Radiojornalismo de vanguarda – Parte 4

Revendo estas notas me dou conta e observo que falo de uma época vivida a mais de quarenta anos. E com isso percebo que o leitor, principalmente aquele que está na faixa etária dos vinte anos de idade, deve ter bastante dificuldade para assimilar alguns valores que mais pesavam naquela época. Afinal, em que ambiente trabalhavam os profissionais de comunicação e particularmente os que atuavam no rádio?Sem perder o foco de que estamos resgatando a história que marca o surgimento do programa radiofônico A Marcha dos Acontecimentos, nesta etapa vamos correr o olhar pelo ambiente da comunicação particularmente na Capital do Estado.

Três jornais diários e mais dois ou três semanários que se revezavam na tentativa de sobreviver, fazia a imprensa local. Os diários O Estado, A Gazeta e o Diário da Tarde, cada qual porta voz assumido de um dos partidos majoritários: PSD, UDN e PTB ou PRP. Os semanários se alinhavam a segmentos desses mesmos partidos ou defendiam facções momentaneamente em disputa de uma cadeira na vida política do Estado. O importante para o leitor atual é que os meios de comunicação da época não escondiam a sua vinculação política. Pelo contrário, faziam questão aberta de anunciar as suas preferências partidárias. A única exceção, para justificar a regra, era O Apóstolo, um quinzenário da Igreja Católica com maciça circulação no interior onde batia a audiência dos “jornalões” da Capital.

E as emissoras de rádio como funcionavam? De acordo com a mesma premissa. A Guarujá era PSD, a Diário da Manhã era UDN, a Anita Garibaldi fingia de “livre atiradora” e a Jornal A Verdade engajava-se momentaneamente a uma ou outra facção de acordo com os acertos financeiros realizados.

E os profissionais da comunicação onde estavam os profissionais? Na grande maioria faziam parte das organizações partidárias ou eram funcionários do governo do estado. Jornalistas e radialistas.

E a organização dos profissionais – associação, sindicato, formação acadêmica? A Associação dos Jornalistas Profissionais, que deu origem ao Sindicato, foi fundada em 1953; o Sindicato começa a atuar em 1955, a profissão foi regulamentada em 1969 e o primeiro curso se instala em Santa Catarina em 1979.

Os radialistas, por sua vez constituíram sua primeira entidade associativa em 1963. A Associação Profissional de Empregados em Empresas de Radiodifusão e Televisão de Santa Catarina foi criada no dia seis de julho do mesmo ano conforme consta da ata da Assembléia Geral. E no dia 10 ainda do mês de julho deu origem à criação do Sindicato dos Empregados em Empresas de Radiodifusão e Televisão de Santa Catarina que, entretanto teve seu estatuto reconhecido pelo Ministério do Trabalho em junho de 1964.

Narrador (Indagando): O que mudou com a organização profissional das duas categorias? Como os sindicatos passaram a atuar junto à classe, aos patrões e ao mercado? Estas e outras questões serão abordadas nos próximos capítulos desta série sobre o Radiojornalismo de Vanguarda em Florianópolis.

Mais informações:
Maria José Baldessar. Rogério Christofoletti (Orgs.). Jornalismo em Perspectiva. Florianópolis: Editora da UFSC, 2005.
Hugo Silveira Lopes. Manual do Radialista – regulamentação da profissão de radialista. Florianópolis, 1992.

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