Radiojornalismo, ética e TV Digital – os destaques da semana

Hélio Costa... a TV analógica não existirá em cinco anos

Hélio Costa... a TV analógica não existirá em cinco anos

Na quarta feira, 28/10, deveria ter sido votada a proposta de emenda constitucional que torna novamente obrigatório o diploma para exercício do Jornalismo. A matéria deverá ser discutida e votada, nesta semana que começa. Há, no entanto, aspectos tão ou mais importantes que não foram avaliados como nos mostra Eduardo Ariente no “Portal da Imprensa”. Ariente é mestre em direito pela USP e professor de deontologia e legislação do jornalismo na Escola de Comunicação e Artes, também da USP.  “Se estivessem de fato preocupados com liberdade de expressão, iam mexer na questão do monopólio dos meios de comunicação, em concessão de rádio e TV e a participação de políticos nos veículos de comunicação.

Esse negócio de diploma é secundário. Não altera absolutamente nada. É perfumaria, bobagem. Há questões muito mais sérias para serem debatidas de que pouco se fala. Os efeitos disso são questões delicadas, como monopólios intactos e uma degradação e precarização da regulamentação dos profissionais de comunicação. Querem legitimar a desregulamentação da profissão à custa da ausência de pagamento de direitos trabalhistas.

Estamos muito acostumados a exigir ética do jornalista, do indivíduo. Deveríamos começar a cobrar isso dos veículos. E se é para discutir ética, porque eles não começam a dar o exemplo regularizando o direito trabalhista? Fazer o Ministério Público do Trabalho começar a mover ação contra as empresas de modo que parem de contratar profissionais sob o manto de Pessoa Jurídica, como se fossem meros prestadores de serviço. É fraude. Não se pode terceirizar a atividade fim da empresa. Mas o mercado de trabalho para os comunicadores está tão difícil, que esses profissionais se submetem a essas circunstâncias. Os grandes meios de comunicação se beneficiam de leis que têm de ser modernizadas. Eles fazem o que querem, e o governo não toma medidas eficazes”.

Já o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da inauguração do núcleo de novelas da TV Record no Rio de Janeiro. Lula afirmou que a empresa ligada a Igreja Universal do Reino de Deus sofre preconceito por parte do resto da mídia brasileira. O mandatário disse também que deseja ver “outros canais competindo para que aumente o acesso à informação e à cultura no Brasil”.

É bom lembrar que, quando se instalou na Bahia, a IURD agrediu e desrespeitou manifestações culturais locais, incluídas na constituição baiana de 1989 que é a religião e cultura afro-brasileira. Foi e continua sendo, uma das maiores manifestações de preconceito de um meio de comunicação contra usos e costumes de uma sociedade. Creio que muitos estão lembrados também do religioso dessa denominação que agrediu publicamente, aos socos e pontapés a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Mas, enfim, acho que o presidente não sabe disso também.

Por seu lado o Ministro das Comunicações Hélio Costa concedeu entrevista segunda feira passada, na REDE TV para o jornalista Kennedy Alencar. Ele disse que a TV analógica não existirá em cinco anos por não ter “ambiente na convergência digital”. Ele também disse que a TV digital é uma sobrevida para o meio de comunicação na era da internet. O ministro, que também é jornalista disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “foi feliz” ao declarar que “o papel da imprensa não é fiscalizar, é informar”. Segundo Costa, o presidente “conseguiu expressar o que a grande maioria das pessoas que estão numa função pública sente no momento”.

Realmente muito conveniente para quem exerce função pública não ser muito fiscalizado. Mas, não é o que pensa Joshua Benton, da Universidade de Harvard que participou do 3° Seminário Internacional de Jornalismo Media On, em São Paulo. Para ele o papel do jornalismo de investigar o poder público continua fundamental. Ainda que haja capilaridade de informações nas redes sociais estas jamais substituirão o papel do jornalismo investigativo, uma exigência do público americano, por exemplo, e que não pode deixar de existir em qualquer país democrático.

Na semana passada fiz alguns questionamentos sobre o futuro do rádio, suas alternativas e soluções.

Nesta semana consegui algumas poucas respostas interessantes, buscando informações sobre os eventos que serão realizados no Brasil para tratar do assunto.

Um desses eventos acontece nesta terça feira, 30 de outubro. Curitiba vai sediar o “IV Seminário Internacional de Radiojornalismo”, realizado por Imprensa Editorial. O radialista Milton Blay, da Band News, que trabalha em Paris participará do evento por meio de vídeo-conferência e vai comentar sobre a capacidade do rádio de aproximar culturas, acontecimentos e pessoas de qualquer lugar do mundo.

Milton Blay

Milton Blay

Blay concedeu entrevista ao “Portal da Imprensa”. Ele diz: “A instantaneidade, que é sem duvida uma das características e vantagens do radio. É extremamente excitante para um jornalista dar uma informação em primeira mão. O problema é que a notícia sai crua, sem verificação, sem perspectiva. O correspondente internacional, como qualquer outro jornalista, é vitima da obrigação do furo, da briga para ser o primeiro. Mesmo porque, se ele não for o primeiro, cinco minutos depois a noticia já terá dado a volta ao mundo. É o reino da quantidade e do imediatismo em detrimento da qualidade.

O mundo da reportagem deu lugar ao Twitter. O rádio ainda consegue manter o improviso. O improviso e a interação, como a mobilidade, são algumas das principais características do rádio, que fazem dele uma mídia única. Esta é a grande força do rádio, o único veículo em que você conversa com seus interlocutores, âncora e ouvinte… E é essa proximidade que torna o trabalho compensador.

Lúcio Mesquita

Lúcio Mesquita

Outro palestrante será Lucio Mesquita, atual diretor regional da BBC para rádios e sites locais, responsável por quatro emissoras. Ele também concedeu entrevista ao “Portal da imprensa”. Vejam o que ele pensa: “O jornalismo no rádio não deve sofrer muitas alterações. Mas talvez o nome adequado para a atividade agora seja “audiojornalismo”. O desafio maior, principalmente no tocante ao modelo econômico do rádio, é não só entender a convergência, mas conseguir transformá-la em vantagem para sobreviver. No momento, emissoras de rádio tradicionais estão tendo que buscar formas de adaptação do modelo comercial na internet para manter ou expandir a audiência e manter receita.

Com as mídias digitais e outras plataformas o rádio pode e deve ser um dos grandes beneficiados por um motivo muito simples: foi o rádio que ‘inventou’ a interatividade em meios de comunicação. Afinal, até recentemente, a única forma prática de interatividade era o telefone e o rádio sempre explorou, e bem, o uso da telefonia fixa para obter informação e interagir com o ouvinte. É importante saber utilizar as novidades tecnológicas para beneficiar a audiência. Várias emissoras e programas da BBC utilizam as chamadas mídias sociais para interagir e/ou criar conteúdo adicional para o público”.

É isso.

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