Rádio Clube de São João Batista – 4

Em 1982 Jener vende a rádio dos seus sonhos para a Portobello. Até hoje, se arrepende do que fez. “Toda a minha família foi contra, mas não podia mais voltar atrás. Já tinha dado a minha palavra ao presidente da empresa César Gomes. Achei que deveria parar, pois estava no ramo a mais de 40 anos. Meus filhos estavam todos crescidos, e acreditava que tinha tomado a decisão certa. Hoje me arrependo, com certeza, não faria o mesmo”, desabafa Jener.
Por Ricardo Martins

A partir daquele instante, a Clube entra em uma nova fase e Evaldo Peixoto assume a gerencia com novas propostas. Ao entrar na emissora em 1982, na época com 100 watts de potencia, Peixoto explica que mesmo a rádio pertencendo à Usina, empresa economicamente forte na época, tinha que caminhar com as próprias pernas. “As dificuldades financeiras e as contas no vermelho todos os meses nos davam dor de cabeça. A pauta dos anunciantes fazia com que as despesas superassem o faturamento”. Mas, mesmo assim foi nesse período em que assumiu a regência da emissora que a rádio adquiriu novos equipamentos, aumentou a potência para 1000 watts e instalou uma nova antena de transmissão.
Mas o que Evaldo gostava mesmo de fazer era comunicar. Nos 11 anos em que administrou a Clube, apresentava dois programas: o Alvorada Sertaneja e  Roberto Carlos Especial. Apesar da saudade, diz que não voltaria a administrar a Clube, ou outra emissora, as dificuldades de comandar um veículo tão importante, são enormes. E infelizmente os empresários acreditam que investir no rádio é jogar dinheiro fora. “Só voltaria para uma emissora como apresentador de programas, porque disto com certeza eu sinto falta”, diz Peixoto.

Já, Matias Fidélis Angeli, outro ex-diretor da Clube, diz que a emissora durante seus 38 anos, teve uma participação decisiva na história do município em todos os aspectos. “Com a dinâmica da globalização, houve necessidade de investir em novos equipamentos. No período em que estava na gerência da emissora, substituindo o amigo Evaldo Peixoto, foi possível comprá-los. A equipe permaneceu, porque era formada por profissionais de qualidade”.
Angeli, a exemplo de Evaldo, diz que não voltaria a administrar uma emissora de rádio, para ele, o financeiro é o grande vilão. “As dificuldades de manutenção de uma rádio em uma cidade pequena são enormes, em função do limitado poder aquisitivo do comércio, que tem de dividir averba publicitária com os carros de som, para a promoção de festas comunitárias e eventos atuais. A propaganda, lamenta, não é vista como investimento, mas sim, como despesa, o que leva o corretor a fazer descontos consideráveis na tabela de preços para poder vender um comercial, ou seja, fazer uma rádio dar lucros dentro destas condições, a dificuldade é enorme”.  Angeli contudo não esconde a satisfação de ter comandado a Rádio Clube. “É uma experiência incomparável. Dirigir uma rádio é diferente de comandar qualquer outra empresa”. Com a rádio consegui ‘crescer’ e pude fazer algo a mais por minha gente. Foi neste período que eu e minha equipe trabalhamos muito para fazer da nossa imprensa falada um veículo ético e aberto a todos os segmentos, com a produção de informação e entretenimento para todas as classes”.


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