. O rádio digital só vai avançar quando avançar a questão do rádio AM”, diz Silva.

No total, 95% das emissoras de rádio AM têm potência de até 10 kHz. “São emissoras pequenas e locais que sofrem com problemas como as rádios piratas. Seria um sopro para o rádio”, acredita.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Abert

 

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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