Rádio Tubá, a Voz do Sul 60 Anos no Ar

Agora apaguem as velinhas, queridos e sempre colegas da Rádio Tubá, pois o velho baluarte da comunicação no Sul catarinense está completando sessenta anos!
Por Agilmar Machado

Depois da Rádio Difusora de Laguna, cognominada de “A mais poderosa”, ter entrado oficialmente no ar em 1946, foi a vez de a Rádio Tubá inaugurar seu pomposo slogan “A voz do Sul”, com o prefixo ZYO-9, nos 730 kilociclos do dial dos rádios sulinos.
Optou, inicialmente, por uma linha popular de programação, então muito a gosto dos ouvintes que granjeou de pronto.
Álvaro Bernardes (hoje poucos se recordam dele) – o “Catarina” – dava seu primeiro “bom-dia, Cidade Azul”, e assim começava uma vitoriosa trajetória do prestigioso órgão.
Depois desse primeiro momento, muitos nomes destacados da radiofonia sul-catarinense passariam a desfilar nos mais variados programas da emissora tubaronense: o sempre lembrado e competente Humberto Fernandes Mendonça foi talvez, nos primeiros anos, quem mais renome ousou alcançar. A versatilidade do Humberto era algo inacreditável: se num momento estava transmitindo um dos geralmente conturbados clássicos do Ferro-Luz, vibrando e fazendo as torcidas antagônicas também estremecerem, poucas horas depois, na calada da noite, o mesmo Humberto, melosamente, lia poemas de J.G.de Araújo Jorge entre seqüências de caprichados boleros e tangos. Tudo em nome de um romantismo que hoje, infelizmente, a azáfama do mundo acabou por liquidar de vez.
Dos tempos do Humberto, o Zaga (Luiz Gonzaga) e o Costa (pai do Carlitos), o Pagé (pai do Jijo Colaço) alicerçavam o esporte da emissora. Mais tarde chegaria Sinval Barreto e logo após a saída do Humberto, Valmor Silva. Walter Zumblick foi o grande esteio cultural da Tubá, através da sua crônica diária, “Da minha janela” (tenho a graça de possuir a pasta “A-Z” com farta coleção original dessas crônicas e, na capa, pintado por Willy, seu irmão, a caricatura do Walter olhando pela sua janela o serpentear do então caudaloso Rio Tubarão…).
Claro que haverá omissões de nomes nesse registro, pois foram muitos os que passaram naqueles tempos pela Tubá. Cheguei por lá, pela primeira vez, em 1951, pouco antes de ser inaugurada a Rádio Difusora Urussanga, do Padre Agenor, pelo qual já estava eu contratado antes de ter a aparelhagem chegado de São Paulo.
Foram poucos meses, a convite do Humberto e no espaço entre a saída da Eldorado de Criciúma e a Difusora de Urussanga.
Poucos anos depois (1959) a Diocese de Tubarão compra o restante das cotas da Rádio Tubá. O sempre lembrado Ézio Lima foi trazido de Criciúma para gerenciá-la. Nesse mesmo ano terminava meu contrato na Difusora de Laguna e Ézio “cheirou” uma possível renovação.
Pelo telefone chamou-me e saí do gabinete da direção da emissora como novo contratado. Dias depois chegaria o César Machado. O mano jamais esquecerá a “recepção” que teve, capitaneada pelo velho amigo dos radialistas e jornalistas, Haroldo Fernandes (perguntem que ele conta em off…)… Osvaldo Della Giustina chegava de Porto Alegre para completar a linha de frente da redação dos jornais falados e outros noticiosos.
O então padre Osni era o mentor, e o Padre Raimundo Ghizzoni (até hoje). o “comandante-em-chefe”. José Reinoldo e Celso Rosenbrock, Odery Ramos, Walmor Silva, Lício Silva, Gil Correa… quantos nomes passaram a manter a Rádio Tubá no pico da audiência!!!
Hoje a Tubá segue seu rumo, adequada aos tempos atuais, porém jamais sem a vibração e a qualidade inegável de seu “cast” e de sua programação esperada.
Vale salientar aqui a sempre presente mão forte atual de Geraldo Medeiros, o esteio de equilíbrio da tradicional e querida emissora tubaronense.

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Por Agilmar Machado

Iniciou suas atividades profissionais no rádio em 1950, tornando-se jornalista em 1969. Atuou nas principais emissoras do Sul de SC como redator, produtor e apresentador de programas jornalísticos. Historiador, é co-autor História da Comunicação no Sul de SC. É membro fundador da Academia de Letras de Criciúma/SC.
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