Recordar não é só viver, mas a prova de que continuamos vivos!

Pretendo contar aqui neste espaço algumas recordações dos primeiros momentos da televisão em Santa Catarina, e na semana passada escrevi sobre o período de caráter experimental da TV Coligadas, a pioneira, sediada em Blumenau. E lá se vão 39 anos desde que tudo isto aconteceu.
Por Carlos Braga Mueller

Mas, antes de seguir escrevendo sobre o pioneirismo da Coligadas, permitam-me falar de alguma coisa mais antiga ainda na minha vida e ligada ao rádio.
Corria o ano de 1954 e eu fui passar férias em Jaraguá do Sul. O gerente da rádio de Jaraguá era o escritor e intelectual Augusto Sylvio Prödhel, amigo do meu pai. E graças a isso eu acabei sendo “aceito” como aprendiz de locutor durante julho daquele ano, mês das férias escolares (eu estava com 14 anos e estudava em Blumenau, no Pedro II).
A Rádio Jaraguá, ZYP-9, “uma voz amiga em seu lar”, já possuía um profissional no seu casting: era o Ademir Ramiro, nome de guerra de Ramiro Gregório da Silva. E foi com ele, com o Antoninho e outros que eu dei os primeiros passos, logo engatados em agosto na PRC-4 Clube de Blumenau, quando retornei das férias.
Há cerca de duas semanas o “Caros Ouvintes” fez uma bela crônica homenageando os 56 anos de rádio de Ramiro Gregório da Silva.
Mandei minha homenagem ao antigo colega, através do site e qual não foi minha surpresa quando no dia seguinte recebi um telefonema:
– Sabe quem está falando?
Imaginei mas não adivinhei. A voz continuou:
– Você não é o Charles Neto?
Este era meu pseudônimo em rádio há 50 anos. Aí “caiu a ficha”! Do outro lado da linha era ele, Ramiro, o colega de mais de 50 anos de vivência radiofônica.
E a conversa trouxe à tona muitas recordações. Falamos sobre a Rádio Jaraguá daqueles tempos; do acordar de madrugada para colocar a emissora no ar cedindo, cedinho, às seis da manhã.
E lembramos-nos do cafezinho gostoso, com os grãos moídos na hora, que a mãe do Antoninho servia à rapaziada que ia buscá-lo em casa.
Ramiro depois trabalhou nas Emissoras Coligadas no Vale do Itajaí. Foi locutor da Difusora de Blumenau. Na Clube apresentávamos em dupla o programa “Cine Atualidades”. Depois implantou e dirigiu por um bom tempo a Rádio Clube de Gaspar (que acaba de completar 50 anos). Assestou então sua carreira em direção a Joinville, onde consolidou o merecido sucesso.
Hoje em dia ele é diretor executivo da Aquarela FM, de Barra Velha, uma emissora jovem e “light”, tanto quanto todos nós, da velha guarda, mas que gostamos de dizer:
– Recordar é viver!
Mesmo porque, com os cabelos embranquecendo, não nos descuidamos de acompanhar os avanços da tecnologia em todos os campos.
Na semana que vem, prometo, falo dos tempos pioneiros da televisão catarinense.


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Por Carlos Braga Mueller

Radialista, jornalista e escritor. Iniciou fazendo locução e radiojornalismo na Rádio Clube de Blumenau. Também pioneiro na televisão, foi o primeiro apresentador de telejornalismo na TV Coligadas, atual RBS TV de Blumenau. Articulista, escreve sobre os meios de comunicação em SC no blog do Day e no site Caros Ouvintes.
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