RC11 – Criatividade, mas…

Alô, queridos ouvintes, contumazes ou aleatórios. Hoje, rádio criativo número impar, é dia de falar menos bobagens. Então trago um assunto para mim recorrente, que é muito levantado nas escolas, nas salas de visita, nas emissoras de rádio e nos bares, e se caracteriza pela observação “sabe, eu não sou uma pessoa criativa”.
Por José Predebon

Quando ocorre isso, eu primeiro afirmo que todos nós nascemos criativos, e a prova disso é que nós concordamos que as crianças são criativas. Acrescento que, claro, alguns são mais criativos que outros, de nascença, mas que isso não pode ser medido, a não ser pelo comportamento, isto é, pela aplicação. A ciência não tem (nem prevê ter) forma alguma de medir a criatividade, mesmo na presente era do mapeamento do cérebro.
Também aduzo (hoje é dia de usar palavras descotidianas) que o ambiente determina o grau de bloqueio que cada um de nós terá. Mas, atenção, eu aprendi ultimamente uma grande lição do mundo, e faço questão de disseminá-la: criatividade não é a grande virtude, não é obrigatória! (técnica, por favor, acorde grandioso, câmara de eco, que eu vou repetir) “criatividade não é obrigatória!
E para defender isso, principalmente entre meus alunos, preocupados com suas carreiras, escrevi um texto que saiu na revista Exame, sob o título de “Você não precisa ser criativo” e que aqui transcrevo na sua essência.
A empresa, que usa criatividade para inovar, hoje quer que você seja inovador, não necessariamente criativo. Vamos ver a diferença de uma condição da outra, refletindo a partir do fato de que as empresas necessitam de criatividade para inovar pois só assim mantêm-se vivas.
Apesar de isso ser notório, há aí um detalhe importante que só ultimamente tem sido notado: é que todas as pessoas da organização, criativas ou não, precisam estar inteiramente envolvidas com a inovação, para não se transformar em problemas.
Quem apenas se conforma com a mudança, ou se adapta, sem vivê-la com o coração, acaba não contribuindo para o processo do qual participa. E isso explica o comum fracasso das tentativas de inovação.
Bem, agora é preciso defender a afirmação aparentemente contraditória do título deste texto. Como é possível participar de um conjunto criativo, sem criatividade?
Quem afirma que integrantes de uma organização criativa não precisam exercer a criatividade são os que pesquisam a inovação no mundo atual. De repente, eles vêm com uma tese nova: hoje a criatividade é refém das mentes organizadoras. Sem estas, aquela não funciona, e por isso a pessoa dita “não criativa” está ocupando um importante lugar – que nunca tinha perdido, mas que andava sendo questionado, com todo mundo deificando a criatividade. (…)
A inovação, filha da criatividade, descobriu que hoje tem como pai o sistema de implementação de processos. E daqui para frente será sempre assim, efeito das crescentes variáveis do contexto. Ciência e tecnologia põem no ambiente cada vez mais complexidade, e sua administração tornou-se sabedoria vital.
Na organização passa a prevalecer um princípio de ação conjunta entre a inovação e a organização. (…)
As empresas hoje, ainda que bastante presas aos vícios do sistema de comando e controle, típico da era cartesiana/mecanicista, procuram agora dinamizar a cultura existente para criar dentro de si a aceitação, procura e uso da inovação.
Essa mudança de valores e práticas não é fácil e nem sempre suficiente, pois além de cultivar as idéias novas, é preciso dispor da competência administrativa para a sua aplicação – o lastro da realidade.
É exatamente dessa contingência que vem agora a valorização do espaço para as mentes organizadoras participarem da inovação. Elas tornam-se cada vez mais imprescindíveis, pois o processo necessita de todos.
Realmente, seja qual for a natureza da pessoa, mais criativa ou mais organizadora, para ser útil ao conjunto ela hoje precisa fugir da acomodação das rotinas, mesmo as eficientes, e manter uma atitude aberta ao novo, ainda que ele não se mostre confortável.
Ouvintes que estiverem interessados, pensem no assunto. Eu fico por aqui, já que, como diria o colega colunista Donato, “não dá para ficar a não ser onde se está”. Até o próximo programa! (técnica, acorde de encerramento)


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Por José Predebon

Publicitário, jornalista e escritor. Poeta nas horas vagas. Criativo, tranquilo e ponderado, depois de uma intensa e longa atuação como publicitário é professor e conferencista tendo como tema a criatividade. Escreveu os livros Criatividade, Criatividade hoje, Curso de Propaganda e Propaganda – profissionais ensinam como se faz.
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