Ruy Castro conta a história da brasileira mais famosa do século 20

Pense em Gisele Bündchen. A imagem da über model brasileira está em todo lugar, de Nova York a Tóquio. O mundo inteiro a conhece.

Agora volte seis, sete décadas no tempo e tente imaginar que nos anos 40 e 50 houve uma brasileira que teve fama comparável à que Gisele desfruta hoje. E que tinha também o “chica-chica-bum”: esbanjava malícia, sensualidade e graça; cantava com as mãos, os olhos, os quadris e os pés.

Carmen Miranda – a “pequena notável” – atingiu a consagração internacional como atriz e cantora ao estrelar musicais de Hollywood como “Entre a Loura e a Morena”, “Serenata Tropical” e “Uma Noite no Rio”. Chegou a ser a atriz mais bem paga dos EUA. Foi acusada de renegar o Brasil. Viveu uma vida plena com final trágico. Até hoje, sua imagem com uma cesta de frutas na cabeça e balangandãs sobre o peito permanece como um ícone poderoso do Carnaval.

A fascinante – e conturbada – trajetória da brasileira mais famosa do século 20 é narrada em detalhes no premiado livro “Carmen: Uma Biografia” (Companhia das Letras, 2005), vencedor do prêmio Jabuti 2006 de “melhor biografia” e “melhor livro de não-ficção”, escrito pelo jornalista e escritor Ruy Castro.

O relato de Castro – também autor das celebradas biografias de Garrincha e Nelson Rodrigues e colunista da Folha – é envolvente e riquíssimo em minúcias e revelaçoes de bastidores. Está tudo no livro: do nascimento de Carmen em Portugal à chegada no Rio ainda bebê; da infância na Lapa ao estouro no Carnaval com a marchinha “Taí (Eu fiz tudo pra você gostar de mim)”; do sucesso em Hollywood até a morte prematura aos 46 anos, vítima da carreira meteórica e do abuso de substâncias que massacraram seu organismo.

Noites sem fim

Castro trata abertamente dos problemas de Carmen com estimulantes, soníferos e seus excessos com o álcool. Revela ainda a intimidade dos relacionamentos da estrela, sobretudo seu namoro secreto com o produtor Aloysio de Oliveira, que não quis casar-se com ela, e o envolvimento com David Sebastian, o “biscateiro” acusado de ter sido o responsável por sua morte.

A narrativa revela que por trás da alegria da cantora de sucessos como “Tique-Taque do Meu Coração” e “O Que É Que a Baiana Tem” existia uma mulher real, adulta, muito mais complexa –e rica– do que sua imagem de estrela jamais deixou transparecer.

A trajetória de Carmen é acompanhada pela reconstituição primorosa do Rio de Janeiro dos anos 20 e 30 e da Nova York e da Hollywood dos anos 40 e 50 –época em que as noites não tinham fim para estrelas como Carmen. Castro resgata a história da música popular brasileira, da praia, do Carnaval, da juventude, da Rádio Mayrink Veiga, do Cassino da Urca, da Broadway, dos gângsters que dominavam os clubes americanos e dos bastidores dos estúdios de cinema.

| da Folha Online |

Carmen Miranda canta Aquarela do Brasil em ENTRE A LOIRA E A MORENA (“The Gang’s All Here”, 1943), um dos mais extravagantes filmes de Busby Berkeley. Produzido pela Fox.

 

2 respostas
  1. Alexandre says:

    Creio que a Sra. Carmen Miranda seja luso-brasileira e não brasileira.

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