Rádio e TV: Migração para o FM e fim do sinal analógico mobilizam catarinenses

No decorrer dos últimos quatro meses, o Portal Making Of, em parceria com a ACAERT (Associação Catarinense das Emissoras de Rádio e Televisão), apresentou um panorama do rádio em Santa Catarina, tendo como “gancho” o processo de migração do AM para o FM. Tendências e expectativas, sempre com a participação de radiodifusores, profissionais do rádio, pesquisadores e anunciantes, ganharam destaque e mostraram o momento pelo qual o meio passa – de renovação e de reafirmação de sua importância para o estado.

A migração das emissoras AM para o FM prossegue com rádios já comemorando os resultados. Mas como o Making Of destacou na reportagem Santa Catarina e os desafios da migração do AM para o FM, algumas emissoras vão migrar mais tarde porque precisam esperar pelo desligamento da TV analógica para fazer a mudança de frequência. Conforme explicou o engenheiro Luiz Rosa Reis, 56 emissoras, de 34 cidades, não obtiveram canais na atual faixa do FM, de 88 MHz a 108 MHz, incluindo todas as de Florianópolis. Como essa faixa pertence hoje aos canais 5 e 6 de VHF de televisão, os mesmos não poderão existir nas localidades onde forem concedidos. “Os existentes só deixarão de existir quando a televisão analógica deixar de existir nessas localidades”, diz.

É neste ponto que estes dois momentos importantes da comunicação de Santa Catarina, ambos tendo a ACAERT à frente, se encontram: a migração do AM para o FM e o desligamento do sinal analógico da TV. Por isso, nesta última reportagem da série A Força do Rádio, o Portal Making Of destaca a expectativa para o fim da TV analógica em Santa Catarina que começará pelas cidades de Florianópolis, São José, Palhoça, Biguaçu e Paulo Lopes, que a partir de 31 de janeiro de 2018 contarão apenas com o sinal digital.

Mobilização e expectativas para o desligamento do sinal analógico

Faltando pouco mais de três meses para a primeira etapa do desligamento, a campanha de divulgação vem sendo intensificada, especialmente nas emissoras das quatro redes de TV de Santa Catarina. O Seja Digital, entidade sem fins lucrativos criada por determinação da Anatel, é que está encabeçando o processo de desligamento.

Isso inclui a operacionalização do processo e a criação de campanhas educativas e a distribuição de kits com antenas e conversores digitais, além de parcerias como instituições como o SENAI e IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) para a formação de multiplicadores (estudantes capacitados para orientar, instalar e ajustar equipamentos e canais). “Eu achava que este era um projeto de tecnologia, mas estamos em um projeto de inclusão social”, destaca Patrícia Abreu, diretora de comunicação do Seja Digital. “E vemos a importância da TV na vida do brasileiro, além de uma oportunidade de mobilizar e gerar negócios e aquecer a economia com a venda de antenas e conversores e a contratação de técnicos especializados”.

Esta é também a expectativa entre os gestores da RICTV TV | Record, do SBT-SC, da NSC TV, da TV Catarina HD e da Record News, os canais de TV de Santa Catarina, que já operam com sinal digital. “Podemos afirmar que nosso compromisso com o cidadão se renova com os novos serviços que a TV Digital proporcionará”, afirma Marcello Petrelli, presidente-executivo do Grupo RIC (RICTV Record e Record News) e da ACAERT. “É a televisão participando diariamente da vida das pessoas”.

Petrelli afirma que o primeiro desligamento em Santa Catarina será importante para o sucesso do processo em todo o estado. “A região da Grande Florianópolis servirá como um grande laboratório para o restante do estado”, afirma. Por laboratório entende-se oferecer apenas uma forma de sintonia dos canais, com características bem diferentes. “Os telespectadores estarão recebendo exclusivamente o sinal digital, com imagens mais nítidas, som de melhor qualidade e sem ruídos e interferências”, diz Petrelli, destacando a padronização na qualidade do sinal entre todas as emissoras.

