Rádio digital e rádio na internet

Hoje converso com você, leitor do Caros Ouvintes, sobre as definições de rádio digital e rádio na Internet. Antes, porém, quero falar de um assunto que está arrasando a Europa neste final de fevereiro. Você deve estar pensando: o inverno? o terrorismo? o desemprego? Não, meu amigo, as liquidações de final de estação.
Por Nair Prata

Liquidação no Brasil não tem muita credibilidade, porque sempre ficamos desconfiados se o comerciante está mesmo dando algum desconto na mercadoria. Aqui na Europa, porém, liquidação é de verdade, preto no branco e é impossível resistir a tantas ofertas. Uma prática comum no comércio é colocar um cartaz na vitrine avisando: “Todas as mercadorias com 50% de desconto”, por exemplo. Aí o cidadão entra, vê o preço da etiqueta e corta-o pela metade. Ou, então, a loja avisa: “Compre um e leve dois”. Qualquer coisa que você compra tem direito a levar mais um. Às vezes, no caso de roupas e calçados, nem sempre é vantajoso levar peças idênticas, mas se você estiver comprando presentes para todos os amigos, por exemplo, é uma grande oferta.
Aqui em Braga, Portugal, desde o início de janeiro o comércio está liquidando. À medida que os preços vão sendo cortados, as lojas avisam: 1ª baixa, 2ª baixa, 3ª baixa. Nesta semana, por exemplo, são incontáveis os cartazes que dizem: “Última Baixa”. É sinal que não vai haver mais corte algum nos preços. Você, que é um brasileiro esperto, deve estar pensando: “Mas por que não esperar a última baixa?” O problema, meu amigo, é que no final de liquidação você pode não encontrar mais determinado produto em oferta. Na minha opinião, o que vale mais a pena comprar são os artigos de inverno, como casacos, cachecóis, botas, meias, blusas de lã.
Em Belo Horizonte, minha terra, estes produtos são muito caros e, aqui, chega a ser quase uma tortura não encher várias malas destes artigos e levar para a família e os amigos. Depois de comprar, obviamente, é preciso rezar para que em Minas Gerais faça frio, bastante frio…

Mas, deixando as liquidações de lado, vamos conversar sobre rádio digital e rádio na Internet. Qual a diferença? Tenho falado aqui, neste espaço, de ambas as modalidades, mas pelo meu e-mail pessoal alguns leitores têm pedido para eu fazer este esclarecimento. Vamos lá, então.
O rádio hertziano, como nós o conhecemos no Brasil, é analógico, mas o modelo digital está sendo implantado em todo o mundo. Qual a diferença? Leopoldo Seijas Candelas, no livro “Los sistemas informativos en la era digital” explica:
Transmissão analógica: “é definida em função do tempo, contínuo, de tal modo que para cada valor de tempo temos o valor de um sinal. Os processos analógicos sofrem a degradação pela relação transmissão/ruído e aumento de distorção, devidas fundamentalmente: ao meio pelo qual se transmite, interferências, qualidade de circuitos, etc, assim como pelo repetido uso do suporte em caso de transmissões gravadas. Tudo isso se traduz em perda de qualidade da própria transmissão de áudio”.
Transmissão digital: “é definida como um conjunto de zeros e uns, quer dizer bits. Já não se trata de valores de voltagem e/ou corrente elétrica daquela função de tempo analógica. Passamos a ter uma transmissão formada por um conjunto de bits.” (p.95)
Você quer saber como vai ser o rádio digital? Um site faz uma demonstração animada muito interessante, para ver e ouvir: http://www.radiodigitaldab.com. A Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – www.intercom.org ) está realizando uma ampla pesquisa sobre o rádio digital no Brasil. Eu participo desta investigação levantando a quantas anda o rádio digital aqui em Portugal.
María Gabino e José Manuel Pestano, no texto “La radio digital: análisis de la difusión web”(http://www.saladeprensa.org) explicam que o rádio digital apresenta três variantes tecnológicas, segundo seu canal de emissão: rádio digital por satélite; rádio digital terrena e rádio na Internet. Assim, o rádio na Internet é obviamente digital. A webradio é, portanto, a emissora de rádio com transmissão exclusiva na Internet. Não há uma frequência a ser sintonizada, mas uma URL, ou seja, um endereço na World Wide Web.
Trata-se obviamente de um modelo de rádio diferente de tudo o que nós já ouvimos (e vimos) até agora: imagens, links, fotografias, hipertexto. Tudo isso junto continua sendo rádio? Deixe a sua opinião aqui neste espaço.
As imagens foram capturadas no site: http://institutodainteligencia.blogspot.com/


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Por Nair Prata

Jornalista formada pela UFMG, Mestre em Comunicação pela Universidade de São Marcos e Doutora em Língua Aplicada pela UFMG. Trabalhos 18 anos em rádio. É professora do Centro Universitário de Belo Horizonte onde leciona no Curso de Jornalismo. Escritora, tem vários livros publicados.
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