Rádio

Antunes Severo, desde seu site “Caros Ouvintes”, me pergunta se posso colaborar com a história do rádio em Santa Catarina, em cujo resgate está profundamente empenhado. Como arma de entretenimento e venda, o “éter” sempre me empolgou.
Por Cao Hering, de Blumenau

Porém, na condição de publicitário-redator, suas entranhas não me são tão íntimas como, por exemplo, o são para os radialistas decanos Carlos Braga Muller, Nelson Rosenbrock, Osmar Laschewitz ou até Horácio Braun. Mas enquanto trabalhei junto aos dois últimos, num período de muitos descobrimentos e desafios na propaganda local, fui prazerosamente um caro ouvinte dos episódios de bastidores relatados entre uma campanha e outra.

Nesse mundo mágico – tentem outra definição – acontece de tudo. Ao provocar a imaginação e os sentidos, não há páreo para o poder do rádio, para sua capacidade de criar em nós os mais diversos cenários do quase nada. Quantas histórias não estarão guardadas nas cucas maravilhosas de todos esses profissionais? Juntar o máximo delas, como quer o Antunes, e gostosamente enlouquecedor. Mas como posso contribuir?

Como minha bagagem é pouca, me lembrei de um conto de Jorge Luiz Borges, O Aleph. Na narrativa o Aleph é um ponto do espaço onde todas as coisas do universo podem ser vistas sob todos os ângulos e em todos os tempos. Se conseguisse me posicionar nele, extrairia todas as histórias de rádio do mundo, ou pelo menos de Santa Catarina, e mandaria para o Antunes.

Mas eu sei umazinha – sua lembrança sempre me faz rir como um bobo no meio da rua. No tempo da rádio-novela ao vivo os atores tinham que ter presença de espírito e, sobretudo, capacidade de improvisar. O capítulo estava no ar num de seus momentos mais tensos. O sonoplasta, atento, preparava-se para inserir os efeitos sonoros conforme o texto. O mocinho conseguira finalmente encurralar o desafeto e berrou: “E agora, seu bandido, eu vou passar fogo em você!”. Ouviu-se o clique da arma e o técnico largou a agulha sobre os sulcos que supostamente lhe daria o som de um revólver: “Muuuuuuuuuu…”. O mocinho quis acertar o bandido, mas o técnico errou o efeito… Pânico? Nada. O ator nem vacilou: “E não adianta se esconder atrás de uma vaca!”.

O admirável mundo do rádio. Vai daí, Antunes!

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