Na opinião do presidente-executivo do Grupo RIC, o desligamento do sinal analógico representa a reinvenção da televisão brasileira. E isso está ocorrendo, segundo Petrelli, num ambiente de comunicação marcado pela mobilidade e convergência tecnológica. “Daqui a seis anos, o país inteiro receberá apenas o sinal digital das emissoras”, diz. “A TV de hoje, a que fazemos, em que o telespectador fica parado assistindo terá ficado para trás”.

Para Beto Amaral, vice-presidente do SBT-SC, o desligamento representa um marco na comunicação catarinense por colocar as emissoras num mesmo patamar de qualidade de sinal e abrangência. “Nós do SBT-SC, particularmente, teremos um grande ganho, pois o nosso canal analógico é UHF, concorrendo com emissoras que operam no VHF”, explica. Com o desligamento, conta Amaral, todas as emissoras estarão operando na faixa UHF, mas agora digital. Assim, os telespectadores da Grande Florianópolis vão “pegar” o sinal de forma igualitária, e ainda com maior alcance e qualidade HD.

“Tenho certeza que o desligamento do sinal analógico trará um aumento da audiência da TV Aberta”, afirma o executivo do SBT-SC. “As pessoas vão ter um ganho enorme de qualidade, saindo de outros canais e até desligando a TV paga”, prevê. Ele destaca que os ganhos da TV Digital vão além do sinal em alta definição. Ele cita a possibilidade de vermos TV em movimento e na palma da mão, através da mobilidade/portabilidade. “Temos a opção de termos interatividade dentro dos programas e comerciais, o que é muito pouco explorado ainda, e a questão do canal de dados”, diz.

Saul Brandalise Jr., presidente do Grupo Barriga Verde, do qual faz parte a TV Catarina HD, afirma que o desligamento do sinal analógico na Grande Florianópolis representa um grande salto de qualidade. “Isso possibilita levar os produtos da TV Catarina, assim como o comercial de nossos anunciantes, com maior resolução até o telespectador”, diz. “Trata-se de uma grande vitória dentro de um planejamento feito ao longo dos dois últimos anos”.

Brandalise cita o áudio como exemplo. O áudio do sinal digital é mais puro sem sofrer interferência de fenômenos externos e também possibilita a utilização de múltiplos canais de áudio que podem ser simultâneos, em diferentes idiomas e com audiodescrição. “E depois da Grande Florianópolis, o foco estará direcionado para as demais regiões do estado, conforme o cronograma de desligamento, sem com o objetivo de oferecer maior qualidade para o público com base na tecnologia disponível no mercado”. Ainda em 2018, as regiões de Blumenau e Joinville também terão o sinal analógico de TV desligado

O desligamento do sinal analógico é um avanço da tecnologia que gera satisfação de ver televisão, seja jornalismo, entretenimento ou esporte. A afirmação de Mário Neves, presidente da NSC Comunicações, da qual faz tarde a NSC TV . Ele conta que há dez anos, a NSC TV (ainda como RBS TV) começou a transição para o sinal digital, que hoje cobre todas as áreas onde estão as emissoras regionais (Florianópolis , Joinville, Blumenau, Criciúma, Chapecó e Joaçaba). “O sinal digital vai permitir que a NSC alcance ainda mais telespectadores em Santa Catarina, mantendo e elevando seus índices de audiência”, afirma.

Para Neves, são muitas as vantagens que o sinal digital traz. Por exemplo, a qualidade de som e imagem mexerá com a experiência de ver televisão. Ficará mais intensa, diz o executivo da NSC, porque as novas produções de televisão aberta investem cada vez mais nesses itens. “Outra vantagem é que o sinal de maior qualidade continua sendo oferecido à população de graça e pode chegar ainda mais longe, atingindo áreas tidas como sombra, onde hoje o sinal analógico apresenta eventuais distorções”, aponta.

O mesmo deverá ocorrer com os anunciantes, com as agências proporcionando também novas experiências com os conteúdos publicitários, com maior impacto e eficiência. “É a TV aberta se aprimorando e olhando para o futuro, garantindo sua presença na imensa maioria dos lares e na vida dos catarinenses”, conclui Mário Neves.

(Portal Making Of 03/11/2017)

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