Ricardo Rádio Verde-Amarela

Reprodução do anexo de correspondência dirigida a Antunes Severo.
Ricardo – Todo mundo está de parabéns
 -O neguinho passa dos 40
 -Estudante brasileiro vira ator na FrançaRicardo– Está no ar a nossa Verde-Amarela.

Ricardo– Nós estamos de parabéns. Estamos comemorando exatamente hoje, dia 29 de agosto, quatro anos na França.

Ricardo– Foi em 2000 que nós chegamos nesta terra estranha, pelo menos para mim e para Gabriela (minha filha), que fazíamos nossa estréia na Europa.

Ricardo– Tantas coisas mudaram de lá para cá. Um exemplo concreto : estou quase sem cabelos. Sim, estou  com a cabeça «lateralizada», como diria o meu amigo Rubinho. Ou seja, cabelos ? Só nas laterais.

Ricardo– Hoje, eu e a Vera ficamos lembrando um pouquinho de nossa chegada «en France».  Ficamos contentes de estar por aqui. De ter vivido essa experiência tão rara para nós brasileiros, os tupiniquins. Nós nos sentimos como privilegiados e agradecemos a Deus por  esta oportunidade.

Ricardo– Em breve estaremos de volta à terra verde-amarela, mas estaremos com saudades também do pequeno e grande país que nos acolheu durante tanto tempo. Merci chers amis français (obrigado amigos franceses).

Ricardo– Falando em comemoração, em breve o neguinho aqui está completando 41 anos : dia 4 de setembro, sábado que vem. Que coisa, parece que foi ontem que eu sai de Herval D’Oeste para fazer faculdade de jornalismo em Florianópolis.

Ricardo– Dentro da sessão “ah, eu esqueci de contar pra vocês », vai aí um breve relato de minha experiência teatral en France.

Ricardo– Uma vez eu contei pra vocês que estava fazendo um curso de teatro, vocês lembram ? Pois bem, agora eu sou um ator. Formado no centro social de meu ex-bairro, o Sablons. Durante quase 6 meses Ricardinho esteve tratando do seu lado artístico juntamente com moradores da região. Éramos 8.

Ricardo– Após algum período de experimentações, decidimos de ao invés de encenar uma peça dedicarmos nosso tempo a esquetes.

Ricardo– Eu, juntamente com duas amigas- Rose Marie Joanna- encenamos «La Dernière Répétition», ou seja «O Último Ensaio». Eu fiz o papel de um produtor de televisão, Rose Marie o de « a desesperada » e Joanna o de « apresentadora ».

Ricardo– O esquete conta de forma humorada o ensaio do suicídio ao vivo, pela televisão, de uma senhora, denominada « A desesperada ». Para tanto, foram designados um produtor  e uma apresentadora para organizarem este evento inusitado.

Ricardo– O canal de televisão tinha inclusive conseguido vários patrocinadores para esta transmissão. Entre os patrocinadores estavam enumeradas várias empresas funerárias,  uma fábrica de  automóvel e uma multinacional de produtos de beleza.

Ricardo– Nos primeiros momentos do ensaio da morte da “desesperada”, tudo corre bem. No entanto é criado um impasse a partir do momento que a suicida decide uma morte por bala. A produção não está de acordo. O produtor havia planejado um suicídio por enforcamento.

Ricardo– Como argumentos favoráveis a esta idéia, o produtor  diz que “desta forma causaremos mais impacto junto ao público e teremos mais audiência ». Um outro argumento apresentado é que a morte por bala seria muito rápida e com isso os anunciantes ficariam furiosos com a TV, visto que os patrocinadores estavam investindo “pesado” neste evento mortal e que gostariam que ele ficasse no ar durante muito tempo.

Ricardo– Foi difícil conseguir a “desesperada” mudar de modus operandi. Mas ela mudou.

Ricardo– Este esquete e outros da nossa troupe foram apresentados em dois locais. Um deles foi no próprio centro social do Sablons e o outro foi nas dependências de um prédio que abriga um cinema alternativo da cidade de Le Mans.

Ricardo– Quanto a alguma proposta de trabalhar como ator de cinema ou em televisão aqui na França, ela ainda não apareceu. Dei um prazo de até 25 de outubro para recebimento de propostas. Em caso negativo, volto pra o Brasil para tentar uma carreira artística « nesta terra que me viu nascer ».

Ricardo– um beijo em todos.

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Por Ricardo Medeiros

Doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans, França). Radialista, jornalista, escritor e professor de rádio do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina e assessor de imprensa da Prefeitura de Florianópolis. É um dos fundadores do Instituto Caros Ouvintes.
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