Reflexões sobre a informação na era da internet

Geisy Arruda

Geisy Arruda

A propósito do contínuo debate sobre a necessidade ou não de ter diploma para exercer a atividade jornalística vou aqui fazer uma pequena reflexão sobre a atividade da informação nestes tempos que correm. A conhecida e famosa “Rádio Peão”, se modernizou e se globalizou, com suas virtudes e erros.

Se num passado recente tivemos um equívoco histórico (de jornalistas diplomados) no caso da “ESCOLA BASE”, em S.Paulo o ocorrido há algumas semanas numa Universidade de São Bernardo do Campo também é emblemático na análise da informação através da Internet.

O vestido da polêmica

O vestido da polêmica

Jovens, empunhando seus modernos celulares, substitutos dos famosos “Canivetes Suíços”, que têm mil e uma utilidades, gravaram a perseguição e as ameaças a uma aluna da escola que, supostamente estaria vestindo uma roupa inadequada e “provocando os meninos”, que reagiram violentamente, num paradoxo entre a moderna tecnologia e o comportamento medieval da horda de jovens.

Esses registros, mesmo grosseiros e desprovidos de qualquer técnica didática de jornalismo correram o mundo em algumas horas.

A internet, com seus imensos recursos, amplificou de maneira desproporcional à importância do fato.

Mais preocupante ainda foi o desdobramento na mídia convencional sobre tais registros, transformando um ato bárbaro em acontecimento universal, condenando ou reprovando a jovem e expondo a fragilidade da sociedade na manipulação desses novos meios de informação.

Com a divulgação pela rede mundial de computadores desse e outro fatos grotescos, o jornalismo mudou seu foco, fazendo de cada um de nós repórter do cotidiano, reeditando na INTERNET em muitos casos os piores programas sensacionalistas da televisão ou do rádio, numa demonstração inequívoca de que a humanidade não consegue evoluir na mesma proporção da tecnologia.

O que vimos foi o comportamento nazista, fascistóide e autoritário de jovens consumistas que não toleram o diferente, não suportam quem não pensa como eles. São hipócritas, egoístas e egocêntricos, agentes perigosos do novo jornalismo globalizado.

Ao contrário do que ensina a profissão, os “novos jornalistas” não demonstram qualquer intenção de informar, mas o de registrar o que está tendo a oportunidade de presenciar naquele momento com a crueldade de transformar o fato em espetáculo.

Não existe mais intimidade, vida privada, particularidades. A internet se transformou num temível chip que nos regula e comanda tornando-nos escravos da tecnologia. Quem não está dentro dessas novidades está inexoravelmente excluído do mundo atual.

Não pode haver nada mais trágico que a utilização banal dos sites de relacionamento que nos tiram a privacidade em troca do culto pessoal da mediocridade. Perdemos o lado humano mais sensível, que demoramos cinco mil anos para formar, destruído por uma sociedade que busca com ansiedade todos os objetos de consumo, máquinas moderníssimas, tecnologia de ponta, para exercerem suas idéias conservadoras, ultrapassadas e egoístas.

A nova inquisição é eletrônica e cibernética. Os fatos da Universidade de S.Bernardo do Campo são uma demonstração bem clara do nosso atraso intelectual diante do avanço da ciência tecnológica, mostrando como este instrumento pode se tornar perigoso se não aprendermos a utilizá-lo.

A mídia convencional, perplexa, apenas aproveita o sucesso desse novo conceito jornalístico e transforma a jovem aluna, epicentro de todos os acontecimentos, numa nova atração para poder vender seus combalidos jornais, revistas e até portais da internet, limitados ao convencionalismo de seus atônitos jornalistas formados.

E tudo isso aconteceu dentro de uma universidade, o que implica em saber se ela cumpre seu papel de formar bons profissionais.

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