Rádio – ontem, hoje, sempre.

Errou quem pensou que ele perderia lugar para a TV. Enganou-se quem pensou que ele perderia espaço com a internet. Passaram-se décadas e décadas, alguns de nós ainda temos como herança os antigos modelos. O meu mais antigo, estimado presente de uma família de amigos, deve ter entre 50 e 60 anos. Em 2004 minha esposa me mostrou um que havia encontrado numa grande loja no Centro de Florianópolis. Um modelo dos anos 70 ou 80. No início desse ano comprei um portátil. Que bom que também tenho no celular.

Assim fica fácil. Um na sala de casa. Um na barbearia que encanta os olhos dos amigos clientes. O portátil fica em minha pasta e que levo em minhas curtas viagens. O celular sempre no bolso. Mas o que seria do rádio sem aquelas pessoas lá do “outro lado” falando, nos informando, nos divertindo, nos encantando?

Há aqueles que mesmo antes de lavar o rosto ligam o rádio. Tem aqueles que o ligam antes de ligar o carro. Também temos o rádio companheiro de cama, quantos dormem com ele ligado?

Alguns preferem as ondas FM, outros AM. Para alguns o negócio é música. Outros querem é informação. Já outros gostam duma mescla dessas categorias. Logo cedo vozes como a de Mário Motta, Walter Souza, Juarez Di Oliveira, Carlos Damião; isso para citar só apenas alguns dos que fazem o rádio acontecer. O rádio ganha cada vez mais espaço. Hoje ele pode ser ouvido em quase todos os aparelhos de telefone celular. E a internet então? Essa abriu caminhos que antes apenas talvez as ondas curtas fossem capazes de dar.

Seja no esporte, na música, na informação, ele está ali, aqui, firme e forte. Mas há um detalhe: precisa haver paixão não só do ouvinte, mas, sobretudo do radialista, pois ele, livre das imagens de câmeras de TV e de preocupações com a imagem pessoal imediata preocupa-se com a qualidade do que diz e como diz, com responsabilidade, seriedade e ao mesmo tempo descontração. Depois de 30 anos como ouvinte estou agora também do outro lado. Iniciei como radialista dia 02 de junho deste ano. Quase 30 anos de espera. Faz pouco que comecei. Porém tempo suficiente para começar a sentir a responsabilidade de estar na frente do microfone. Produzir e apresentar um programa é um aprendizado.

Viajo a infância quando ouvia o Nabor Prazeres,(o que creio mais me inspirou a trabalhar em rádio) o Mambay, Walter Filho. Aliás, esse último tinha um quadro chamado “Aconteceu”, ia ao ar às 10 horas da manhã. Sentíamos medo daquele momento até a hora de dormir, mas no dia seguinte lá estávamos com os ouvidos “grudados” na rádio Diário da Manhã outra vez. Só para ouvir história de meter medo. Lembro do meu amigo Clayton Ramos. Presto atenção às orientações do professor Antunes Severo. Os conselhos do Walter Souza. E claro, a importante voz do outro lado, a voz dos ouvintes.

Aqui ele está e continuará. Locutores, ouvintes, anunciantes. Se os surfistas sabem aproveitar as ondas do mar, nós continuamos viajando, aproveitando e nos encontrando através das ondas do rádio. Agora mesmo há muitos falando e muitos apreciando. Com licença, vou aumentar o volume do meu rádio.

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