Riobério e o caos

Riobério só podia ter simpatia por taxistas. Foi o que pensaram quando ele usou de suas relações com os astros para desarticular toda a teia de deslocamentos na cidade. Foi um salseiro, ninguém mais se entendia, era uma mescla de lamentações com impropérios, e nada de o mago de última hora desfazer a maldade que causou, sabe-se lá com que fins, a milhares de munícipes ingênuos e desarmados. Foi aí que entraram em cena os sujeitos que dirigiam os chamados “carros de praça”. Eles passaram a ser mais solicitados, tiveram problemas para dar conta da demanda, enfrentaram um nível de estresse acima do comum. A compensação era no bolso, porque a receita crescia na medida em que o trabalho quintuplicava na região.

Nunca se soube ao certo se Riobério embolsou algum com esse boom taxístico, porque os tempos eram de eleição e, nessas horas, dinheiro nunca é demais. A suspeita é de que ele, fora do páreo, apostaria todas as fichas em algum capataz que lhe servira nos anos de dureza. Os astros recomendaram parcimônia, porque qualquer deslize colocaria por terra a sua reputação de negociador, aliás, de cooptador de mentes naquele aprazível recanto de Deus.

Para os moradores, sobravam queixas com a condução, e também com o esquecimento progressivo que tomava conta de Riobério, capaz de colocar num baú os males que grassavam nos mais inexpugnáveis cantos de seu paraíso. Os amigos poderosos mereciam atenção irrestrita, adulação e reverências, e com eles nosso herói dividia algumas sessões de boa bebida. Os outros viam os rios desbarrancando, levando estradas e moirões, sem qualquer providência.

Foi quando a população, enfadada com aquelas práticas inomináveis, deu o troco num plebiscito de participação recorde. Nem as táticas pouco convencionais de convencimento evitaram o pior. O prestígio de Riobério desabou, e seus métodos de submissão dos menos esclarecidos esbarraram numa mobilização que lembrou, mal comparando as proporções, os caras-pintadas de 20 anos atrás.

Personagem difuso, inconsistente, esse Riobério, diriam os que me leem. Sim, porque ele até agora não tem cara, nem alma, apenas uns vestígios de personalidade que não dariam vida sequer a um figurante de novela mexicana.

Meu argumento é de que não vale a pena investir tutano nessa figura, que teve dias de glória e que agora voltará ao cafofo de onde saiu, há poucos anos, para dar vezo a uma vaidade de salão, carregando junto a parentalha oportunista – tudo alimentado por aspones sem escrúpulos.

Paulo Clóvis | Editor Opinião | Jornal Notícias do Dia | 48 – 3251-1437

skype:paulo.clovis | twitter: pc_ND | Florianópolis – SC

 

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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