Saudação à Primavera

Quando acabei de ler à mensagem do Jali Meirinho*, as lembranças vieram feito água em cascata sobre as pedras da montanha. Pô, cara! E aquelas músicas do Zininho: A Rosa e o Jasmim, Jardim dos meus amores, A Margarida e o Mal-Me-Quer e Viva à Natureza. É isso. Tudo lembra a primavera. Por Antunes Severo

E dentre as lembranças, muitas e queridas, veio uma em especial. O show produzido por Aldírio Simões em homenagem a Zininho visando gravar em CD algumas das mais belas músicas do poeta. Era ainda primavera.

Estávamos no dia 28 de novembro, uma segunda-feira de 1994. A tarde, pintada de todos os matizes imagináveis anuncia uma noite de lua cheia. O velho Teatro Álvaro de Carvalho, de tantos pulsares de coração, quase não cabe em si de pura emoção. Ali está uma boa parte dos amigos que vieram rever e homenagear Cláudio Alvim Barbosa, o poeta Zininho.

Oito da noite. Abrem-se as cortinas. O palco relembra o Miramar. Começa o espetáculo. Uma emoção colada na outra, sem intervalo, espremendo o coração.
Convidado a conduzir o espetáculo. Respiro fundo e começo a falar:
– Boa noite, senhoras e senhores. Com produção e realização de Aldírio Simões estamos iniciando o espetáculo Zininho – Jamais algum poeta teve tanto pra cantar. Abrindo o desfile musical da noite aqui estão Márcio Martins, Edi Santana, Leleco Lemos, Néli Silva e Jane Pereira para interpretar as seguintes composições de Cláudio Alvim Barbosa: Princesinha da Ilha, A Rosa e o Jasmim, Jardim dos Meus Amores, A Margarida e o Mal-Me-Quer e Viva à Natureza.

Nesta reminiscência inspirada por Jali Meirinho, reproduzimos a seguir as letras das canções que mais diretamente lembram a Primavera e após as letras você encontro o acesso para ouvir e também cantar as músicas.
A Rosa e o Jasmim (marcha-rancho) – A rosa brigou com o jasmim / Ficou tão triste, sentida / Quando vieram lhe contar / que ele namorou a margarida. // Não fiques triste rosa / que o jardim / é todo teu. // Um dia ele gostou de outra / Mas, foi da camélia / E ela já morreu.

Jardim dos meus amores (marcha-rancho) – No jardim dos meus amores / Você era a mais linda das flores / Muito mais formosa / Que a própria rosa / Lindo mal-me-quer / em forma de mulher. // Um dia alguém lhe viu / E o jardim dos meus amores / Perdeu a mais linda / das Flores.

A Margarida e o Mal-Me-Quer (marcha-rancho) – A margarida ficou sentida / desiludida com o mal-me-quer / que andou dizendo que gosta mais da rosa / E que a rosa é muito mais mulher. // Também na vida das flores / Existem risos e dores / E enquanto a margarida / já não tem mais amor à vida / A rosa faz do mal-me-quer / o que bem quer.

Viva a Natureza (marcha-rancho) – Vem, vem comigo cantar / A alegria de viver a vida / Vamos festejar a natureza / A natureza onde mora a vida. // Não vamos deixar que se acabem / Este céu, este sol, este mar / O cheiro de terra molhada / O perfume das flores no ar. // Não deixemos que se apague lá no céu / A imagem da pandorga colorida. // Não deixemos que se mate a natureza / A natureza onde mora a vida.

Áudio: Jardim dos meus amores

Fontes:
Antunes Severo. Cidadão ternura. In Zininho – uma canção para Florianópolis de Ricardo Medeiros, Dieve Oehme e Cláudia Barbosa. Florianópolis: Editora Insular, 2000.
Zininho – Jamais algum poeta teve tanto pra cantar. CD gravado ao vivo pelo Estúdio 156 / Som Cotempo, em 28 de novembro de 1994.
* Jali Meirinho – Jornalista, professor de História da Universidade Federal de Santa Catarina. Atual secretário geral do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *