RC 16 – Lição Invertida: a Auto-Entrevista

Caros ouvintes, hoje temos um Rádio Criativo número par, dia bom para trazer aqui os conselhos de uma figura tradicional no rádio, aquele veterano que acha que sabe tudo, dando dicas para um novato na emissora, um foca aprendiz. Ouçamos o papo.
Por José Predebon

Foca aprendiz: Mestre, ensina-me, como se faz uma boa entrevista radiofônica?
Veterano sabetudo: Meu jovem, entrevista é boa mesmo quando você a aproveita bem, e consegue fazer uma auto-entrevista.
Foca: Como assim, meu mestre, que é auto entrevista?
Veterano: Explico. Auto entrevista é aparentemente uma entrevista normal, só que nela o entrevistado vai sendo colocado em segundo plano, pois suas respostas são habilmente usadas pelo entrevistador para, comentando-as,  dizer o que ele próprio pensa, além de ir preparando as perguntas seguintes, que na verdade conterão mais colocações suas.
Foca: E qual é a finalidade dessa auto-entrevista, mestre?
Veterano: Ora, auto-entrevista é uma promoção deliciosa para massagear nosso ego, ou então para impressionar aquela pessoa que a gente está dando em cima, ou ainda para mostrar aos colegas quem somos e como merecemos respeito, ou, finalmente, para aumentar nosso espaço, já que somos nós que estamos com o microfone, e a mídia nãso é pra quem quer, náo é casa da mãe Joana.
Foca: Estou entendendo. E o que é mais importante na auto-entrevista?
Veterano: Fica claro a quem é inteligente que na auto-entrevista as perguntas são a parte principal, pois contêm as nossas idéias, e não devem em caso algum ocupar menos tempo do que as respostas do entrevistado. Se este inadvertidamente se estender em alguma resposta, usa-se um dos momentos em que ele pára de falar para respirar, e agilmente abre-se um parêntese com uma observação do tipo “sim, claro, certo, e por falar nisso, vamos lembrar que…”. Para os ouvintes, fica tudo normal, mas o nosso olhar rápido ao relógio no pulso, e o subsequente olhar grave ao entrevistado mostra a ele que cometeu uma gafe ao se alongar, e dali pra diante precisa se conter. Tem mais, meu caro, sua carreira sempre vai depender de você, por isso saiba aproveitar todas as ocasiões. No caso da auto-entrevista, lembre-se de que o entrevistado deve ser importante mas não demais, a ponto de desaconselhar sua interferência. Se você estiver entrevistando o papa, por exemplo, deixe suas opiniões para outra hora, para não parecer impertinente. Melhor é empurrar esse tipo de entrevista para algum colega.
Finalmente, procure fazer a entrevista longe dos assessores da pessoa entrevistada, e sempre que possível, em local onde seja difícil o entrevistado dar as costas e ir embora.
Como exemplo, diremos que uma auto-entrevista ideal seria feita por você com uma pessoa que estivesse viajando como convidada no avião do dono da emissora, e só com você ao lado. Entendeu tudo? Só faltou eu falar como antes da auto-entrevista a gente também deve aproveitar a parte dos preâmbulos que toda matéria oferece, coisa que em uma próxima oportunidade vou explicar a você.
Foca – Oh, mestre, como posso agradecer? (técnica, encerra rápido)
(LIÇÃO  2 – PREÂMBULOS MIL; LIÇÃO I3 – EUFEMISMOS E SILOGISMOS)


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Por José Predebon

Publicitário, jornalista e escritor. Poeta nas horas vagas. Criativo, tranquilo e ponderado, depois de uma intensa e longa atuação como publicitário é professor e conferencista tendo como tema a criatividade. Escreveu os livros Criatividade, Criatividade hoje, Curso de Propaganda e Propaganda – profissionais ensinam como se faz.
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