Rádio difusora de entretenimento

Parece que achamos a “Via Real” para usufruir dos programas de rádio. Em várias aqui mesmo de São Paulo encontramos programas de cinco minutos, às vezes até menos, diários, naturalmente no mesmo horário, tratando de temas tanto do cotidiano quanto estratosféricos ou transcendentes, mas bem interessantes.
Anna Verônica Mautner

Cyro Del Nero tem um programa – que eu tenho raiva de perder – que trata das efemérides de cada dia. Aniversário de Calígula, chegada de Cortés ao México, primeira apresentação da Aida de Verdi ou aniversário da chegada do homem à lua. Cada dia uma estorinha sobre um fato do dia que nos relembra velhos cursos de História ou nos informa do que nunca soubemos.
Tudo isso em cinco minutinhos. Outro programinha de cinco minutos é um chamado “Maestro responde” dedicado a tirar as dúvidas de ouvintes. Na rádio Eldorado, também temos, em vários horários, sketches sobre vida cultural, comentários políticos etc. Tudo curto, enxuto, o máximo de conteúdo no mínimo de palavras, como devem ser os textos veiculados pelas rádios.
Assim é também o programa “Observatório da Imprensa” de Alberto Dines, um pouco mais longo, mas ainda adequado ao ritmo do formato radiofônico. A CBN tem também vários programas curtos, espalhados durante o dia, aos quais a gente se vicia voluntariamente porque enriquecem, e se deixarmos de ouvi-los um dia não temos problemas com a continuidade, pois cada programa é um programa que se completa em si mesmo.
Esta liberdade de querer ouvir, mas se não der, não sermos lesados é um grande atrativo das rádios e também dos cronistas falados, televisados ou escritos. Cada número vale por si.
Creio eu que a música entremeada por comentários constantes, diários, pode aumentar não só a nossa cultura geral sobre determinados assuntos, como também potencializar o prazer estético próprio de sua audição. É muito importante que sejam curtos, sucintos, porque assim é o tempo que dispomos para este tipo de entretenimento. Eu quero ouvir, mas não tenho que ouvir. É por essa “Via Real” que vou procurando minhas informações úteis ou inúteis. Não é a novela obrigatória, não é um curso dependente da continuidade, é o pout-pourri de informações que captamos livre e prazerosamente.
 


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