ROBERTO ALVES: “LEVANTA! LEVANTA ESSE MICROFONE AÍ”

O Roberto Alves nestes cinqüenta anos de comunicação viveu muitos momentos de emoção. Mas, nada por certo, tão emocionante como naquela noite de 12 de maio de 1986 quando o soldado Sílvio da PM de Santa Catarina, revolver apontado para a cabeça invade o estúdio e determina: “A televisão vai ficar no ar! Ninguém vai tirar a televisão do ar. Quero a televisão no ar!”.
Por Antunes Severo

“Levanta! Levanta esse microfone aí!” A frase dita por Roberto Alves foi dirigida ao radialista Hélio Costa que segurava o microfone para o invasor falar.
O episódio ocorrido durante a transmissão do pograma esportivo Terceiro Tempo levado ao ar pela TV Cultura de Florianópolis a meia noite das segundas-feiras, é bastante conhecido. Aliás, é com esta ocorrência que a então estudante de jornalismo Geórgia Borin abre o livro que escreveu como trabalho de conclusão de curso sobre Roberto Alves.
O livro de caráter biográfico, ainda inédito, foi escrito em 1999 sob a orientação da professora Aglair Bernardo com o título de Roberto Alves: o homem do gol.
Destaco este tema por duas razões: a primeira é a homenagem que em nome do Instituto Caros Ouvintes prestamos ao profissional exemplar e a figura humana extraordinária que é o Roberto; e a segunda, é a cobrança que de público fazemos para que o livro seja publicado ainda neste ano de tão gratas comemorações.
O livro é de se ler de um fôlego só. A estrutura concebida pela autora intercala os assuntos com grande habilidade e o texto da melhor qualidade jornalística associado ao estilo peculiar da autora, fazem do livro um acontecimento especial para a tão rica e tão pouco divulgada memória da historiografia catarinense.
Pra terminar, uma “canja”, tás compreendendo?
Como diz o próprio Roberto, esta homenagem não poderia terminar sem pelo menos uma das “saídas fulgurantes pelo seu próprio brilho”. Como esta que aparece no episódio Aos 45 do Segundo Tempo, narrada por Geórgia Borin, autora do livro e que acompanhava Roberto durante a realização do jogo:
– É o Clésio! É o Clésio!
A notícia corre de boa em boca.
– Foi ele. Sortearam ele.
E cada um anota no seu caderno, na sua folha, na mão, onde for. Repórteres, locutores, apresentadores, comentaristas, parente que foram assistir a transmissão das cabines de imprensa, todo o mundo comenta o sorteio do juiz (árbitro) que vai apitar a partida da final do Campeonato Catarinense de Futebol entre os dois times da capital, Avaí e Figueirense.
Rivalidade antiga. Ainda mais na final. Orlando Scarpelli lotado, 21 mil pessoas nas contas de Roberto Alves, 25 mil nas contas dos jornais. A final é no estádio do Figueirense. Preto e branco por todos os lados, exceto naquela pequena fatia reservada ao adversário, que é azul.
O torcedor grita, se desespera, o jogo ainda nem começou, mas já tem gente falando mal do juiz, antecipando críticas a uma possível falta que não será marcada, ao pênalti “claro” que será desconsiderado.
– O Clésio, é?
A admiração do Roberto vem com legenda para leigos:

– O Clésio Moreira dos Santos. Famoso Margarida. Virando-se para Geórgia:
– Conheces?

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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