Ricardo faz a Fofinha e entra no rádio com a benção de Paulo Brito.

Ricardo Medeiros começou a trabalhar numa rádio de verdade em 1985. Seu padrinho é o professor de rádio e de fotografia da UFSC, Paulo da Cunha Brito, o Paulo Brito que hoje está na CBN Diário. Um dia, ele indaga a Ricardo: “Negrão, a Rádio Cultura (que transmite futebol) está precisando de alguém para apresentar um programa antes da jornada esportiva e que faça também o plantão esportivo. Eu falei do teu nome para o Roberto Alves. Você topa?”.  “Topado”.
Por Antunes SeveroRicardo Medeiros, de afilhado do Brito acaba virando meu padrinho. Com ele estou aprendendo a pesquisar e, se der no pelo, quem sabe, também acabo escritor. Em agosto do ano passado ele me convida para escrever um livro contando a história do rádio em Florianópolis. Eis parte do e-mail de 02 de agosto de 2003:

“Eu queria te falar uma coisa: eu estou com uma comichão. E essa comichão aumentou quando eu vi os livros que você mandou. Traduzindo:… Eu tive a idéia de fazer uma parceria contigo. Juntos nós poderíamos fazer um livro, sobre a história do rádio em Florianópolis. Estamos com essa brecha ainda para explorar . A idéia está lançada. E agora durma com esse belo barulho. Até mais, gente que gosta da gente. Do amigo, sempre alerta. Ricardo”.

Ele estava na França tocando sua tese de doutorado sobre radionovela e eu aqui, fazendo o projeto para uma tese de doutorado que mostrasse como se constrói a credibilidade da notícia no rádio. Nosso campo de trabalho era comum: a Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, o que mudava era o tipo de assunto. Eu já andava meio cabreiro, com aquelas questões dialéticas indigestas como tese, antítese e síntese. Mas, continuava trabalhando com o apoio dos professores Carlos Mussi e Eduardo Meditsch.

A idéia teve uma reação fulminante. Bastou uma rápida consulta à família e no dia seguinte já estávamos trabalhando.

Mas, quem é esse cara capaz de coisas tão extraordinárias?

O jornalista e escritor Ricardo Medeiros nasceu em Joaçaba no dia 4 de setembro de 1963. Durante parte dos anos 1960 e 1970, viveu com a família em Florianópolis. É na Capital que ele entra em contato mais diretamente com o rádio. Junto com a mãe, acompanha as radionovelas – gravadas – transmitidas pela Rádio Diário da Manhã.

De retorno ao Oeste, na cidade de Herval D’Oeste, concluiu o ginásio e o segundo grau. A sua vinda em definitivo para a Capital catarinense, se dá a partir do ano de 1982, quando vem fazer o cursinho pré-vestibular  “Barriga Verde”. No ano seguinte, Ricardo é aluno da quinta turma de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. No ano de 1984, se une a dois amigos de curso, Maneca Mendes e Cacau Lino, para formarem uma rádio imaginária, a Rádio Fofinha, que no início é escrita com PH. Assim Rádio Phophinha.

Esta “rádio” é na pratica um programa de em forma de radioteatro que também foi exibido na televisão como se fosse uma peça representando no palco de tudo que se passa numa emissora de verdade. Tem radionovela, Hora da Ave Maria, programa musical para empregada doméstica e propagandas como a dos pirulitos “Ai que Bom” aquele que você chupa… chupa… chupa… ai que bom.

Foi a Rádio Fofinha que permitiu aos “fofos” integrarem em 1985 a campanha para prefeito de Florianópolis, do então deputado estadual Edison Andrino. Como a Fofinha é pé quente, o candidato se elege prefeito da cidade, após vários anos  de administradores indicados.

É também no ano de 1985 que Ricardo Medeiros trabalha numa rádio de verdade. Seu padrinho é o professor de rádio e de fotografia da UFSC, Paulo da Cunha Brito. Um dia, ele indaga: Negrão, a Rádio Cultura (que transmite futebol) está precisando de almguém para apresentar um programa antes da jornada esportiva e que faça também o plantão esportivo. Eu falei do teu nome para o Roberto Alves. Você topa? Topado.

Lá está o filho do seu Sebastião e de dona Margarida na Rádio Cultura. Mas o começo não é fácil. Num domingo, ele vai até os estúdios da Rádio Cultura para falar com Mário Alves Neto, diretor de programação da emissora. Mário, após lhe dar várias indicações, pede para o jovem Medeiros acompanhar atentamente a última participação na função do apresentador de programas e plantonista de Polidoro Sobrinho, irmão de Polidoro Júnior. No outro domingo será a vez de Ricardo Medeiros estar sozinho frente a frente com aquele instrumento: o microfone.

Como um pouco de reza não faz mal a ninguém, o garoto joaçabense pede ajuda a todos os deuses possíveis para agarrar aquela oportunidade de ser radialista. O coração bate forte, o garoto fica ofegante. A sua voz fica embargada. Mas não tem jeito, a luzinha vermelha indica que ele está no ar, que é hora de começar o “Preliminar”. O programa antecede a jornada esportiva e fica no ar até a equipe da Cultura assumir o comando da transmissão desde algum estádio onde estão jogando Avai ou Figueirense. Terminado o “Preliminar” Ricardo Medeiros assume o papel de plantonista, aquele que informa, sobretudo o resultado dos demais jogos do campeonato catarinense e loteria esportiva. Quando a rede balança, Medeiros pede para o operador “abrir” o microfone para dizer: Tem gol . Neste momento, o narrador espera que o jogue se acalme para devolver: Tem gol aonde Ricardo Medeiros?

O jovem Medeiros tem a oportunidade de conviver lado a lado com Paulo Brito, Roberto Alves, Gastão Dubois, Vicente Luís, Miguel Livramento, Hélio Costa, Polidoro Júnior, Toni Nicolas, Ronaldo Pedrini e com seu amigo de faculdade Carlos Eduardo, o Cacau Lino. Mais tarde toda essa equipe de esportes muda de prefixo, indo se instalar na Rádio Guararema. Ainda na área de esportes Ricardo Medeiros trabalhou na Rádio Guarujá, a emissora pioneira de Florianópolis. Tem o prazer de conhecer figuras como Nazareno Coelho, Mário Ignácio Coelho, Claudionir Miranda, Valmir Mattos, José de Alencar, Evaldo Luís, Adílson Sanches, e ele: Murilo José – o narrador da camisa amarela, Murilo José é também um grande incentivador de Ricardo Medeiros.

No setor de jornalismo, Ricardo Medeiros vira correspondente em Florianópolis da Rádio Líder do Vale, de Herval D’Oeste. Ele também vai integrar a equipe de jornalismo da ex Rádio Diário nos anos 1990.

Em paralelo à Diário da Manhã, Medeiros desenvolve igualmente um programa de rádio para a Prefeitura Municipal de Florianópolis: “Em dia com a Cidade”. Toda sexta-feira, o programa entra no ar, durante dois anos, em 8 emissoras da Grande Florianópolis. Como o mundo do rádio continua a fascinar o jornalista,  ainda nos 1990, passa a fazer parte do quadro de professores  da Universidade do Sul de Santa Catarina, Unisul, campus de Tubarão, durante quase cinco anos. Em 2000, acompanhado da esposa Vera e da pequena Gabriela,  deixa a Ilha  para ir para a França fazer doutorado na área de  radionovela. Voilá. Tudo acaba em rádio.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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