Rádio Clube, a pioneira do Brasil, comemora 100 anos

A primeira rádio do Brasil, a Clube de Pernambuco, a icônica PRA-8, comemora daqui a um ano seu centenário de fundação.

O 6 de abril de 1919 marca a histórica reunião de um grupo de amadores da telegrafia sem fio que nesta data registrou a fundação oficial da rádio. Eles se comunicavam por diversão e estavam obstinados a aperfeiçoar as transmissões para levar o “pensamento humano” por meio de redes sem fio. Conseguiram mais: liderados por Augusto Joaquim Pereira, tornaram-se precursores do rádio como veículo de comunicação e foram protagonistas de uma revolução. Documentos oficiais e publicações em jornais da época comprovam o vanguardismo.

As Rádios Clube AM e FM e o Grupo R2 começam hoje a contagem regressiva da comemoração dos 100 anos, com o lançamento de um projeto memorialista que será veiculado na programação das emissoras e em reportagens publicadas toda semana nas páginas do Diario de Pernambuco até 6 de abril de 2019.

Foi idealizado para documentar o legado pioneiro dos amadores da telegrafia, narrar o progresso visto década após década da sua inauguração e valorizar quem fez e faz a trajetória de sucesso da Rádio Clube.

“A gente quer aproveitar esse momento para as pessoas conhecerem a história da Rádio Clube de Pernambuco, que é pregressa à história oficial da rádio no Brasil”, afirma Pierre Lucena, vice-presidente Comercial de e de Marketing do Grupo R2 – dono da Rádio Clube, Diario de Pernambuco, portais de notícias e respectivas redes sociais.

O projeto Rádio Clube 100 anos prevê ainda programas especiais que destacarão artistas projetados nacionalmente e o jornalismo na rádio. Programas em formatos curtos e longos, que contarão com a participação de professores, jornalistas e intelectuais.

“Vamos mostrar como a Rádio Clube fez parte da construção da cultura de Pernambuco”, diz Leo Gangana, diretor-geral das rádios Clube AM e FM. Também serão promovidos encontros entre artistas e ouvintes, afora promoções, como a distribuição de prêmios para ouvintes da rádio e a realização de shows.

Nesta retrospectiva desde  Augusto Joaquim Pereira em 1919 até 2019 estará, portanto, não só a história da Rádio Clube, mas das rádios no Brasil e até no mundo.

Diariamente, Antônio escuta e pede músicas nas duas rádios AM e FM. Foto: Thalyta Tavares/Esp.DP

Diariamente, Antônio escuta e pede músicas nas duas rádios AM e FM. Foto: Thalyta Tavares/Esp.DP

“Cabe lembrar que não se pensa em radiodifusão propriamente dita àquela época, até porque somente a 2 de novembro de 1920 se inaugura a primeira estação de radiodifusão nos Estados Unidos, conforme afirma Oscar Dubeux Pinto, a KDKA da Westinghouse”, destacou Renato Phaelante, um estudioso respeitado da história do rádio, pesquisador e coordenador da Fonoteca da Fundação Joaquim Nabuco durante três décadas.

Há 31 anos, desde que chegou ao Recife, seu Antônio Pedro acorda às 5h todos os dias e, antes mesmo de escovar os dentes, sintoniza a Rádio Clube. Toma café da manhã com a esposa Inalva embalados pelas notícias e é um dos mais assíduos ouvintes das duas rádios, AM e FM. Pede músicas (adora Ivente Sangalo, Gustavo Lima e Aviões do Forró) e participa de promoções, fazendo ligações frequentes. Já ganhou mais de 15 prêmios. Cego, seu Pedro garante: “A Rádio ajuda a me tirar da solidão”.
 
Candida Monteiro

Se há uma profissional que hoje tem a cara de uma rádio em Pernambuco e da Rádio Clube é Cândida. Mais de trinta anos de batente, aposentada e apaixonada pelo que faz, entre idas e vindas é a terceira vez que trabalha na Rádio Clube. Em rádio, foi de tudo: telefonista, pesquisadora de rua daquelas que transmitem a vontade do ouvinte para ir ao ar, e hoje é programadora musical. Vez por outra recebe visita de ouvinte que quer conhecê-la e abraçá-la. Tem um filho de 21 anos, Daniel, que criou com a ajuda do seu trabalho.

Em rádio, Cândida foi de tudo: telefonista, pesquisadora de rua daquelas que transmitem a vontade do ouvinte para ir ao ar. Foto: Thalyta Tavares/Esp.DP

Cronologia
Principais marcos da Rádio Clube no primeiro ano de funcionamento

6 de abril de 1919  

Fundada a Rádio Clube de Pernambuco por um grupo de Amadores de Telegrafia Sem Fio, a TSF. Neste data foi instituída a diretoria, liderada pelo presidente Augusto Joaquim Pereira. Tida ainda como um hobby para os integrantes, a comunicação via radiotelegrafia era feita com aparelhos construídos pelos próprios usuários e foi precursora da rádio como veículo de comunicação no Brasil

7 de abril de 1919

Publicada matéria no Jornal do Recife sob o título “Rádio Club”, anunciando o fato histórico com o seguinte texto: “Consoante convocação anterior realizou-se hontem na Escola Superior de Eletricidade, a fundação do Rádio Club, sob os auspícios de uma plêiade de moços que se dedicam ao estudo da eletricidade e da telegraphia sem fio (…) A primeira no gênero fundada no país”

27 de abril de 1919

Aprovados os Estatutos da Rádio Clube. Neles se prevê “vulgarizar, entre os seus associados a telegraphia sem fio e outras das ondas hertzianas, taes como: – a telephonia sem fio, a radio-dynamica, etc (…)” E o mais importante: cita a montagem de uma estação experimental para “transmissão sem fios do pensamento humano”

12 de setembro de 1919

Divulgada uma nota do governador do estado na Imprensa dando concordância à cessão de um pequeno pavilhão no Jardim 13 de Maio para “o referido club”. A exigência de uma caução no valor de 200 (Duzentos mil réis) atrasaria a concretização do sonho da primeira sede

14 de novembro de 1919

Obtida a quantia para a caução, a Rádio Clube passa a ter sede oficial, situada no bairro da Boa Vista. A partir de então, somam-se novos sócios: agora são os fundadores; os efetivos, propostos por outro associados; os beneméritos, que entravam com contribuições financeiras; e os honorários, aceitos por unanimidade. O prédio da Cruz Cabugá é oficialmente inaugurado em 1923

Fonte: Renato Phaelante da Câmara, pesquisador e ex-coordenador da Fonoteca da Fundação Joaquim Nabuco

(Diário de Pernambuco, 06/04/2018)
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