Saber perguntar é dádiva de poucos

Quem não gosta de dar conta de algo que parecia ser impossível? E o que mais estimula você a fazer isso? Ou realizar uma atividade inédita, tomar decisões e assumir compromissos? É sempre bom lembrar quais são as nossas motivações, para que elas sejam renovadas. O desafio é constante, a vontade é que pode oscilar. Aí entra o papel importante da figura de um professor, daqueles que a gente nunca esquece. Os que sabem provocar um questionamento pessoal com apenas uma pergunta. Saber ensinar perguntar é característica rara e de nascença. Treino, só, não basta. Tem que entrar no jogo.

Caro ouvinte:

Você nem sempre tem algo a dizer na ponta da língua para todas as questões do dia a dia. Eu me vi diante de uma pergunta para a qual jamais havia pensado numa resposta prática. ‘o que mais a estimula a escrever essa coluna semanalmente?’ Me pegou de surpresa o Antunes, editor-chefe deste blog. Ocorre que, passados alguns dias, ainda estou pensando na resposta que gostaria de dar. E pretendo continuar tendo no que pensar a esse respeito.

Mas não é só isso. Tem outra coisa que ocupou minha cabeça na semana passada. A minha estreia prática como editora do projeto AcadeMídia, do qual fui personagem até o final do mês passado. Mas agora os papéis inverteram.

Fizemos uma visita, o Antunes e eu, à Unisul – universidade do sul de Santa Catarina – para encontrarmos a coordenadora dos cursos de jornalismo e publicidade, Daniela Germann. O professor Daniel Isidoro também participou da reunião. Foi proveitoso, apesar de me deixar desconfortável, de certa forma, pelo grau de intelectualidade e vocabulário rebuscado dos meus três interlocutores.

É estranho alguém recém saído da faculdade participar de uma conversa entre mestres. Me senti um peixinho fora d’água. Por outro lado, privilegiada por estar na companhia deles. Já estou incumbida de uma missão, que é formatar o presentation do AcadeMídia – documento que será apresentado aos professores como uma carta de boas vindas e apresentação do projeto. Esse é o próximo passo.

Agora, quero me ater aos detalhes que chamam atenção nas pessoas como Antunes, Daniela e muitos outros. Professores, especialmente. Eles têm um dom que eu adoraria copiar, no sentido de que conseguem perguntar de um jeito que nos faça pensar na resposta, antes de sair falando qualquer bobagem.

Talvez seja só treino, mas creio que é natural que já nasçam com essa característica, de saber ensinar, e para isso usam muitos artifícios, o questionamento é um deles. E poucos a tem, realmente. Nas salas de aula é possível encontrar diversos tipos de professores, e os que mais conquistam os alunos são os que sabem instigar. Incrível!

Já sei que daqui pra frente, muitos destes raros exemplares vão aparecer pelas minhas andanças no mundo acadêmico. Notícia boa que eu vou me sentir como se jamais tivesse saído da faculdade, pois terei uma aula a cada reunião como a que tive na última quarta-feira.

Encarar a editoria desse projeto, já posso concluir, será um desafio pessoal muito grande. Mas vamos em frente. Afinal, o grande prazer da vida é fazer aquilo que parecia impossível.

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