Radiojornalismo de vanguarda e outras circunstâncias

“O site tem uma sinergia como o rádio nos anos 1970. A gente sente a vibração. Será que é reflexo das vibrações das novelas das rádios Guarujá e Diário da Manhã?” O comentário é do jornalista Laudelino José Sardá numa correspondência da semana passada.

Início de 1957,  criada a Divisão de Radiojornalismo: Zigelli, notícias e Antunes, Esportes.

Início de 1957, criada a Divisão de Radiojornalismo:
Zigelli, notícias e Antunes, Esportes.

Antes que se lhe responda ele cutuca: “A propósito, talvez tenha saído e não lido, mas não achas que está na hora de se produzir uma série de matérias sobre Dakir Polidoro, os anos do grande radiojornalismo de Zigelli, Acy Cabral Teive e outros?”

De fato, o tema é mais que oportuno. Ainda – olha as convergências como elas se apresentam – na mesma semana passada encontro o Raul no calçadão da Deodoro que me informa feliz: “Olha o meu novo livro vai sair possivelmente em agosto. O Moacir me confirmou o apoio da Associação Catarinense de Imprensa no dia do lançamento do livro dele sobre o Pedro Ivo, lá na Assembléia”. E arrematou com um abraço: “vou reproduzir aquela entrevista que fiz com o Galego de 1975, que você também participou”.

Diante das evidências é por mãos à obra. E porque a tarefa é longa e rico é o conteúdo vamos sistematizar um pouco a apresentação. Em primeiro lugar, uma retrospectiva mínima a guisa de contextualização.
Profissionalmente sou contemporâneo do Adolfo Zigelli. Em idade cronológica também. Temos uma diferença de quatro anos de idade. Eu nasci em 1932 e ele em 1936. Viemos para Florianópolis no ano de 1956. Ele e o irmão Walter em maio, de Joaçaba e eu e o Edwin Scott Balster, em novembro, de Curitiba.

O Dakir e o Acy, nessa época já eram veteranos. Pois o Acy começou no rádio quando a Guarujá ainda era um serviço de alto falantes, em 1943 e o Dakir que também iniciou na rádio Guarujá um pouco depois, nessa época estava retornado de Laguna onde lançara o programa “A Hora do Despertador”, no início da década de 1950.
Sobre o Acy, só no site Caros Ouvintes há 32 referências, entre elas várias matérias que escrevi. Agora, com a proximidade da passagem dos 80 anos dele, espero que alunos e professores dos cursos de comunicação das universidades e faculdades da região da Grande Florianópolis tragam mais informações da sua vida profissional e que a mídia também se acorde para a relevância da memória do rádio e de sua gente como elemento da cultura local. O Acy nasceu em Florianópolis em 30 de agosto de 1926.
O Dakir Polidoro também mora no coração dos nossos Caros Ouvintes. No site o leitor encontra 19 referências. Em matérias recentes registramos a criação do Prêmio Dakir Polidoro de Imprensa pela Câmara de Vereadores da Capital e a homenagem da Prefeitura Municipal de Florianópolis que deu seu nome a um dos ambientes da Praça da Alfândega.

Adolfo Zigelli na coletiva de Carlos Lacerda, um dos líderes nacionais da UDN – União Democrática Nacional.

Adolfo Zigelli na coletiva de Carlos Lacerda, um dos líderes nacionais
da UDN – União Democrática Nacional.

Adolfo Zigelli, entretanto tem presença mais modesta neste site. O motivo talvez seja o fato de que além de colegas e amigos vivemos como irmãos e para completar, ainda somos compadres. Agora, entretanto, passados os 30 anos de sua morte física, é possível que eu esteja em condições emocionais de falar do notável profissional de comunicação que foi Adolfo Zigelli.
Primeiro episódio:
Narrador: (pausado e marcante, mas com ritmo) O momento é desafiador. As mudanças previstas para o novo programa são arrojadas para um tempo de ditadura e temerárias para um veículo juridicamente frágil como o rádio. Mas, a decisão está tomada. (Respira) Adolfo Zigelli faz anunciar pelas ondas médias e curtas da Rádio Diário da Manhã, na palavra de José Valério Medeiros:
Técnica: Roda áudio (Clique aqui para ouvir)
Narrador: (em cima do final de agravação: firme) O silêncio reinava na Capital naquele horário. Udenistas e pessedistas, agora na Arena ou no Mdb, paravam para ouvir o noticiário, as crônicas, os comentários. (Inflexão, sem respirar) Todos temperados pela ironia e irreverência sutis de Adolfo Zigelli.
Técnica: Roda passagem musical vibrante
Locutor: (Firme) Acabamos de apresentar o primeiro episódio da série Radiojornalismo de Vanguarda escrito e dirigido por Antunes Severo. Gratos pela atenção e até a próxima semana neste mesmo dia e horário.
:: Laudelino José Sardá, jornalista e professor, atual Coordenador do Sistema Integrado de Comunicação da UNISUL.
:: Raul Caldas Filho, jornalista e escritor.
:: Moacir Pereira, jornalista, professor e escritor, atual presidente da Associação Catarinense de Imprensa / Casa do Jornalista.
:: Pedro Ivo Campos, coronel da reserva e governador do Estado de Santa Catarina.
:: Arena – Aliança Renovadora Nacional, partido que dava sustentação governo Militar.
:: Mdb – Movimento Democrático Brasileiro, partido de oposição ao governo militar.
:: Para mais informações de cada personagem ou emissora acesse o site
www.carosouvintes.com e digite o nome na caixa “localizar” que fica à direita da tela na parte de cima. Digite “rádio”, por exemplo. Você terá 884 citações.
Fontes de referência:
:: Antunes Severo / Ricardo Medeiros: Caros Ouvintes – os 60 anos do rádio em Florianópolis. Insular / Casa do Jornalista, 2005.
:: Ricardo Medeiros / Lúcia Helena Vieira. A História do Rádio em Santa Catarina. Insular, 1999.
:: Moacir Pereira. Adolfo Zigelli – jornalismo de vanguarda. Insular, 2000.
:: Dóris Fagundes Hausen / Mágda Cunha (orgs.). Rádio Brasileiro – episódios e personagens, 2003. Antunes Severo. Vanguarda! – O que se faz, o que se diz, o que se pensa. Gente, notícia, opinião. P.133 a 149.


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