Sai Capuchon, entra Benito de Paula

Anos depois, Selgio Sacenti (saxofonista expert em jazz e acústica, ex-colega na Telesc) acena com a possibilidade de um programa de rádio, patrocinado pelo DCE da UFSC, na Radio Diário da Manhã, chamado “Informe Universitário”.

[ Por Márcio Santos ] 

Benito di PaulaO programa servia, como diz seu título, para informar os estudantes sobre assuntos pertinentes a Universidade e sobre músicos de uma maneira em geral.

Convidei o Miro para produzir a parte de rock e pop, enquanto eu lidava com a música brasileira e Sacenti com o jazz e a música erudita.

Em menos de um mês, por má vontade do apresentador Alberto Gonçalves, eu já estava também com a locução dos programas.

Cada noite, das 22hs a meia noite, era apresentado um artista ou uma banda ao público, com seu histórico e curiosidades, que pesquisávamos nas páginas de Variedades do Jornal do Brasil, nas revistas que colecionávamos e nos livros da Biblioteca Pública.

Depois de um ano, mudamos para a Radio Guarujá, no horário da manhã, como um quadro do programa de Oscar Berendt, o que não deu certo.

Enquanto isso, Zuvaldo ganha, em concurso televisivo, o direito de se apresentar em rede nacional no Programa Silvio Santos, convidando Reinaldo, Nilo Kachias e Erico para acompanhá-lo na apresentação. Ensaiam “Palavra Viva”, de Zuvaldo e, visando o mercado nacional, o quinteto compõe “Sobressaiu de Saia”, o que mostraria ser uma ótima idéia.

Usaram o nome “Capuchon” e seguiram viagem para São Paulo.

Naquela época, músicas de cunho religioso (o que depois veio a se chamar gospel nacional) não eram bem aceitas e “Palavra Viva” foi preterida na apresentação, quando então “Sobressaiu de Saia” fez grande sucesso.

Alfredo Borba, jurado do programa e produtor da Copacabana Discos convida-os para um teste, durante o qual a carência de outras músicas próprias ensaiadas pelo grupo os impedem de gravar.

Quando estão de saída da gravadora, notam um músico barbudo aguardando sua vez para um teste.

Alguns meses depois de seu retorno, passava pela Rua Felipe Schmidt com Kachias quando, em frente à antiga loja de discos “Az de Ouro”, começou a tocar um samba com o diferencial de um piano acompanhando, ao invés de violão e cavaquinho, e meu amigo parou e entrou na loja. Pediu para ver a capa do compacto simples que rodava e, para sua surpresa, era aquele mesmo cara que estava na sala de espera da Copacabana Discos para fazer um teste, proporcionado pela desistência do Capuchon: Benito de Paula e seu “Retalhos de Cetim”.

Resolvi lidar mais com a música local e me foi cedido o bar do DCE (antigo restaurante universitário do centro da cidade, na Rua Álvaro de Carvalho, onde anos depois se instalou uma academia de artes marciais).

Ali, promovi encontros de compositores, que apresentavam seus trabalhos nos fins de semana, das 21 às 23hs, terminando as noites com a famigerada discoteca, que havia se instalado como uma praga no nosso país (e no mundo).

Esses compositores, na maioria, universitários, com o termino dos festivais na Ilha, passaram a participar dos FUC (festivais promovidos pela FURB – Blumenau) e careciam de um espaço para ensaiar e apresentar seus trabalhos. Por ali passaram Alisson e Frazê (futuro Grupo Engenho), Michel e Stelinha (Sol da Terra), Luiz Ekke Mourkazel, Fernando Bahia, Volney Varachin, Capuchon, Siddartha, e outros.

Meu irmão Mario Sergio e sua turma cuidavam do “som mecânico”, criando a “Maga Som”, levando também o som da discoteca para os clubes sociais e festinhas particulares.

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