Roberto Alves, o seu futuro estava no rádio

Por Paulo Brito

Nasceu em Florianópolis, em 8 de março de 1941. De aprendiz de sonoplasta a cronista esportivo multimídia.

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“Eu chegava e saia para trabalhar, lá estava ele, em frente da casinha onde morava, no Beco. Era a primeira casa na boca da rua. Não tinha como desviar ou fugir. Todos os dias o Roberto Alves vinha me pedir para ir junto. Queria porque queria ir comigo, para ficar lá na Rádio Guarujá? olhando tudo, enquanto eu trabalhava. De tanto pedir, de tanto insistir, concordei”. Quem conta é Onélio Rodolfo de Souza, vizinho de Roberto e técnico de som, operador e sonoplasta na Rádio Guarujá?. Numa noite de segunda-feira, em março de 1957, Onélio finalmente cedeu. Na emissora, Roberto ficava apenas olhando o que Onélio fazia. Foi aprendendo. Foi ficando. Aprendeu um ofício.

“O Beto se colocava atrás de mim” – lembra Onélio, e “ia fazendo as perguntas de como funcionava. Eu respondia”.

Roberto ganhou a confiança de Onélio e começou a operar a mesa. Aos poucos ganhou novos amigos na rádio e passou a substituí-los quando estavam de folga. Não demorou muito e acabou contratado pela rádio Guarujá no dia 1º de abril de 1957.

Roberto Alves acreditou que o seu futuro estava no rádio e aprendeu todo o seu ofício observando os outros. Ele ainda não sabia que estava transformando tudo o que aprendia numa profissão. “O percurso profissional no rádio era esse: o cara entrava como assistente, passava a operador da mesa, a sonoplasta e, finalmente, a locutor. Era a glória”.

De sonoplasta virou locutor, mais tarde repórter e, com o tempo, comentarista esportivo.

Do rádio acabou na televisão. O primeiro programa televisivo que Roberto Alves apresentou, a partir de 1970, foi o Bola em Jogo. O programa esteve no ar por 27 anos, enquanto o radialista permaneceu na TV Cultura (Canal 6, de Florianópolis).

No dia 12 de janeiro de 1998, Roberto Alves estreou na RBS TV, em Florianópolis, participando do quadro esportivo do “Jornal do Almoço”. E no dia 19 de janeiro de 1998, também passou a integrar a equipe da rádio CBNDiário, igualmente do Grupo RBS, na capital catarinense.

O novo projeto da Rádio CBNDiário deveria sustentar-se nas jornadas esportivas e no programa “Debate Diário”, que iria ao ar do meio-dia às 14 horas com a ancoragem do Roberto Alves, contracenando com Marcelo Fernandes, JB Telles e Paulo Brito.

Os primeiros programas do “Debate Diário” foram sob a orientação de Carlos Wanderley e a direção de Claiton Selistre, produzindo mais um capítulo da história do rádio na Ilha. Com o tempo, Carlos Wanderley descobriu uma faceta de Roberto Alves que ele desconhecia. “Ele não se nega a atender um só? pedido de trabalho. Está sempre pronto. É incrível como ele gosta de trabalhar. Você? liga o rádio às 14 horas, em um domingo e lá está ele comandando a equipe. Você? volta a ligar depois do jogo, às 20 horas e lá está o Roberto Alves apresentando o programa “Terceiro Tempo”, falando com os ouvintes, interagindo com o “Tarrafinha”, trocando comentários com os companheiros e ainda lhe resta tempo para escrever os textos que são publicados????????? numa coluna que mantém no jornal Diário Catarinense, desde a Copa do Mundo da França, em 1998”.

Quem não gostaria de ter um profissional assim? Era o que faltava a Roberto Alves – trabalhar em jornal – e ele conta como aconteceu: “Desde que voltei da Copa da França em 1998, o (Cláudio) Thomas começou a me convidar para escrever no DC. Relutei. Então eles me chamaram outra vez e outra vez e me disseram que a turma da Editoria de Esportes me ajudaria nessa “adaptação”.

Roberto, então, negociou facilidades por causa dos compromissos que tem com a RBS TV e com as transmissões esportivas da CBNDiário, da qual é o comentarista esportivo número um. A direção do jornal aceitou as condições, e Roberto estreou no Diário Catarinense no dia 9 de março de 2000. “Hoje é bem diferente de quando escrevia no Jornal de Santa Catarina. Eu posso mandar meus textos diretamente do estádio, de casa ou quando estou em outra cidade, viajando a serviço, uso o telefone celular e um laptop. É muito mais fácil agora do que antes”.

Referência:

BRITO, Paulo José da Cunha. Dás um banho – Roberto Alves, a cidade, o rádio e o futebol. Florianópolis: Insular, 2010.

?????Enciclopedia  Rádio Esportivo Brasileiro. Santa Catarina, página 305.

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