Rádio Mirador de Rio do Sul

Oitava na lista das pioneiras de Santa Catarina a Mirador é a concretização de um sonho de Victor Pelizzetti, o riosulense que liderou a campanha de criação da Rádio Mirador Ltda, inaugurada e 13 de março de 1947.
Por Antunes SeveroÉ de Jali Meirinho, jornalista, historiador, professor da UFSC e secretário geral do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina a leitura do quadro sócio político brasileiro que vai da queda do governo de Getúlio Vargas à tomada do poder pelas forças militares brasileiras quando derrubaram o governo de João Goulart, em 1964:
“a partir de 1945 e mais notadamente nas décadas de 50 e 60 vão surgir uma série de emissoras de rádio por todo o interior do Estado. Elas terão uma enorme influência no processo político. O rádio nesse período foi o grande meio de comunicação e de penetração em todas as áreas do Estado, tanto no  meio urbano como no rural, tendo forte influência no processo de politização da população. As grandes correntes políticas logo de início se preocuparam em deter em suas mãos determinadas emissoras, tanto na Capital como no interior, de modo a ter facilidade no processo de propaganda eleitoral. A influência do rádio foi tão expressiva nesse período a ponto de partidos manterem programas diários de divulgação e propaganda partidária, mesmo fora do período eleitoral”. O depoimento registrado por Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira, em 1982 está no livro A História do Rádio em Santa Catarina.”

A Rádio Mirador foi concebida, nascida e criada como parte desse contexto, embora os seus propósitos possam não ter sido exatamente esses.

O que se não deve perder de vista é o rádio é a voz ampliada do homem. O rádio, segundo Alberto Dines, “oferece proximidade e intimidade, portanto, verossimilhança”. A sua interatividade é ampla, geral e irrestrita, para usar uma expressão bem popular.

Nesta recapitulação da história das 20 primeiras emissoras de Santa Catarina, estas reflexões estão mais para um caminho de esperança do que de catástrofe. Porque, como lembra Dines “O rádio não te matiz político, favorece quem sabe usá-lo, gosta de usá-lo e nele acredita. É um extraordinário meio de comunicação tanto para as massas iletradas como para os segmentos intermediários e elites. Ajuda na mobilidade social, agrega valor ao processo de crescimento econômico”.

Em última instância, que fique um pensamento para análise: o rádio está como está, porque nós ouvintes assim o estamos aceitando.

A seguir, mais um destaque da História do Rádio em Santa Catarina, de Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira.

Um dos ícones do rádio riosulense é Victor Pelizzetti, nascido na cidade em 1918. Aos 29 anos, juntamente com alguns colegas, constituiu uma sociedade que acabaria gerando a Rádio Mirador Ltda, em 13 de março de 1947. Seus aliados empreendedores foram Leopoldo Zarling, Wenceslau Borini, Ambrósio Finardi, Dr. Francisco Gottardi, Hélio Westphalen, Walter Roussenq, Dionísio Pisa, Hemuth Baumgarten, Jaime Mendes e Luigi Buzzi. Em 11 de agosto daquele ano, a ZYM-6 transmitia em caráter experimental e, no dia 6 de outubro, ganhava sinal verde do Ministério da Viação e Obras Públicas para instalar-se oficialmente à rua XV de Novembro. Com potência de 100 watts, tinha freqüência de 820 quilohertz.

Um ano mais tarde, a estação crescia graças à portaria 654, de 28 de julho de 1948. Pelo documento a emissora aumentava sua potência para 250 watts, adotando um transmissor STP – modelo F-250C. Naquele momento era captada no dial em 820 Khz.

Em 1959, o decreto do Presidente Juscelino Kubitschek de número 47.250, de 19 de novembro, fez com que a Mirador alcançasse 40 municípios. A ZYM-6 passaria para 1000 watts, com um transmissor marca Telefunken, modelo TDB e freqüência de 630 Khz, conforme dados fornecidos pela emissora em 1999.

Em 1960, a Mirador obtinha um ganho ainda maior em sua potência. Através da Portaria 559, de 2 de novembro, a emissora tornara-se apta a operar com 5 mil watts em sistema diretivo.

As primeiras vozes a despontar dos microfones da Mirador foram Nilton Novaes, Antônio Karam, Christa Sofka, Moysés Boni, Ary José Correia, Veneranda Daldin, Adolfo Mário Figueiredo, entre outros, conforme informe publicitário veiculado pelo Diário Catarinense, em 15 de maio de 1997.

Fontes consultadas

Eduardo Meditsch. O Rádio na Era da Informação. Florianópolis: Editora Insular e Editora da UFSC, 2001.
Osvaldo Ferreira de Melo, Hoyedo Gouvêa Lins e Nereu do Valle Pereira (coordenadores): A realidade catarinense no século XX. Florianópolis: Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, 2000.

Sites relacionados

http://www.grupomirador.com.br/fm/cfabiano.php
http://www.riodosul.sc.gov.br/web2/
http://www.acaert.com.br/associados.htm


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1 responder
  1. joice leonardo e eduardo says:

    oi padre amarildo atraves deste imail queremos homenagiar nossa mae que hoje dia 25 fas aniversario nos desejamos a ela um feliz aniversario e muitos anos de vida que ela continua sendo essa mae queirida como sempre foi… beijops padre

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